Viviane Narrando O pagode era aquele tipo de festa que parecia abraçar todo o morro. O som do tan tan tan misturado ao cavaquinho, a cerveja gelada descendo fácil, o cheiro de churrasquinho e pastel frito vindo das barracas. Criança correndo de um lado, os mais velhos sentados nas cadeiras de plástico, e os mais jovens na roda de samba, cantando alto como se o mundo fosse só aquilo. Eu tentei me deixar levar, juro que tentei. Coloquei uma roupa bonita, passei um batom clarinho só pra não parecer tão abatida. A Bia tinha insistido até cansar, e eu acabei cedendo. Fazia tempo que eu não descia pra uma festa dessas, e confesso que parte de mim precisava sentir de novo a energia do morro, como se fosse uma tentativa de provar que eu ainda tinha lugar ali. Mas por mais que eu tentasse sorrir

