Capítulo 22

1077 Palavras

Sorriso Narrando Tem coisa que nem o tempo apaga. No corre, eu aprendi a lidar com tudo: bala perdida, carga atrasada, vapor vacilando, polícia querendo subir. Sempre dei conta. Sempre consegui manter a cabeça fria e o sorriso no rosto, porque era assim que me chamavam, era assim que esperavam me ver. O gerente da boca que nunca treme, que resolve tudo na manha, que não deixa o morro cair. Mas tem um bagulho que eu nunca consegui administrar: o vazio que a Bia deixou quando foi embora. Eu tinha dezessete anos. A gente cresceu junto, correndo por essas vielas, dividindo bala de coco na porta da escola, falando besteira no campinho. E foi ela, a Bia, a primeira e única boca que eu beijei. Não teve mais ninguém. Não porque eu não quisesse, mas porque, depois dela, nenhuma outra me serviu.

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