Bia Narrando Leopardo me ofereceu carona até a minha casa, no caminho reparei como o morro não mudou nada, as crianças correndo na rua, senhoras nas calçadas, funk tocando em alguma casa, os vapores nos seus pontos. Aquela sensação de estar onde nunca deveria ter saído tomou conta de mim, fazendo os olhos marejar. A porta rangeu quando o Leopardo empurrou, e o cheiro de poeira acumulada me acertou em cheio. Entrei devagar, cada passo levantando uma fina camada de pó que dançava no ar, iluminada pela luz fraca que entrava pela a fresta da janela. Era a mesma casa que um dia foi meu lar, mas agora parecia abandonada pelo tempo, como se tivesse parado no dia em que eu fui embora. — Você pode ficar aqui até, mas vai precisar de uma reforma. — ele disse, abrindo espaço no batente da porta,

