CAPÍTULO 118 VALÉRIA NARRANDO Acordei devagar, os olhos pesados, como se o sono ainda me puxasse de volta. Demorei alguns segundos pra entender onde eu tava. O quarto era diferente, paredes escuras, cheiro forte de sabonete misturado com perfume amadeirado, e aquele silêncio quebrado só pelo barulho distante do movimento do morro. Virei o rosto no travesseiro e vi ele ali, deitado do meu lado. O Morte. Dormia pesado, uma das mãos largada em cima da barriga, a outra quase encostando em mim, como se mesmo dormindo não deixasse de marcar território. O peito subia e descia devagar, mas a expressão ainda era séria, como se nunca relaxasse de verdade. Meu corpo ainda doía de leve, lembrança viva da noite passada. Senti um arrepio só de pensar no jeito que ele me pegou, no jeito que falou que

