CAPÍTULO 152 VALÉRIA NARRANDO Acordei com uma dor de cabeça do cão, daquelas que latejam por trás dos olhos e fazem a gente querer enfiar a cara debaixo do travesseiro e esquecer do mundo. Mas eu não tinha esse luxo. O sol já entrava fraco pela fresta da cortina, riscando o quarto de laranja e cinza, e a lembrança de tudo que tava acontecendo não me deixava descansar nem mais um minuto. Levantei devagar, a cabeça pesando, os pés arrastando pelo chão frio até o banheiro. Acendi a luz e me encarei no espelho. O rosto abatido, olheiras escuras, o cabelo bagunçado grudando nas laterais. Suspirei fundo, abrindo a torneira e jogando água gelada no rosto, tentando espantar a ressaca de pensamentos que me consumia mais do que qualquer bebida. Abri o chuveiro e entrei sem pensar duas vezes. A á

