CAPÍTULO 164 MORTE NARRANDO Assim que ela subiu, fiquei mais um tempo sentado na cozinha, olhando pro prato vazio e pro copo ainda meio cheio. A casa tava silenciosa, mas o tipo de silêncio que avisa — o de antes da tempestade. Peguei a arma que tava em cima da mesa, destravei e deixei na cintura. A tensão no corpo não passava, e minha cabeça trabalhava mais rápido do que o coração batia. Cafu. Filho da putä tava jogando sujo, e agora parecia disposto a testar até onde podia ir. Entrar no meu barraco, mexer na janela, assustar a Valéria... era provocação direta. Ele queria me tirar do eixo. Só que não era com ameaça que se derrubava um cara como eu. Levantei, peguei o rádio em cima da bancada e chamei o menor que tava de plantão na esquina: — Ô Preto, tu viu que horas o Cafu saiu ?

