CAPÍTULO 161 VALÉRIA NARRANDO O cheiro de alho fritando já começava a se espalhar pela cozinha. Eu mexia distraída a panela, o barulho do óleo chiando abafando meus pensamentos. Coloquei a carne moída pra refogar, joguei um pouco de sal, pimenta e orégano, tentando focar só naquilo — cozinhar sempre me ajudava a acalmar a cabeça. A casa do Morte tava silenciosa, só o som do vento batendo nas janelas. Peguei o molho de tomate, abri a lata e deixei cair o conteúdo vermelho e espesso sobre a carne, mexendo com a colher de p*u. Aquele cheiro de comida feita na hora me deu uma sensação de normalidade que fazia tempo que eu não sentia. Enquanto o macarrão cozinhava, cortei cebola, tomate e cheiro-verde. Coloquei água pra ferver, testei o sal, abaixei o fogo… tudo no automático. A cabeça, na

