CAPÍTULO 32

1075 Palavras

ETTORE TRENTINO Eu nunca odiei meu pai, na verdade acho que nunca tive sentimento nenhum por ele, paterno, ou qualquer outro, mas naquele instante… eu quase amei a ideia de matá-lo. O silêncio engoliu a sala inteira depois que ele pronunciou aquela ameaça nojenta, aquela merda de frase que pareceu atravessar meu crânio e sair queimando tudo pelo caminho. "…pelo menos pra isso a Grasso vai servir." Senti meu sangue ferver, minhas mãos formigarem, o ar sumir por um segundo. Não foi raiva, foi a perda súbita do raciocínio. Eu só via vermelho, só lembrava do rosto da minha Cecília, olhando pra mim com aquele olhar doce, inocente, machucado, me chamando de “Orsone”. E ele teve a coragem de falar dela assim. Eu avanço sem pensar, minha mão indo direto para a gola do meu pai, mas Gedeon me

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