ETTORE TRENTINO Eu nunca odiei meu pai, na verdade acho que nunca tive sentimento nenhum por ele, paterno, ou qualquer outro, mas naquele instante… eu quase amei a ideia de matá-lo. O silêncio engoliu a sala inteira depois que ele pronunciou aquela ameaça nojenta, aquela merda de frase que pareceu atravessar meu crânio e sair queimando tudo pelo caminho. "…pelo menos pra isso a Grasso vai servir." Senti meu sangue ferver, minhas mãos formigarem, o ar sumir por um segundo. Não foi raiva, foi a perda súbita do raciocínio. Eu só via vermelho, só lembrava do rosto da minha Cecília, olhando pra mim com aquele olhar doce, inocente, machucado, me chamando de “Orsone”. E ele teve a coragem de falar dela assim. Eu avanço sem pensar, minha mão indo direto para a gola do meu pai, mas Gedeon me

