CAPÍTULO 5

961 Palavras
SALVATORE TRENTINO Chamo a empregada — dona Lia — que já entra nervosa. Sempre fica assim quando nós três estamos juntos. Acho que teme por alguma crise, ou briga, ou tiro, sei lá. — Senhor Salvatore? — ela ajeita o avental. — Quando a mulher chegar, leve-a direto para o meu quarto. Nada de perguntas. Nada de problemas. Só deixe lá e feche a porta. — Sim, senhor. — E não deixe Ettore entrar antes de mim — digo, apontando para o i****a. — Ei! — Ettore ergue as mãos. — Eu não sou ladrão de mulheres. — É sim — respondo seco. Ele sorri, porque sabe que é verdade. A empregada sai quase correndo. — Vamos — digo, levantando. — Temos que conferir o carregamento no galpão. Se aqueles idiotas estragaram um lote inteiro de Berettas, eu juro que enterro todos num barril de concreto. — Ah, finalmente algo bom nesse dia — Ettore estala os dedos. — Estou louco para quebrar alguns dentes. Descemos as escadas, o piso ecoando sob nossas botas pretas. O castelo é enorme, cheio de corredores e janelas altas. Ao fundo, vejo Fillipo se preparando para entrar no carro com expressão de alguém indo para o enterro da própria dignidade. Ele rosna para um dos seguranças, empurra outro e bate a porta com tanta força que quase quebra a dobradiça. — Ele realmente odeia essa merda de casamento — Ettore comenta. — Eu no lugar dele odiaria também — digo, abrindo a porta principal. — Casar com filha de Grasso? Prefiro amputar um braço. — O problema é que ele vai acabar fodendo ela — Ettore continua. — Sabe como ele é. Odeia, mas transa. — E vai reclamar depois — respondo. — Dizendo que foi a pior f**a da vida. — E a culpa é dela — Ettore ri. Entramos no carro. Dois SUVs pretos nos seguem, meus homens armados até os dentes. A estrada até o galpão fica a quinze minutos dali, perto dos armazéns antigos que usamos para armazenar armas desde antes do meu avô nascer. Assim que o carro estaciona, já escuto o barulho metálico de caixas sendo deslocadas, homens conversando, armas sendo testadas. O cheiro de pólvora é quase um perfume para mim. — Vamos ver que merda fizeram dessa vez — digo, abrindo a porta. Os capos se alinham imediatamente quando me veem. — Don Salvatore! — Luca, o responsável pelo carregamento, corre até nós. — Chegou tudo conforme pedido. Não tivemos perda. — É o que vamos ver — digo, passando por ele. Ettore já pega uma pistola da mesa e examina com carinho. — Beretta 92FS — ele comenta. — Linda, linda… parece até nova. — É nova, i****a — respondo. Chego até o lote principal. Caixas abertas mostram rifles, pistolas, munições diversas. — Testaram? — pergunto. Luca engole seco. — Sim, senhor. Mas se quiser testar novamente… — Vou querer — digo. — Sempre quero. Vou até a área de teste. Ettore vem atrás, mexendo na arma como se estivesse segurando uma amante. — Sabe… — ele começa. — Fillipo podia levar uma arma para o casamento. — Para matar a noiva? — pergunto irônico. — Ou para atirar no próprio saco — ele dá de ombros. — Qualquer opção é válida. Aponto a pistola para o alvo. Tiro. O disparo ecoa forte. Perfura exatamente no centro. Perfeito. — Este lote está bom — digo. — Finalmente vocês fizeram alguma coisa certa. Luca quase desmaia de alívio. — Grazie, Don Salvatore! Ettore dá alguns tiros também, completamente feliz. O sorriso dele sempre aparece quando tem sangue, armas ou destruição envolvida. Meu celular vibra. Mensagem do bordel. “A acompanhante está a caminho. Chegará em 40 minutos.” Ótimo. Quero chegar cedo, tomar banho, f***r rápido e dormir antes que Fillipo volte reclamando de alguma coisa. — Vamos — digo para Ettore. — Já vimos o suficiente. — Se quisermos, podemos matar alguém antes de ir — ele sugere animado. — Hoje não. Estou com preguiça — respondo. — Só quero descansar. Voltamos ao carro enquanto Luca grita ordens de limpeza. Ettore entra no banco do passageiro, ainda abraçado com a Beretta. — O dia até que ficou interessante — ele comenta. — Só vai ficar melhor quando eu estiver na cama — digo. — Com a minha acompanhante… e longe de qualquer merda envolvendo os Grasso. — Ou quando Fillipo voltar casado — Ettore ri. — Isso… também vai ser divertido. Dou partida no carro. E seguimos de volta ao castelo. Prontos para uma noite que ainda vai dar problema. — Porque na família Trentino — digo, estalando o pescoço — paz é algo que nunca dura. Ettore sorri torto. — E problemas são sempre mais divertidos. — Nao quando o problema é casar com uma Grasso. — Fillipo resmunga. — Qual é, vai fundo, imagina voce beijando o Grasso, deve ser igual com a filha. — Ettore provoca e eu ri. — Vou é matar essa mulher. — Sua esposa, deve ter barba. — Agora eu provoco. — Vou atirar nos dois. — Quer que eu chame o Grasso, para vir aquie voce já ir se acostumando com o cheirinho dele. — Ettore ri. — i****a. Fillipo avanca sobre Ettore, que o segura com facilidade, prendendo ele pelo pescoço, e bagunçado o cabelo dele,rindo. — Que tal voce adotar o sobrenome Grasso, Fillipo Grasso, que lindo. — Ettore continua. — Vou cortar seu p*u fora, Ettore. — Tenta, meu p*u é tão grande que nem motosserra corta. — Pode ser grande, mas e mais fino e mole que macarrão. — Fillipo provoca — E voce que nem tem, meu dedo mindinho é maior, que seu amendoinzinho. — Babaca. — Parem vocês dois, vamos nos concentrar.
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