~~CAPÍTULO 31~~
NARA
FUI PARA A CAMA, MAS NÃO CONSEGUI DORMIR. Houve uma batida suave na porta antes de Ken entrar. Estava vestido de calça de moletom e uma camisa, pronto para ir para a cama. Ele parou sobre o umbral da porta quando me viu na cama, com uma expressão impassível e inescrutável.
Eu sabia exatamente o que queria. Mas não concordaria com isso.
— Venha dormir no meu quarto.
Ele não poderia ter tudo.
Não podia dormir comigo todas as noites, mas não sentir nada por mim. Já me havia arrastado para as trevas uma vez com seus beijos, seu contato e suas bonitas palavras. Agora eu tinha que colocar distância entre nós: uma distância gelada.
Quando não havia correspondido a meu afeto, uma parte de mim morreu. Eu estava certa de que ele sentia o mesmo, que seus lábios tremeriam de adoração enquanto repetiram as mesmas palavras.
Quando não obtive mais que silêncio e um olhar incômodo, me partiu o coração.
— Eu gosto de estar aqui.
Realmente senti falta da cama assim que entrei nela. O colchão não me era familiar e cheirava a flores. Preferia o aroma masculino no ar, a mistura de sua colônia e sua loção pós-barba.
— Nara.
Ele tentou exercer sua autoridade com uma única palavra, mas isso não funcionaria mais. Eu não poderia continuar dormindo lá com ele.
Não pareceria mágico como antes. Meu corpo esfriou e endureceu ao mesmo tempo. Meu coração tinha se fechado. Eu não queria ouvir sua respiração no escuro, nem que seu rosto fosse a primeira coisa que via quando acordasse.
Se o que tínhamos não era mais do que uma f**a, então era assim que deveríamos nos comportar.
— Eu vou ficar aqui. Boa noite, Ken.
Ele ficou na porta, a mão na maçaneta.
— Eu quero proteger você.
— Você não precisa.
Ele mesmo disse isso. Se eu morresse, ele superaria... porque não me amava e eu queria que fosse assim. Os últimos nove meses agora pareciam um sonho. Tinha que ser um sonho, porque eu era a única que se lembrava. Eu pensei que tinha encontrado o lugar que pertencia. Pensei que eu era diferente... especial. Mas ele deixou claro para mim que era apenas uma entre muitas. E nunca seria diferente.
Ele continuava na soleira da porta, embora não tivesse mais nada a dizer.
— Estou cansada.
Essa era a maneira educada de pedir a ele para sair. Eu não tinha certeza se poderia dormir com ele novamente antes de ir embora. Não pensaria em outra coisa senão em como eu lhe tinha aberto meu coração e ele o tinha golpeado.
— Nós veremos de manhã.
Me aconcheguei debaixo das cobertas. Então eu me virei de propósito, lhe dando as costas para não ter que encará-lo. Não ouvi o barulho de seus passos quando ele saiu. Eu queria chorar, mas me recusava a fazer isso.
NARA
Ele bateu na porta com os dedos antes de entrar. Ken sentou-se ao meu lado. Ele se inclinou para frente, colocou os braços em suas coxas, entrelaçou os dedos e olhou para o chão sob seus sapatos reluzentes. Esperei ele sair e me deixar sozinha. Estar em sua presença um segundo a mais do que o estritamente necessário era uma tortura para mim.
Apenas uma semana atrás eu estava feliz e agora me sentia muito infeliz. Ele tinha tirado algo de mim, algo que nunca pensei que poderia ter novamente. De alguma forma, me ressentia dele por isso.
- Tenho saudades de você.
Ele olhou para as mãos, esfregando os polegares. Eu o ouvi, mas não reagi. Essas palavras não faziam sentido para mim. Houve um tempo em que pensei que ele me amava, que não poderia viver sem mim.
Todas aquelas noites que passamos juntos foram maravilhosas. Ele cuidou de mim quando eu m*l conseguia andar. Mas eu havia entendido tudo errado. Ele lentamente virou a cabeça em minha direção, esperando que eu dissesse as mesmas palavras. Agora ele sabia como era ser rejeitado.
Desilusão brilhou em seus olhos, do tipo que é impossível esconder. Ele apertou seus dedos e olhou para as mãos novamente quando já não suportava a minha frieza.
- Meus sentimentos não são os mesmos, Ken.
Ele cerrou o maxilar levemente.
— O que isso quer dizer?
— Eu não quero dormir ou f***r com você.
Ele se endireitou e abriu as mãos.
— Eu não vejo por que não podemos desfrutar um do outro.
Eu não queria sentir suas mãos em mim. Senti-lo dentro de mim. Isso só me faria pensar no dia em que meu coração se quebrou.
Depois de tudo o que passei, não achei que era possível amar alguém, confiar em alguém. Ele me envolveu em uma falsa sensação de segurança, fazendo-me pensar que juntos éramos seres sombrios, mas completos.
— Porque não podemos.
— Me desculpe, eu machuquei você, mas...
- Tudo bem, Ken. Não precisa se desculpar por como você se sente. Mas agora eu quero outras coisas. Não posso te deixar me tocar não porque não gostaria disso, mas porque me faria pensar na última vez que estivemos juntos. Agora somos apenas amigos. Cúmplices. E isso é tudo o que vamos ser.
Ele respirou fundo, obviamente frustrado.
— Se servir de algo, eu realmente sinto sua falta. Não consigo dormir sem você. Não posso me concentrar no trabalho. Tudo está de cabeça para baixo e nem consigo pensar com clareza. Eu sinto sua falta. Sinto falta do que tivemos. Não está fácil para mim.
Achei muito difícil ter pena dele. Ele só me queria como entretenimento. Porque o sexo entre nós era incrível. Mas era só isso e nada mais.
Isso era tudo o que eu significava para ele.
— Você vai superar isso. O desejo desaparecerá e se esquecerá de mim... como todo mundo
Não havia nenhum sinal de veneno na minha voz. Estava apenas dizendo-lhe a verdade. Ele se virou para mim, seus olhos desesperados. Eu estava entorpecida e não conseguia sentir nada. No meu coração não havia compaixão ou qualquer outra coisa. Tudo o que sentia era um desejo irrefreável de escapar dali. Queria me afastar o máximo possível, para poder superá-lo. Eu queria esquecê-lo.
Esquecer tudo aquilo.
— Mahina está melhor.
Eu suspirei fundo depois de tomar uma decisão.
— Estamos nos separando.
Eu disse no tom mais que audível para que ele tenha certeza que não estou blefando.
— Nara.
— Não sou ela, não mereço ser sua esposa, portanto sim, estou indo embora, agora.
Levantei da cama, Ken não disse nada, apenas saiu do meu quarto, peguei a primeira mala que encontrei e coloquei minhas coisas nelas.
— Aonde está indo com essa mala?
Questionou Mahina.
— Estou me separando do seu irmão.
— Separar? Não existe essa coisa de separação no nosso mundo Nara.
— f**a-se, agora existe.
— Nara...
— Eu fiz de tudo por este casamento Mahina, submeti-me a merda do seu irmão, em nome dessa droga que ele considera merda, não sou ela p***a e nunca serei, ele não me ama, nunca me amou.
— Nara, eu sinto muito.
Ela veio me abraçar fortemente.
— Tudo bem, vai ficar tudo bem.
— Eu preciso arranjar um lugar para morar, depois mando meu endereço.
— Meu irmão possui muitos apartamentos, você pertence a máfia..
— Eu vou comprar um, não se preocupe.
— Tem dinheiro?
— Tenho cartão do seu irmão, provavelmente ele não sentirá falta dele.
Eu disse a ela.
— Se cuide.
— Você também.
Segurei minha pequena mala, sentirei falta deste paraíso, entretanto, minha jornada nesta casa termina por aqui. Desci os degraus das escadas e atravessei a sala até hall, ao abrir a porta, vejo Hayato me esperando, ele abriu a porta do carro.
— Senhorita.
Abri um sorriso torto enquanto entregava-o minha mala, nunca foi um conto de fadas, nunca existiu um príncipe encantado muito menos uma princesa que precisa ser resgatada de um monstro. Sempre existiu um monstro manipulando uma mulher inocente.
Finalmente acabou.
Eu posso viver minha vida agora.