Alex
Recebo uma notificação no celular assim que saio do chuveiro. Eu seco o cabelo e a envolvo em volta da minha cintura. Tenho a sensação de que é Kendra. Espero que não seja Mia. Pelo menos, eu espero que não seja Mia dizendo que ela tem de cancelar o nosso encontro hoje à noite.
Mandei uma mensagem para ela alguns dias depois de nos encontrarmos na livraria, perguntando quanto tempo ela precisava para terminar o livro que estávamos lendo. Imaginei que ela precisaria de mais uma semana, e decidi convidá-la para jantar nesse meio tempo. Eu não queria esperar tanto tempo para vê-la novamente. Mas ela me respondeu dizendo que já tinha lido o livro. Eu só tinha lido cerca de metade, mas resolvi terminar naquela noite mesmo e fiz planos para me encontrar com ela em um café, no dia seguinte.
Eu a encontrei em um pequeno café na Queen Anne e passamos várias horas aninhados em uma mesa de canto perto da janela da frente, apenas conversando. Debatemos sobre o livro, mas ,uma vez que acabamos de discutir sobre detalhes do o enredo e dos personagens – coisas que gostamos ou não, como terminou, esse tipo de coisa –, nós apenas continuamos conversando. A única razão pela qual saímos foi porque o café fechou às quatro. Eu estava me chutando por não ter sugerido um lugar que ficava aberto à noite, pois não queria me despedir.
A princípio, Mia parecia desconfortável, ainda rígida. Ela derrubou o livro da mesa duas vezes nos primeiros dez minutos, e eu percebi que ela estava nervosa. Mas peguei o livro antes de cair no chão pela segunda vez e usei-o como desculpa para tocar na sua mão. Depois de um tempo, nos perdemos na conversa, e sua linguagem corporal mudou completamente. Ela parou de se mexer e ajeitar os óculos. Suas mãos se moviam quando ela falava, mas não parecia tão preocupada com elas.
Conversamos e rimos e quando o pessoal começou a empilhar cadeiras nas mesas, nós relutantemente levantamos e saímos. Eu realmente queria beijá-la do lado de fora do café, mas ela continuava torcendo as mãos, agindo de forma nervosa novamente. Não queria avançar muito rápido. Em vez disso, perguntei se poderia levá-la para jantar no sábado e ela rapidamente concordou.
Hoje, eu definitivamente vou beijá-la. É uma questão de quando, não se. Quanto a algo a mais, cabe a ela. Eu não sou um desses caras que pressionam uma mulher para algo que ela não está confortável, e nós não nos conhecemos há muito tempo.
Há algo nela que me atrai muito. Quando tomamos café, eu não conseguia parar de olhar – a pele macia dela, os olhos azuis brilhantes, os lábios macios. Talvez escrever livros com muito sexo tenha mudado como penso, ou talvez eu seja apenas um cara, mas não conseguia parar de fantasiar sobre ela. Eu me pergunto qual é o gosto da sua pele, qual a sua aparência quando goza. Ela não é exatamente uma garota com óculos escondendo uma gatinha s****l por baixo – há muito dessa gatinha s****l aparecendo, óculos ou não. Mas eu ainda sinto que ela está segurando uma garota má por dentro, talvez esperando o cara certo para trazê-la à tona.
Eu adoraria ser esse cara.
Verifico meu telefone e, com certeza, tenho uma mensagem da minha irmã.
Kendra: Planos hoje à noite?
Eu: Sim, tenho um encontro.
Eu rio para mim mesmo, sabendo que não é a resposta que ela está esperando. Não contei a ela sobre Mia ainda. Principalmente porque estou esperando para ver onde isso vai dar antes de deixar Kendra ficar muito animada. Mas, posso dizer a ela o que vou fazer.
Kendra: Você não tem, não. Com quem? Desde quando?
Eu: Sim, eu tenho. O nome dela é Mia. Desde o outro dia, quando tomamos café e a convidei para jantar.
Kendra: Por que você não me contou, seu merda? Quando eu posso conhecê-la?
Eu: Acabamos de nos conhecer, então sossegue a sua b***a.
Eu termino de me arrumar, optando por uma camisa azul clara e jeans escuros. Pego uma jaqueta e saio para pegar Mia. Nós dirigimos separadamente e nos encontramos no café no outro dia, mas esta noite eu vou buscá-la.
Quando chego ao prédio dela, estaciono na frente e toco o interfone. Ela sai um minuto depois, vestida com uma camisa vermelha escura, calças pretas e botas cano longo. Ela ainda está tentando colocar o casaco enquanto sai pela porta, mas parece que não consegue colocar o braço na manga.
Eu vou por trás dela e pego o casaco para que ela possa deslizar o braço para dentro. Ela olha para mim com um sorriso tímido e a ajudo a puxar o cabelo para fora da parte de trás do casaco. É macio e sedoso, e estando tão perto dela, eu sinto o seu cheiro. Eu não sei que tipo de feromônios essa garota está liberando, mas ela é inebriante.
— Obrigada — diz ela.
Eu dirijo para o centro e, por sorte, encontro um lugar para parar perto do restaurante. Nós entramos no List, um lugar italiano moderno em Belltown. O ambiente é ótimo para um encontro, é aconchegante e intimista com a luz fraca que emana de lustres vermelhos.
O anfitrião nos leva à nossa mesa e eu ajudo Mia com seu casaco novamente. Nós nos sentamos e o garçom anota nossos pedidos de bebida, pinot noir para Mia e um copo de uísque para mim.
Mia examina o cardápio, mas a vejo olhando para mim por cima dele, como se estivesse espreitando.
— O que você está pensando? — Eu pergunto.
— Que não posso acreditar que este sonho não terminou ainda.
Eu rio.
— Que sonho?
Ela se esconde atrás do cardápio por um segundo.
— Eu quis dizer... Não... eu não quis dizer... — Ela respira fundo. — Este sonho onde estou aqui com você. É como se eu estivesse sonhando desde o dia em que trombei com você na livraria.
— Eu não acho que seja um sonho. Mas se for, pelo menos, é um dos bons.
— Sim, definitivamente um dos bons. Desculpe, acho que você quis dizer sobre o que estou pensando em pedir, não é?
Eu sorrio.
— Sim, mas eu gosto mais da sua resposta.
— Eu não sei, tudo parece bom — diz ela.
— Nós poderíamos apenas pedir um monte de coisas e compartilhar tudo — eu digo com um encolher de ombros.
Ela deixa seu cardápio cair na mesa.
— Isso soa perfeito.
— Mesmo?
— Sim. Por que, você não estava falando sério?
— Não, eu estou falando sério. Desculpe, você me pegou de surpresa. Eu amo jantar dessa maneira. Mas digamos que já faz um tempo desde que eu saí com alguém que compartilhava do meu entusiasmo.
— Eu acho que você não estava com a pessoa certa. — Assim que fala, ela fecha a boca, como se não quisesse dizer isso. Ela faz isso às vezes, e é adorável, como se a boca dela estivesse à frente do cérebro dela.
— Obviamente, eu não estava com a pessoa certa — digo. Eu quase termino com: porque eu não estava com você, mas nosso garçom chega com as bebidas.
O garçom anota o nosso pedido. Mia insiste que eu peça o que eu quiser e que compartilhemos tudo. É uma coisa tão pequena, mas minha ex odiava compartilhar sua comida, por isso nunca fizemos isso juntos.
Mia toma um gole do seu vinho.
— Ok, acho que estamos no ponto em que você precisa me contar sobre ela. E então eu vou falar sobre o meu.
— Sobre quem?
— Sobre a sua ex — diz ela, seu tom neutro. — Dá para perceber que você tem uma. Quero dizer, quem não tem, certo? Mas posso dizer que você tem uma que ainda importa de alguma forma.
— Como você sabe?
Ela encolhe os ombros.
— Você ficou surpreso algumas vezes por coisas que eu disse. Não surpreso tipo: o que há de errado com ela? Embora eu tenha muito disso. É mais como: uau, a última mulher com quem eu estava com certeza não teria feito isso.
— Eu sou completamente transparente, não sou?
— Sinto muito — diz ela. — Eu não deveria ter dito tudo isso. Às vezes, eu falo coisas sem pensar, e… eu não sei. Eu não sou boa nisso.
— Não, você é boa — eu digo. — Você está absolutamente certa, há uma ex, embora não diga que ela ainda importe. Mas, para ser totalmente honesto, eu era casado com ela.
— Ouch. Quanto tempo passou desde... você sabe? — Ela gesticula puxar um anel do dedo e jogá-lo por cima do ombro.
Eu rio e tomo um gole da minha bebida.
— Nós nos divorciamos há alguns anos. Ela se mudou um bom tempo antes disso, no entanto. E Mia, não tenho mais nada com ela. De verdade. Não nos falamos desde que o divórcio foi finalizado.
— Eu não estava preocupada com isso — diz ela. — Eu já namorei um cara que não tinha superado a ex dele, e acredite em mim, você não parece ser assim.
— Bem, isso é bom. Então, e o seu?
— Meu o quê?
Eu rio novamente.
— Seu ex. Isso não é um negócio de eu lhe direi o meu se me disser o seu?
— Oh, certo — diz ela. — Eu não me casei com ele, graças a Deus. Já faz um ano desde que terminamos. Ele era... irritante.
— Irritante? — Eu pergunto. — Como assim?
— Ele me provocava muito — diz ela. — Não uma provocação fofa. Ele queria dizer aquilo. Ele tirava sarro de mim sempre que eu fazia algo desajeitado, e me dava um sermão sobre o quanto eu lia. Minha irmã Shelby disse que fui muito dura com ele, mas honestamente, quem tem tempo para isso?
— Você está absolutamente certa — digo. — Você nunca deve deixar um cara te tratar desse jeito.
— Foi o que eu disse. Eu acho que Shelby me provoca pelas mesmas coisas, então talvez seja por isso que ela não achou que fosse tão importante.
— Relacionamento difícil com sua irmã? — Eu pergunto.
— Sim, e não — diz ela. — Eu a amo e ela é ok. Ela é apenas... excessivamente crítica. Ela é tão crítica de si mesma quanto é comigo, é o jeito dela. Uma filha mais velha por excelência.
— Sou o filho mais velho e não acho que seja excessivamente crítico em relação à minha irmã.
— Talvez não, mas você perguntou à sua irmã? — Ela fecha os olhos por um segundo. — Desculpe de novo, isso apenas saiu. Você realmente não parece o tipo excessivamente crítico.
Eu sorrio. Sua honestidade é tão refrescante. Sinto que estou olhando diretamente para ela, e vendo nada além da verdadeira Mia. Não há máscara. Sem jogos.
— Na verdade, é um bom ponto. Kendra pode pensar o contrário. Mas ela e eu temos um bom relacionamento.
— Você tem outros irmãos? — Ela pergunta.
— Sim, eu tenho um irmão mais novo, Caleb. Ele mora em Houston, então não o vejo com muita frequência. Ele é um pai solteiro, e por isso é muito ocupado.
— Uau, imagino que sim.
O garçom chega com a nossa comida. Ele coloca os dois primeiros pratos sobre a mesa e nós dois movemos nossas bebidas para o lado de forma a abrir espaço. Mia estende a mão para tirar os talheres do caminho e bate no copo de água. Ele cai com um tilintar, derramando água sobre a mesa.
— Ah, não. Eu sinto muito. — Ela começa a se afastar, mas tem alguém sentado logo atrás dela.
Estendo a mão e coloco minha mão sobre a dela antes que ela se mova, gentilmente a parando para que não bata em ninguém. O garçom já tem a maior parte da água limpa; ele foi rápido com a toalha. Eu mantenho minha mão na dela, e cuidadosamente inclino seu copo na posição vertical. — Está tudo bem. Estamos bem.
Ela engole, com os olhos fixos nos meus. O garçom limpa a garganta e a solto, movendo-me para que ele possa colocar o resto do nosso jantar na mesa.
— Obrigada — diz ela.
Não tenho certeza se ela se refere a mim ou ao garçom, mas seus olhos estão em mim.
Começamos a comer, e tudo está delicioso. Nós temos calamari, nhoque, camarões embrulhados em bacon e almôndegas picantes, além de pão fresco. Nós conversamos enquanto comemos, e rimos muito. Ela conta uma história de quando tinha dezesseis anos e perdeu o biquíni na frente de seu crush quando pulou na piscina. Eu me vejo contando a ela sobre a vez em que rasguei minhas calças tentando pular uma cerca enquanto fugia de uma festa do ensino médio. Ela ri tanto que seus olhos lacrimejam e depois pede desculpas profusamente por rir. Mas também não consigo parar de rir.
Depois do jantar, compartilhamos uma tigela de sorvete de chocolate. Mia revira os olhos e geme de prazer toda vez que toma uma colherada. Isso é tão excitante que eu paro de comer, só assim ela irá comer mais e eu poderei vêla degustando.
Ela não protesta quando eu recebo a conta do garçom, apenas sorri e me agradece. É realmente tão fácil? Nenhuma disputa sobre quem deve pagar, ou o que isso diz sobre o nosso relacionamento. Ela simplesmente aprecia meu gesto pelo que é.
Eu ajudo Mia com seu casaco novamente antes de sairmos. Desta vez não espero que ela comece a puxar o cabelo das costas; deslizo minha mão pela parte de trás do seu pescoço e levanto o cabelo dela para que fique fora do casaco. Não tenho vergonha de admitir, sinto seu cheiro de novo enquanto faço isso. Deus, esta mulher cheira bem.
Eu coloco minha mão nas costas dela, logo abaixo da cintura, enquanto caminhamos para o meu carro. Estou sendo um pouco agressivo, tocando-a tanto, mas quero mostrar a ela que esta porta está bem aberta.
Se ela não está pronta para que este encontro acabe, então eu também não estou.