CAPÍTULO 5 - VINI

1804 Palavras
O interesse surge, você se prepara e depois é pego. Você não é o caçador, você é a presa, somente não percebeu isso. _________________ Estou entendido, eu não tinha vocação pra padre, eu não tinha vocação pra estar num lugar como esse. Aqui parecia ate parecia um lugar vazio, sem movimento e sem barulho, até meu peido fazia mais barulho durante o dia. Olho para o jardim através da janela, estou enfiado dentro do quarto desde que almocei com meu caro Escobar, ele deve estar puxando conversa com alguma das freiras. Eu não sei como alguém pode ser miss simpatia assim. Escobar nem pra fumar um pra segurar o nome que carregava. Nada. Eu estava buscando uma razão pra continuar ali naquele ligar e não voltar pra casa e acabar com o circo deles. Estava com Deus, mas querendo fazer fogo e guerra com muita gente. Isso me faz lembrar que já tem quase um mês que não fodo nada, nem mesmo a minha mão. Isso me faz lembrar da minha noiva, a bela e ordinária que havia me traido sem pena nenhuma. Melissa Adams. Uma menina mimada e que sempre organizou os melhores eventos, sua mãe era uma das melhores e foi em uma festa que conheci a bela ruiva, a garota dos olhos brilhantes e que não veio com aviso que era chave de cemitério, só veio com um ótimo perfume e um vestido fácil de tirar, depois me envolvi e gostei dela, ela fazia todas as minhas vontades, era a mulher que devia estar ao lado de alguém como eu, apresentável e educada, o tipo de pessoa que sabe fazer acontecer. Mas ela tinha seu lado mesquinho e ambicioso, a ambição deve ter falado mais alto. A desgraçada tinha um caso com meu irmão também, eu vi as fotos deles se encontrando no café, só faltou um beijo pra fechar com chave de ouro a cena toda, chegava a me sentir patético por não ter percebido ou nada do tipo. A empresa sempre foi gerenciada por mim depois da morte do papai, ele conhecia minha vocação e minha capacidade, ele me fez estudar e entender cada coisa, ele me fez e me ajudou a ser quem eu sou. Com muito orgulho. Papai era firme e capaz de levantar qualquer coisa do zero. Fazer coisas magestosas. Não é puxando saco. Mamãe não gostou muito, mas apoiou assim que tomei conta, meu irmão não disse nada, nunca, mas veja a ironia, agora ele mexe na estrutura da empresa e ainda por cima rouba a própria família e pega mulher dos outros. Vem desviando dinheiro a tempo demais, coisa que também não percebi pela cegueira de confiança que eu tinha nele. Ele era nosso financeiro, tudo que entrava e saia passava por ele, nada escapava, então era mais fácil mexer com algo de dentro sem levantar suspeita. Eu sei que estamos ferrados quando esse processo acabar, nossa credibilidade e prejuízo será enorme e eu terei que mexer na minha b***a. Eu não consigo fazer merda nenhuma a não ser esperar, esperar com um i****a. Mas o que é ser um i****a agora se já fui antes? Matar a mim parecia perfeito pra eu não descobrir nada, mas vaso r**m não quebra ou meu santo foi bom demais. Meu irmão tomaria conta da empresa, da mulher e assim não levantaria surpresa nenhuma. Simples assim. Aquele filho da mãe devia estar no meu lugar, rindo e comendo Melissa, enquanto eu usava uma camisa clerica ridícula e estava enfiado num convento. Eu juro que quando eu fosse voltar, seria a volta por cima, seria a grande investida. O retorno. Eu iria acabar com cada um que estivesse envolvido, iria ajudar a colocar atrás das grades quem fez minha vida virar essa bosta. - Ei, você não vai sair desse quarto? O dia está muito bom - - Eu olho por cima do ombro, encarando o homem parado na minha porta, acho que a minha cara feia já está mostrando a real reposta que quero dar pra ele. - Entendo, entendo - Ele se aproxima da cama e então suspira fundo. - Recebi informações, você gostaria de saber? Me viro. - Diga. - Acharam algumas contas no esterior de laranjas, onde dinheiro da sua empresa foi jogado. - Estão depenado a empresa, vão a destruir e eu não vou fazer nada. - Não quer saber a parte boa? - Tem parte boa em estar no meio de uma cidade dessa como um padre fajuto? - Você é muito pessimista. - É você a versão paraguaia do Escobar - Faço chacota. - As contas estão rastreadas, nada sai sem alguém ver, tudo vai ter um destino, o que vai ajudar a recuperar. - Do que adianta? Mesmo assim terei que tirar a empresa da lama, usando até minha cueca que devo ter que vender, vai vir muita coisa. - Você está aqui pra ajudar nisso, não é? - Você entende de polícia e tudo mais Escobar, eu entendo de negócios. Não é tão fácil assim, os negócios vai ruir e vai vir tudo encima de mim quando voltar e resolver isso. O primeiro passo de uma empresa não é tirar quem prejudica, é arrumar o que prejudicaram. - Você parece bom nisso. - Bom? Eu sou ótimo. Eu me mexo e volto a encarar o jardim, então eu a vejo de novo. Santo pai amado, ela parece ainda mais linda com roupas claras e uma calça branca jeans que marca a b***a dela com perfeição. Eu não sabia bem quem ela era ou como ela foi parar em um convento, mas céus, ela devia ter caído aqui por acidente, ela era linda, quando digo isso não estou exagerando. Cabelos longos e escuros, um corpo natural e retocado na b***a, sem muito peito, com um rostinho adorável e uma boca avermelhada, a pele era suave, pele jovem e hidratada, eu podia apostar que ela fazia todo um ritual pra fazer a pele ficar daquele jeito, porque era incrível como reluzia de longe. Acho que a média altura e a b***a, deixava ela graciosa, do tipo que te faz sonhar a noite como um lunático ou do tipo que ajuda muito na imaginação depois do sonho. Confesso que ela é linda. - Você não devia olhar pra garota assim, isso é pecado padre. Eu olho para o lado. Vejam, ele está tentando ser engraçado. - Piada horrível, palhaço - Volto a olhar pra ela, ela para pra conversar com uma das freiras, abre um sorriso lindo. Simpático e agradável. - Ela é linda demais pra estar aqui. - Uma das meninas me falou dela, chama-se Mad ou algum outro nome que não lembro agora. - Repita comigo, Madeleine - Abro um sorriso covarde da minha parte com o nome saindo da minha boca. - Significa aquela que vive na torre de Deus. Falo, com uma empolgação enorme. - Jurava que era um daqueles pequeno bolo francês feito de manteiga , açúcar e ovos que é assado em um molde de concha. - Jesus, você é mesmo casado? Sua mulher iria te matar se falasse isso homem. - Ah, você não é tão poético assim senhor Vini. - Mas sou bom quando quero algo. O olhar que ele me lança, deixa claro que ele me entendeu, deixa claro que eu não preciso falar muito o que se passa na minha cabeça fértil. - Você não está pensando em fazer bagunça com a moça, não é? - Estou a quase um mês largado, aqui eu devia ficar em paz, mas veja o que tem ao lado. - Nada disso, isso pode colocar o nosso objetivo aqui por terra, você não pode se aproximar dela nessa intenção, além disso, essa moça foi deixada ainda criança aqui, era um bebê de colo ainda! - Ele suspira. - Não chega perto dela, ela deve seguir as ordens da igreja e do pessoal aqui que criou e viu ela nascer. - Ela não está usando um daqueles vestido de freira, pelo contrário Escobar. - Não importa, ela é o xodo do lugar, se mexer com ela, vai estar mexendo com todos aqui, não podemos vacilar e ser expulsos daqui, você entendeu? - Sim papai, eu entendi - Falo, sem ligar muito pro sermão. Eu era um cara fiel, acreditem, minha ex-noiva tinha essa enorme qualidade e caráter da minha parte. Pode não parecer por estar olhando para uma nova mulher depois de terminar um noivado, um que não andou bem e ainda a noiva tentou me matar. Mas ficar sozinho tem suas desvantagens, você só tem você e você, isso não é bom, você se sente sozinho e precisa preencher aquilo de alguma forma ou esvaziar, se é que vocês me entendem. Então eu estar olhando pada a garota, não é nenhum pecado. Que eu saiba ela não usa anel do dedo e não me parece o tipo de garota que se colocou em algum voto de castidade. Não, não mesmo. Por um segundo faço uma careta, deixando distante os pensamentos que vem na minha cabeça sobre a atraente e adorável Mad, me aproximar e conquistar uma mulher tinha seus trabalhos, mas não era uma missão impossível, só era uma missão impossível se você estivesse fingindo ser um padre de araque. - Eu vou dar uma volta, você não vem? - Acho melhor ficar aqui, pensando em como vou conquistar ela. - O que? Você não ouviu o que eu disse? - Se fizer direitinho todos saímos felizes e bem, relaxa, o que pode dar errado? - O que pode dar mais errado você quer dizer, quer mesmo brincar com isso? - Acha que consigo, ela parece ser bem simples. - Pare com essa ideia, fique longe da garota, se nosso disfarce não funcionar aqui, eu vou garantir que o próximo seja no Polo Norte. - Vai dar sua volta, vai - Falo, ele ainda me encara de cara feia, depois se move e vaza. Eu volto a olhar para a garota. Ela devia ter uns vinte e pouco. Por um segundo imaginei se era uma boa ideia, a garota havia sido mesmo deixada aqui e criada por Freiras? Parecia até história de filme. O encontro com ela a noite, a forma curiosa e diferente que me encarou, toda curiosa. A forma que nem se importou em dividir o seu sanduíche comigo, foi simples e delicada. Não precisava falar que era um cara de Nova York escondido aqui. Poderia falar pra ela que era um padre que estava parando pra pensar se era mesmo o que eu queria. Fazê-la tomar empatia pra mim.. Solto uma risada, uma risada alta que me faz balançar a cabeça e me chamar de i****a em vários idiomas. Eu não sabia quanto tempo iria ficar ali, mas era bom ter boas amizades.
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