Capítulo 6

1158 Palavras
LOGAN REID Victoria colocou a mão em meu rosto, exigindo minha atenção, mas meus olhos ainda estavam fixos em Audrey, que conversava com Tia Lily. Eu conseguia ouvir a risada suave de Audrey ao longe, e isso apenas aumentava minha irritação. — É verdade o que estão cochichando lá fora? — Vick perguntou com a voz carregada de tensão. Eu ajeitei o terno, tentando manter a compostura. — Depende do que você está se referindo — respondi, sem paciência. Vick estreitou os olhos, visivelmente irritada, e pressionou: — Sobre você ter que casar novamente para ter acesso à empresa do seu tio. Olhei para ela em silêncio, deixando minha expressão falar por mim. Eu estava bravo, não só com ela, mas com toda a situação, e minha raiva transparecia. Vick recuou ligeiramente, chocada com minha reação. — Então é verdade... — murmurou, com a voz vacilante. Naquele momento, vi Audrey e Tia Lily se afastando pela sala, e a visão delas juntas só serviu para alimentar o caos que estava prestes a explodir. Vick, incapaz de se controlar, começou a gritar, batendo com as mãos no meu peito. — Você não pode fazer isso comigo! Não pode se casar com aquela mulher novamente! Segurei seus pulsos firmemente, tentando manter o controle. — Pare com isso já! — rosnei, minha paciência se esgotando. — É exatamente por isso que eu não queria que você viesse. Soltei suas mãos e dei meia-volta, saindo com passos firmes. Mas Vick, em sua típica insistência, correu atrás de mim, gritando, chamando ainda mais atenção. Quando cheguei à recepção do andar, todas as conversas cessaram. Executivos, funcionários e parentes que ainda socializavam ou tomavam café pararam para nos observar. Era impossível não notar o escândalo que ela estava causando. — Logan! — a voz autoritária de Tia Lily cortou o ambiente. Ela se aproximou de mim rapidamente, com o olhar firme que sempre me fazia lembrar de que, mesmo sendo uma senhora, ela era uma mulher poderosa e determinada. — Vá falar com sua ex-esposa — ordenou, gesticulando na direção de Audrey. — É com ela que você deveria estar conversando, e não com essa... essa... — Tia Lily olhou para Victoria de cima a baixo, como se ela fosse um erro na equação. — Nem sei o que essa mulher é na sua vida. Engoli em seco, respirando fundo para conter a raiva. Passei a mão pelos cabelos, tentando me recompor, e concordei com um aceno de cabeça. Tia Lily, então, virou sua atenção para Victoria, e a repreensão foi dura e direta: — E você, pare com esse escândalo. Esta é a empresa do meu falecido marido, não um circo. Você nem deveria estar aqui. Com essas palavras, Tia Lily pegou Victoria pelo braço, conduzindo-a para longe. Vick me olhou, suplicante, esperando que eu interviesse, mas não movi um músculo. Ela havia cavado sua própria cova, e não pretendia resgatá-la dessa vez. Enquanto via Tia Lily afastá-la, meus olhos voltaram para Audrey. Ela estava do outro lado da sala, rindo discretamente com alguém, como se não tivesse um único peso no mundo. Era desconcertante como ela conseguia ser tão calma e ao mesmo tempo tão provocante. Respirei fundo, ajustando o terno mais uma vez, e segui em direção a ela. Se eu ia lidar com o caos que minha vida estava se tornando, era melhor começar com a única pessoa que parecia capaz de transformar tudo em um inferno... ou em algo ainda pior: um desejo impossível de ignorar. Eu me aproximei com o coração batendo descompassado e a pele em chamas. Era ridículo como Audrey parecia me chamar apenas com sua presença. Eu pigarreei para anunciar minha chegada, e os olhos da pessoa ao lado dela pousaram em mim. — Posso falar um minuto com a... — Claro, Logan — ela me interrompeu antes que eu pudesse completar, dispensando a companhia com um simples aceno. A pessoa se afastou, deixando-nos sozinhos. Audrey colocou os óculos escuros sobre a cabeça, revelando seus olhos escuros que brilhavam com uma intensidade que me desarmava. Eu me perdi por um momento, incapaz de desviar o olhar. — Logan? — ela perguntou, me puxando de volta à realidade. Pisquei rapidamente, percebendo que ela segurava uma taça de champanhe em mãos. — Bebendo álcool a essa hora do dia? — perguntei, tentando me recompor. Ela fixou os olhos em mim, sem desviar, como se aquilo fosse um desafio. Com um movimento deliberadamente lento, levou a taça aos lábios, bebendo um grande gole com uma elegância provocante. A marca do batom ficou no vidro, e a cena, embora simples, foi absurdamente sensual. Meu sangue reagiu de maneira inapropriada, me obrigando a afastar um pouco os pés para disfarçar. Ela lambeu os lábios e, como se já não fosse suficiente, mordeu o lábio inferior com um toque de atrevimento. — Sua tia foi bem insistente em sua hospitalidade — disse, sua voz carregada de ironia. — Prefiro champanhe a café a essa hora. Me relaxa em certas situações. Fiquei sem palavras por um momento. Ela parecia tão confortável e no controle que me deixava desarmado. — Não estou acostumado a ver você beber, por isso fiquei surpreso — comentei, tentando soar casual. Audrey sorriu, um sorriso que era ao mesmo tempo encantador e perigoso. — Tem muita coisa para você se surpreender, Logan. Ela tomou outro gole e então arqueou uma sobrancelha, com aquele ar que só ela tinha. — Mas afinal, por que veio falar comigo agora? Poderia ter mandado seu advogado... o bonitinho. Meu estômago revirou. Bonitinho? Meu advogado? Aquele pirralho que eu já começava a odiar agora tinha um motivo a mais para ser insuportável. — Achei que era um assunto íntimo que nós dois deveríamos tratar juntos — respondi, mantendo o tom firme. — Poderia ser hoje e... — Hoje não, Logan — ela me interrompeu novamente, dessa vez com um tom mais firme. — Tenho coisas importantes para resolver. Você, como empresário, entende, não é? Ela sorriu moderadamente e tomou mais um gole da taça, como se nada ali pudesse abalar seu humor. — Não tenha pressa. Estou tão interessada na herança quanto você, mas as coisas serão do meu jeito. Minha assistente vai te ligar para passar a data da nossa reunião. Com isso, colocou a taça no aparador próximo, deixando a marca de batom ali como um lembrete da sua presença. — Reunião? — murmurei para mim mesmo, incrédulo. Sem me dar tempo para replicar, ela se virou e saiu caminhando pela sala. Seu quadril largo rebolava de uma forma que era impossível ignorar, cada passo uma afirmação de que ela estava no controle. Fiquei parado, vendo-a se afastar, e um aperto desagradável tomou conta do meu peito. Pela primeira vez, senti o peso de que essa situação estava completamente fora do meu controle. Audrey estava jogando seu próprio jogo, e eu estava perigosamente perto de me tornar uma peça dele.
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