Era dia de balanço no mercado. Daniel tinha até faltado da escola, porque em dia de balanço o arrombado do patrão queria todos os funcionários ajudando em turno integral. Pelo menos pagava as horas extras. E dinheiro era sempre bem-vindo. Passou o dia inteiro arrastando caixas, erguendo fardos, anotando quantidades num caderno. De noite, viria o pessoal do escritório, comparar o que tinha sido contado, com o estoque anotado na central. Seu José gostava de fazer o balanço duas vezes por ano. Claro que nunca batia o estoque. Ele mesmo já tinha comido muito pacote de bolacha escondido nos fundos. Sem contar os danones e os chocolates. O chiclete era um caso tão sério que seu José se obrigou a colocar tudo trancado com cadeado. Mas eles sempre davam um jeitinho. Daniel chegou em casa

