O sol começava a se esconder por trás dos morros do Rio quando Danilo voltou para o seu quarto, exausto após um dia de reuniões, estratégias e pequenos confrontos que já se tornavam rotina. A noite era o momento que ele mais temia e, ao mesmo tempo, desejava: quando as ruas do morro se iluminavam com o fogo das batalhas silenciosas e os segredos mais obscuros vinham à tona. Ao chegar, encontrou Cecília sentada no sofá, o rosto iluminado pela luz tênue do abajur. Ela segurava um envelope amassado, o olhar distante. Ele se aproximou devagar, sem fazer barulho. — O que é isso? — perguntou, sentando-se ao lado dela. Ela ergueu o olhar, com os olhos que refletiam uma mistura de medo e decisão. — É uma carta. Encontrada entre as coisas do meu tio. — Sua voz saiu baixa, quase um sussurro. — P

