Capítulo 9

1944 Palavras
Eu sigo o caminho de pedra que serpenteia através das flores multicoloridas, cada uma memória vívida do cuidado de minha mãe, embora eu nunca as tenha experimentado diretamente. Meu pai, sempre reservado sobre o assunto, dificilmente desenterrava detalhes dela em conversas casuais. Nessas raras ocasiões de confissões inesperadas, ele revelou fragmentos de seu amor por ela e a tristeza que ele ainda nutria por sua partida prematura. O jardim, um santuário de beleza natural, transporta-me para um mundo que só conheci através de histórias e fotografias. Fecho os olhos, deixando o suave murmúrio do vento entre as folhas e o doce aroma das flores encher os meus sentidos. Eu me pergunto como teria sido ter minha mãe ao meu lado, me guiando pelos altos e baixos da vida. À medida que avanço, memórias imaginadas ganham vida em minha mente. Vejo minha mãe debruçada sobre os canteiros de flores, com um sorriso radiante enquanto cuida de cada planta com amor infinito. Pergunto-me se herdei a sua paixão pela natureza, a sua ternura pelos seres vivos. O ranger de um galho me tira do meu devaneio. Eu olho para cima e encontro a estátua de um anjo, uma homenagem silenciosa à mulher que eu nunca conheci, mas ainda me sinto tão perto. Eu paro na frente dela, refletindo sobre a brevidade da vida e o poder duradouro do amor. Neste jardim, entre as sombras do passado e as promessas do futuro, encontro uma ligação com a minha mãe que transcende o tempo e o espaço. Embora nunca compartilhemos momentos juntos, sua presença é sentida em cada pétala, em cada folha de grama que me rodeia. Continuo minha caminhada, levando comigo o legado de minha mãe e a esperança de que um dia nossas almas se encontrem em um jardim eterno onde o amor florescerá sem limites. — É verdade que vai casar com o i****a do Theo? — Dou um vislumbre do susto quando ouço aquela voz profunda atrás de mim. — Diga não ou eu mesmo direi ao seu pai o que ele queria fazer com você. — Eu viro de repente, conhecendo Maros. Era suposto ele ter o mês inteiro de folga para não ter que me ver e não que entrar na minha vida, era lógico saber que me casaria com o Theo, Ele contava ao pai o que aconteceu, estou surpreendido por ele falar comigo primeiro e não lhe contar. — Isso não é da sua conta. — Eu dito, olhando para o jardim. — Você tem um mês para você e sua família, depois disso não nos veremos mais. — Não gosto da ideia. — Além do mais, a última vez deve ter sido em sua casa, certo? Não sei o que você está fazendo aqui. Eu faço a varredura da cabeça aos pés e afaste os pensamentos que querem me invadir. — Você não pode se casar com alguém que queria estuprá-la por dinheiro! — exclama, furioso. Eu me viro completamente em sua direção. Ele parece esquecer quem eu sou, ou como ele mesmo disse, que só estou interessado em dinheiro e que se não conseguir um casamento em menos de um mês vou perder o que mais amo nesta vida, e não posso pagar por isso. — Você não pode falar comigo assim, eu sou sua chefe e não sua filha, então mantenha à distância. — Minhas palavras são sérias e distantes. Marcos conseguiu o que ninguém tinha conseguido, que eu realmente me tornei uma garota frívola que só quer viver em sua bolha de cristal, cercada de dinheiro. Suas palavras penetraram tão profundamente dentro de mim que eu entendi que eu não sou nada mais do que isso antes do mundo, uma mulher sensual que só pensa em dinheiro, enquanto na realidade, meu lado bom, tente vencer uma batalha que você nem sabe como começar. — Vou dizer. — Ameaça. — Você é um t**o. — Garante. — Uma mulher materialista, não estou enganado quando digo que você está apenas interessado em dinheiro, eu não estou enganado, mesmo acima do seu bem-estar. — Rosna, apertando as mãos nos punhos. O sol do meio-dia lança seu brilho sobre nós, mas em seus olhos eu não encontro nada além de sombras. Seu olhar, uma vez quente e protetor, agora queima com um fogo frio que congela minha pele. Cada palavra que ele profere corta como uma lâmina afiada, cada gesto é um lembrete da distância que cresceu entre nós. Estou paralisado pela dor e descrença. Como é possível que aquele que jurou me proteger agora se torne meu mais feroz acusador? Suas palavras ecoam em minha mente, cheias de desprezo e desdém. O que importa para ele que eu tenha casado ou não? Como você pode me julgar dessa maneira, reduzindo-me a meros erros e más decisões? Diante de sua fúria desencadeada, sinto-me impotente, como se as paredes que costumavam ser meu refúgio se estreitassem ao meu redor. Todo esse tempo foi apenas um dever para ele, uma obrigação que ele agora despreza? A amargura em sua voz curta é mais profunda do que qualquer arma física. Tento falar, encontrar as palavras que dissipam essa tempestade que ameaça nos consumir, mas meus lábios se recusam a articular qualquer som. Na sua presença, sinto-me pequeno e insignificante, uma sombra da pessoa que costumava ser. A tensão entre nós é palpável, como uma corda prestes a quebrar. Não sei quanto mais posso suportar esta guerra silenciosa, esta batalha de olhares e palavras não ditas. Haverá alguma maneira de recuperar o que já tivemos, ou estamos condenados a este abismo de ressentimento e dor? À medida que o sol continua sua marcha pelo céu, sei que algo em nosso vínculo mudou irrevogavelmente. Não somos mais apenas guardiões e protege, mas inimigos em um campo de batalha emocional, lutando para encontrar nosso caminho de volta à luz. — Mais alguma coisa que me queira dizer antes de sair de casa? — Apontei a saída com a mão. Em um ato tirado e fora do lugar, pegue minha mão e puxe-me, levando-me contra a minha vontade para algumas árvores, onde ninguém nos vê, nem os guardas de segurança, surpreende-me que o Marcos se comporte assim, embora lembrar-se da nossa última reunião tenha sido igualmente imprudente. — Você pode dizer o que você faz? — crochê, e antes que eu grite novamente sua enorme mão se empoleira na minha boca, pressionando para que ele não fale. — Pare de gritar, eles vão pensar que eu estou matando você, mesmo que eu não sinta vontade. — Cuspindo entre os dentes. — Diga o que quer. — Separei a boca da mão dele. — Que não case com ele, Samantha, ele pode te drogar quantas vezes quiser e violar, não vê? — Eu viro os olhos. — Entre o Theo e eu não haverá sexo. — Eu esclareço para parar de dramatizar. — Como? eu não suportava não f********o. — Pisca confuso. Deixo a última frase de lado quando ouço o que se segue. — O teu pai tem razão — fico perplexo. — É um casamento por acordo. — Fecho os olhos com aborrecimento. Eu sabia que seu pai iria notar. Merda! — De qualquer forma, não tira o que estou a tentar fazer, Samantha, não estarei lá para te salvar e... — Você não deve me salvar, Marcos, eu não sou sua responsabilidade, não mais. — Eu sorrio para ele timidamente. — Você entende que você era meu guarda-costas, agora você está de férias e você pode encontrar alguém que você não odeia se importar? — seus olhos permanecem sem expressão. — O que é mais, O pai dar-lhe-á uma boa compensação por apoiar a sua filha mimada durante sete anos. — Paro de ver quando ouço vozes. O Marcos move-me, escondendo-se dos homens que andam pelo quintal, sabendo que a herdeira anda por aqui, nada acontece comigo ou meu pai terá que doar todo o seu dinheiro para fundações sem fins lucrativos. Volto para mim mesmo, sentindo a mão dele na boca e depois no pescoço, o toque me eletrifica completamente, fazendo todo o meu corpo suar de nervosismo. — Não quero o teu dinheiro, Samantha, não preciso dele, vivo honestamente com o meu trabalho. — nada a ver com as palavras do Theo quando propus que ele fosse o meu falso marido, pediu um contrato onde mantém a maioria dos meus bens, lembro-me. — Dá-me uma razão, algo consistente, então você entende por que diabos você ama o dinheiro mais do que sua integridade física. — Rosna. Eu me sacudo de seu aperto, furioso com suas palavras e sua maldita maneira de me ver que ele tem, Droga! Estou farto dele, das suas palavras, das suas ações e de tudo o que ele diz e me magoa, porque, por alguma razão, dói-me que ele pense que sou um materialista e******o. — Eu quero a casa, esta casa! — aponte-a para a relva verde que estamos a pisar. — Você pode ter a casa que quiser, você tem dinheiro e... — Não, não me importo com nada além desta casa, Marcos, não entendes? — n**a. — É a casa da minha mãe, é a única coisa que me resta dela, se ele doar tudo, a casa vai para uma fundação e eu vou perder a única coisa que me resta dela. — Os meus olhos enchem-se de lágrimas. Marcos dá um passo atrás, percebendo meus planos, eu não me importo se ele sabe. As minhas decisões já estão tomadas, vou casar-me com o Theo, vou tê-lo como marido troféu e vou ter a casa da mãe, o que ela amava, o seu jardim, as suas flores, a sua casa, onde seu único sonho era ter uma família. — Agora que você sabe, você pode ir? — Eu enxugo as lágrimas que caem das minhas bochechas. — Samantha... — Marcos, vai-te embora, não te quero ver, deixa-me casar e... — Esse bastardo guarda o seu? — n**a. — Como sabe que...? — Esse i****a só quer o seu dinheiro e ter uma mulher bonita ao seu lado para se mostrar, você não precisa ser um gênio para perceber que tipo de cara ele é. — puxe o cabelo. — O que estou a fazer? devo estar louco. — Bufa. — Do que está a falar? — Eu olho para ele absorvido nas minhas próprias preocupações e dores. — Não se case com ele. — Isso não parece um pedido, mas uma ordem. — Vamos casar. — Os meus olhos abrem em excesso. — Prometo que vou ser melhor do que aquele bastardo, você terá a casa da sua mãe e eu não tocarei um único dólar seu, mas não... — Você é louco! — Eu dou um salto para trás. — Você me odeia, você disse à sua irmã, você me considera uma mulher... — Isso foi antes de eu saber. — Refuta sem me dar tempo para processar nada. Ele me pega pela mão e me puxa, fazendo meu rosto bater em seu peito, pega meu queixo para vê-lo nos olhos e traz seus lábios mais perto dos meus. — Um casamento, um falso, não haverá amor, Samantha, apenas camaradagem, respeito e sim... — Quer dinheiro? — sorri com uma milícia perversa que me excita em vez de me fazer temer. — Não, caprichoso. — Geme muito perto dos meus lábios. — Terá um marido, mas um que minimamente quer sexo uma vez por dia. — A boca dele bate na minha, deixando-me sem palavras e desfrutando sua língua na minha boca. O Marcos é a melhor opção ou devo ficar com o Theo?
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR