Segundo Capitulo - A Mensagem

2835 Palavras
Deixo o livro na mochila e guardo os outros cadernos deixando somente um na mesa, resolvo esse mistério depois e outra, eu posso muito bem ter colocado aqui sem querer. Pego minha caneta no estojo e anoto algumas coisas do quadro para não dar Incomodação com o professor. Ainda percebo alguns olhares aqui e ali, tento ignorar o máximo possível, torcendo para uma hora eles me deixarem em paz. De repente o professor se levanta e vai até o quadro o apagando e logo em seguida começa escrever, então um aluno se pronuncia. — Sr... acredito que a Emma não terminou de escrever. — O garoto que tem todos os olhares da turma me olha debochado, está em seu rosto que sua intenção era me prejudicar. O professor o olha e depois se vira para mim. — Emma, já terminou de escrever? — É claro que se eu estivesse escrevendo mesmo o conteúdo do quadro, não teria terminado, mas como não estava fazendo isso, decido dar uma resposta breve que não vá me arranjar incomodação depois. — Não senhor, mas já anotei o que entendi. — Os alunos agora estão me olhando ainda mais. O garoto está me olhando com raiva, ele não esperava que eu fosse conseguir me defender. — Muito bem, então. — O professor volta sua atenção para o aluno, que está se arrependendo de ter soltado uma palavra — Como pode ver e ouvir Marcos, sua colega já terminou de anotar o conteúdo, pode ficar despreocupado. — O professor volta sua atenção para o quadro e retorna a escrever. Volto a ignorar os olhares que recebo, alguns pelo que percebo, de raiva, não só do tal de Marcos. Então o sinal toca indicando o final da aula. Guardo meus cadernos e me levanto com os alunos que com pressa para sair da sala pecham um no outro. Quando saio pro corredor procuro a sala de geografia a qual é minha próxima aula e percebo que nem todos os alunos que estavam comigo em história estão indo para mesma sala, alguns vão para português e outros vão para sociologia. Isso me lembra o que o Johnny me falou uma vez, cada um tem seu horário de aula e que muitas vezes difere das de outros alunos. Quando encontro a sala de geografia vou logo entrando sem me importar com a aglomeração de alunos. A professora está sentada em sua cadeira. Uma mulher alta e magra, cabelos castanhos claros que vai até o ombro, ela também está de roupa social e sapatilhas. Me apresento para ela e como o outro professor, somente pede que eu ache um lugar vazio e me sente. — Certo! Muito bem! Todos sentandos — Assim como antes me sento em um lugar ao lado da parede, mas dessa vez não sozinha, uma garota de cabelos castanhos se senta do meu lado. A ignoro e pego dois cadernos, uma para anotar as coisas da aula e o meu favorito, para desenhar. Deixo o meu de desenho embaixo da mesa para pegar em qualquer momento, enquanto o outro coloco na mesa e o abro. A garota ao meu lado mexe os braços na minha frente tentando chamar minha atenção, então para facilitar as coisas me viro para ela. — Oi! Me chamo Fernanda e você? — Olho para menina e me apresento. — O meu é Emma. — Digo notando no castanho escuro de seus olhos e em um dos lados do seu cabelo que estava atrás da orelha, ela parecia ter a minha altura. — Prazer, Emma, e aí o que gosta de fazer? Eu gosto de teatro. Você gosta de teatro? — Ela começa a falar e fazer perguntas tão animadamente que esquece de me deixar responder ou falar, acabo por rir de situação — Por que você está rindo? É de mim? Por favor, se for de algo estranho ou tiver alguma coisa na minha cara, você me fala. Já sei! É a maquiagem. d***a! As meninas não me deixaram usar o banheiro direito hoje de manhã. — Com essa última, acabei por rir mais. Então ela pegou sua mochila e começou a procurar algo dentro. Tirando um espelho dela, ela se olhou, suas mãos e seus olhos buscavam por algo em seu rosto. Tratei de tranquilizá-la imediatamente. — Calma. Não tem nada no seu rosto. — Ela suspirou mais tranquila e me olhou curiosa procurando uma resposta, assim que intendi, respondi à pergunta que ela estava me fazendo. — Eu ri porque você estava falando e fazendo perguntas sem parar, sem me deixar responder e foi engraçado. — Desculpe. Sou um pouco agitada às vezes. Tem situações que dificilmente paro de falar. Arthur acha engraçado também, mas como na maior parte do tempo, não percebo que não paro de falar, acabo por me agitar mais se alguém desconhecido começa a rir de mim, porque fala sério, como vou adivinhar o motivo. — E lá vai ela falando sem parar de novo. — Pode muito bem ter algo no meu rosto, ou simplesmente estar vestindo algo errado, sou bem esquecida o quanto a isso. Uma vez me vesti errado, coloquei a saia do colégio achando que era a camisa, ainda bem que as garotas do meu quarto me avisaram, porque pode ter certeza, eu teria ido para aula vestida daquela forma. — Não me aguentei e cai na gargalhada ao imaginar a cena, mas diferente de antes ela não se apavorou e começou a rir junto. A professora chama a atenção de novo dos alunos para todos se sentarem, pega um tablete e começa a fazer a chamada de classe, quando ela fala meu nome e repondo todos na sala me olham. Percebo alguns olhares da aula de história e outros desconhecidos, acho que será assim até eles se acostumarem comigo. Quando a professora termina a chamada, ela se levanta e começa a dar aula, só então percebo que no quadro já tinha a matéria para copiarmos. Terminado de copiar tudo e sem nada para fazer, aproveito para desenhar. Pego meu caderno de desenho de debaixo da mesa e abro em uma folha em branco. Começo a traçar linhas e rabiscar sem realmente ter uma imagem em mente do que fazer. Logo, Fernanda que esta do meu lado se inclina no meu ombro para olhar o desenho. — O que está desenhando? — Ela pergunta cochichando. — Não sei. — Respondo. — Não sabe?! Como não sabe? — Ela questiona — Não está com uma imagem na cabeça para colocar no papel? — Não. Eu só senti vontade de desenhar. Isso acontece às vezes e como não tenho uma imagem fixa, deixo minha mão guiar o lápis pelo papel. — Falo cochichando — Mas quando conseguir distinguir o que é, vou terminar o desenho mais rápido e facilmente. — Você costuma demorar para terminar? — Depende muito do desenho e se estou tendo tempo. Por quê? — Me viro para ela e aproveito para dar uma olhada se a professora está olhando ou ouvindo. — Eu queria ver pronto, ah... seja lá o que for o desenho. — Quando terminar, eu te mostro. — Ela esboça um sorriso e de repente me abraça. Sua felicidade está em seu rosto. Como a gente, outros alunos começam a conversar, mas diferente de nós, eles começam a falar alto. A professora se levanta dando um basta na conversa. Ela apaga o quadro e retoma a escrita nele, cortando assim todas as conversas em sala. Guardo meu caderno embaixo da mesa de novo e volto a escrever de onde parei. — Você ainda não conhece o colégio, né? — Ao escutar a Fernanda falando, a professora chama seu nome e leva o dedo indicador ao lábio, pedindo silencio. — Imagino que hoje é seu primeiro dia, poque ainda não tinha te visto. — Ela continua, mas cochichando. — Quer que eu mostre o colégio para você? — Olha, eu não quero fazer tour pelo colégio. — Falo bem baixinho — Prefiro conhecer na hora. Mas obrigada por se oferecer. — Tudo bem. Posso então te mostrar o lugar quando passarmos por eles? — Quando estou para respondê-la ela continua. — Não estaremos fazendo um tour, vou só falar as coisas enquanto passamos por elas em direção ao refeitório. Vamos vai? Sei que é quase a mesma coisa, mas vamos. — Conheço ela a menos de uma hora, mas tenho quase certeza que não vai desistir até eu aceitar. Para me convencer mais rápido, ela junta suas mãos em frente ao peito me implorando, e seu rosto está uma carinha que é difícil de dizer não. — Está bem. Desisto! Podemos fazer isso. — Ela se anima demais e me abraça outra vez, a professora nada feliz chama sua atenção de novo. Voltamos a copiar a matéria em silêncio. Após passar a aula inteira escrevendo, aproveito que terminei e pego de novo meu caderno de desenho escondida e contínuo o que comecei. Fernanda do meu lado ainda não terminou, mas dá uma olhada ou outra de vez em quando. — Já sabe o que está desenhando? — Ela pergunta bem baixinho para a professora não escutar. — Ainda não — murmuro de volta para ela. — Parece que precisa de mais alguns traços para conseguir ver e assim terminar. A professora na frente fala de algumas coisas da matéria, mas não dou ouvidos, minha atenção está toda na folha em minha frente. — Isto é um tronco de árvore? — Fernanda aponta para o canto direito da folha. Eu não tinha reparado, mas colocando mais algumas linhas, posso ver não um e sim dois troncos de árvores. Olho o papel inteiro e percebo que são várias árvores, todas inacabadas e por isso imperceptíveis. Tendo uma noção do que estava na folha, comecei a colocar os detalhes que faltavam e eram tão importantes. O sinal bate anunciando o almoço e junto com ele término o desenho. Enquanto todos da sala vão para fora da sala, olho para o desenho pronto e percebo ser aquela clareira que o garoto misterioso me mostrou quando estava acampando, não tinha reparado, mas até os cogumelos coloquei. Fernanda, que se afastou assim que avisou sobre a árvore, agora está esperando ansiosa para ver. — Pode olhar —Entrego o caderno para ela. — E aí, o que acho? Ficou legal? — Uau! — Sua cara espantada não dá a resposta que queria. — Ficou r**m? — Você tá brincando? Ficou incrível — Ela me entrega o caderno para guardar e quando estamos para sair, um homem aparece entrando na sala. Sua roupa é toda preta, bem parecida com a dos guardas em frente ao colégio, a única diferença é que tem alguns detalhes em vermelho no casaco e ele não está usando um quepe. — Srta. Lee? — Ele pergunta bem alto, fico feliz que nesse tempo nós já estávamos sozinhas na sala. — Eu? — Ele me entrega uma folha, a qual contém todos os horários das minhas aulas e mais as aulas extracurriculares, todas com data e horário do dia de teste. — Obrigada. — O homem então se vira e vai embora. — Posso dar uma olhada? — Fernanda me pergunta e como resposta, apenas gesticulo com a cabeça e entrego a folha para ela enquanto abro a mochila para guardá-la. Enquanto espero ela terminar percebo a presença de mais alguém conosco, mas não procuro ver quem é, quando sinto o ambiente ficar elétrico fico em alerta sabendo que meu dom estava se manifestando. Olho ao redor e quase tomo um susto quando encontro um garoto do meu lado, fico aliviada que Fernanda não percebeu. Olho o menino e reparo que é o mesmo que encontrei na floresta quando estava acampando. Ele vem até mim e olha dentro da mochila, apontado pro livro que está bem a mostra na frente dos meus cadernos, depois se afasta indo em direção ao quadro. Ficando de frente para ele, o garoto fecha os olhos. Quando penso que ele simplesmente vai desaparecer, a luzes da sala se apagam nos deixando no escuro, percebo o olhar de Fernanda em cima de mim pronta para fazer perguntas, mas antes que ela fale alguma coisa a luz volta acender, só que mais forte. Logo depois ela vai ficando cada vez forte, preenchendo a sala inteira com luz branca e cegante. Fecho meus olhos e falo para Fernanda fazer o mesmo, mas mesmo isso já não é o suficiente e tenho que colocar algo em frente aos olhos para protegê-los, uso de minha mochila e falo para Fernanda fazer o igual com a dela. Escuto ela bater em algo e começo a ficar em pânico. — O que está acontecendo? Por que está tão forte?! — Ela perguntou finalmente. Na sua voz é bem perceptível que está com medo. — Não sei! — Eu tinha uma vaga ideia do motivo, mas não podia falar. Como que se explica que este evento pode ser obra de um espírito que está na sala, ela vai me achar louca. — Vamos sair daqui. — Respondo tentando ignorar o meu próprio pânico— Sem abrir os olhos, tente chegar na porta. Ela não estava tão longe de nós. Escuto ela caminhar esbarrando nas mesas e cadeiras, usando minha audição a sigo logo atrás evitando com uma das mãos os obstáculos do caminho. Quando chagamos na porta, saímos e a fechamos, logo abrindo os olhos. Fernanda está com a cara pálida e não sei se são meus olhos ou é realmente o estado dela. — Você está bem? — Pergunto preocupada com ela. — Estou bem. E você? — Ela pergunta me analisando. — Está pálida — Não sei se fico calma ou apreensiva com essa constatação. — Vou ficar, assim que sairmos daqui — Quando estou para caminhar ela me para. — Deixei seu horário lá dentro. — Essa informação me desanima — Desculpa. Quando você falou para colocar algo em frente ao rosto, peguei minha mochila e no pânico deixei a folha cair. — Tudo bem, é só uma folha. — Falo tranquilizando-a — Vou pegar outra depois. — Ela se acalma. Assim que estamos para ir em bora reparo que na fresta embaixo da porta está escuro — Fecha os olhos. Vou dar uma olhada, mas por precação é melhor fechar até termos certeza. Também vou fechar os meus. Ela assente e assim faz como pedi. Vou até a maçaneta e a giro, fechando os olhos caso estiver enganada. Quando percebo que mesmo por baixo das pálpebras não sinto incomodação, os abro. A sala está toda escura, por isso pego meu celular a acendo a lanterna, caminho até o local onde estávamos quando aconteceu e procuro a folha. A encontro de baixo de uma mesa, logo a pego e coloco na mochila. No momento em que estou para sair da sala, meu celular ilumina o quadro em minha frente e o que está escrito nele me assusta. Não por está escrito algo assustador e sim pelo fato de estar escrito. Esteja pronta quando lhe entregar a chave. Talvez você não tenha outra chance! Vou até o quadro e o apago o mais rápido possível. Assim que terminado me apresso a sair da sala, pois preciso me acalmar e só terei isso quando estiver bem longe daqui. Encontro Fernanda do lado de fora me esperando ainda com os olhos fechados. — Pode abrir. As luzes estão apagadas. — O que aconteceu? Você está mais pálida. Sei que não estou melhor que você, mas... parece que viu um fantasma — Se ela ao menos soube-se a que aconteceu. Na visão dela, as luzes apenas deram um problema que deu medo. No meu caso, o anormal está bem evidente. — Não foi nada de preocupante. Vamos indo, estou com fome — Ela assente sem tocar de novo no assunto e fico feliz com isso. Com forme caminhamos pelo corredor a tensão vai diminuindo. Fernanda logo se anima se lembrando do fato que ia me mostrar o colégio. — Tem algum lugar que você esteja curiosa para conhecer? Deixe-me adivinhar... A sala de artes? — Não! — Rio da insinuação dela. Nem parece que os acontecimentos recentes aconteceram — Esse é o segundo lugar. Mas eu quero mesmo é comer — Ela cai na gargalhada enquanto descemos as escadas. — Tudo bem! Então vamos para meu lugar preferido, o refeitório. Fica em outro prédio porque é bem grande, vou te mostrando o lugar pelo caminho. — E assim seguimos, ela mostra o local com forme passamos e a biblioteca é o único lugar que fiquei com vontade de conhecer. Uma coisa que reparei com mais frequência, é a quantidade de caixas de som pelos corredores e prédios, até do lado de fora por áreas cobertas para proteger da chuva elas estavam visíveis e a todo momento estava tocando música ou alguém falava — É a rádio do colégio, um grupo de alunos do último ano são responsáveis por ela.
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