Terceiro Capítulo - O Barulho

2231 Palavras
Depois de mais um dia aguentando os olhares dos alunos onde passava, estou feliz em ir para casa. O lado bom de ser filha do atual dono do colégio, é que nos finais de semana vou passar com minha família e ninguém pode me contradizer, somente meu pai, mas ele apoia minha escolha. Claro que os alunos podem achar estranho, mas em relação a isso, não estou ligando com o que eles vão falar. Essa ideia, fui eu que tive no início do acampamento e perguntei pros meus pais se podia fazer isso, eles estranharam bastante, já que não é natural os alunos voltarem para casa nos finais de semana, nem Johnny que é meu irmão ou George, meu primo, fizeram isso. Só são autorizadas saídas em situação de emergência, mas no final, meus pais concordaram, talvez para não ser tão repentino essa mudança. Estou na porta do colégio esperando meu irmão vir me buscar com o carro, já me despedi da Fernanda e do Arthur, que estranharam bastante o fato de que iria para casa nos finais de semana, mas depois eles deixaram para lá. Avistei os portões serem abertos e me aproximei do pé da escada esperando Johnny estacionar para colocar minha mala no porta-malas. Assim que ele parou e saiu do carro, veio até mim e me deu um abraço, logo depois me ajudou com as malas. — Sentiu saudades? — Ele perguntou brincando. — Como que foi seu primeiro e segundo dia? Nós entramos no carro e esperei saímos do terreno do colégio para começar a contar o que tinha acontecido. Ele foi me acompanhando e fazendo comentários do que eu falava. — A Sra. Stewart estava me tratando diferente por causa do meu sobrenome. Tive que falar com ela. — Fiz a mesma coisa quando estudava no colégio. Ela deve ter comentado. — Assenti sua confirmação — Eu imaginava que ela ia falar. Mas olha, não adianta nada você falar para ela parar, porque ela não vai. Com o tempo você se acostuma. — Mas por que ela não vai parar? — Eu acredito que seja por medo. Medo de talvez perder o emprego futuramente, então ela nos beneficia de várias formas. — Olho para a paisagem pensativa, o que será que a Sra. Stewart vai fazer para me beneficiar mais? — O que mais aconteceu? Como que é seu quanto? As companhias? — O quarto é legal, as companhias nem tanto. Duas delas se acham. — Me viro para ele — No meu primeiro dia eu fiz uma pergunta para elas e me responderam de forma grosseira. E hoje quando acordei, elas não me deixaram usar o banheiro. De acordo com elas, nem me arrumando eu ficaria decente. — Lembro da cena como se tivesse acontecendo. As duas rindo depois do comentário e se trancando no banheiro sem me deixar entrar, quase me atrasei por causa delas. — E a outra menina não me dirigiu uma palavra desde que cheguei, só me examinou e ficou em silêncio. — Se a situação está assim, por que não vai pro quarto da família? — Vai ser estranho se eu chagar e já ter um quarto só meu — Ele pareceu pensar na minha situação e como o conhecia bem, sabia que buscava uma solução. — Já sei. Você já ouviu falar da prova anual? — Afirmei com a cabeça. — Então deve saber que está chagando. Pelo que eu me lembre, deve ser em algumas semanas. — Daqui a treze dias para ser mais precisa. — Lembro do Arthur mencionando a data no café da manhã. — Certo. Você já ouvido falar o que os alunos com as melhores notas ganham? — n**o e ele continua — Bom. Eles ganham um quarto só deles durante um ano, dentre outros prêmios. São dois vencedores, um menino e uma menina. Os dois que tiverem as melhores notas ganham. Claro, no ano seguinte a prova é refeita e quem tirar a melhor assume o quarto. Mas a questão é, você pode fazer a prova e ganhar para ficar com o quarto. Eu fiz isso quando entrei. — Então é por isso que você é considerado o melhor aluno do colégio. Você usou nosso dom ao seu favor. Mas Johnny, isso é perigoso e se eles descobrissem quem é você? Não demoraria para chagar em toda a família. — Eu tomei cuidado de errar várias questões, errei de proposito até algumas do meu ano escolar para ninguém desconfiar. Claro, tinha algumas que realmente não sabia, mas eram poucas. Você pode fazer o mesmo. Daí em vez de ficar com o quarto do vencedor você fica com o quarto da família, ninguém vai desconfiar, porque vão achar que é o prêmio. Não estava acreditando na esperteza do meu irmão. Como que ele pensou nisso? Anotei essa ideia na cabeça para fazer o mesmo. Na prova, vou responder questões os suficientes para ficar em primeiro lugar e ter um quarto só para mim. — Vou usar essa sua ideia. Aliás, o papai sabe que você fez isso? — Sabe. Ele que me aconselho a errar alguma coisa do meu ano. Diz ele que parece mais real. — Ele riu e depois me olhou — Me conta o que mais aconteceu. — Contei a ele como foi minha manhã de aula, que encontrei George, falei como ele estava. E falei do Eitan e da Jennette. — Jennette sempre foi puxa-saco. Quando eu estudava lá, vivia na minha cola para um relacionamento. O Eitan já era o contrário, queria sempre uma intriga. Depois que conheci o Eitan, não é de se imaginar que busque intrigas com as pessoas para se achar superior. Mas a Jennette dar em cima do meu irmão que era estranho, ela parecia ter o Eitan como alvo desde o início. Seguimos o caminho conversando, tanto eu do colégio, quanto Johnny do que acontecia em casa. E fiquei feliz em saber que os processos para nossos pais terem a guarda do Denial estavam quase completos. Eu estava louca para conhecer meu mais novo irmão. Há alguns meses nossos pais nos deram uma surpresa quando falaram que íamos ter mais um irmão, ficamos super felizes principalmente a Hannah que queria ser irmã mais velha, lembro que o Johnny perguntou com quantos meses ela estava e foi aí que a surpresa ficou maior. Minha mãe não estava gravida, eles iam adotar e pelo que disseram, o Denial eram um pouco mais velho que a Hannah, o que a deixou chateada por alguns dias, mas logo estava feliz pelo novo integrante à família. — Quando será que ele vem morar conosco? — Perguntei animada. — Não sei Emma, mas acho que será logo. O processo de adoção está no final. Assim que avisto os portões de casa, notifico minha mãe da minha chagada. Ela responde que já estava nos esperando e que estava indo avisar nosso pai. Os portões se abrem e entramos com o carro na garagem. Johnny estaciona no único lugar vago, já que os outros dois estava ocupado com os carros da minha mãe e do meu pai. Quando saio do carro recebo um abraço que acho ser da minha mãe, já que não vi o rosto. Quando nos afastamos vejo meu pai. Ele contorna os carros pelo caminho vindo em minha direção. Vou até ele e lhe dou um abraço em quanto vejo o Johnny tirar minhas malas do seu carro. — Como que foi seus primeiros dias? — Pergunta meu pai. Nos afastamos e seguimos em direção a escada para sala de estar. — Foi legal. A escola é enorme. — Respondo — Bisavô Charlie fez um excelente colégio e com as tecnologias que você tem colocado lá, tem melhorado bastante o lugar. — E tem muitas outras coisas para ver ainda Emma. — Ele pisca para mim e se vira para mamãe lhe dando um sorriso, olho pro Johnny buscando uma resposta, mas ele simplesmente sorri. Subimos as escadas em direção a sala de estar, Hannah está brincando na mesinha do centro com seus brinquedos, com ela está sua boneca favorita. Ela olha na nossa direção dando um aceno com a mão e logo depois retomando a brincadeira. Coloco as malas ao lado da escada para levar pro meu quarto depois e nos sentamos nos sofás. — Nos conte filha. Como foi a experiência no colégio da família? — Meu pai pergunta novamente. Conto pros meus pais o que tinha falado pro Johnny no caminho. Eles me escutam e ocasionalmente fazem alguns comentários. Depois de um tempo conversando, Jefferson veio avisar que o jantar estava pronto, ele estava vestindo seu costumeiro uniforme, camisa branca com um colete vermelho por cima, calças sociais e sapatos pretos. Uma coisa que eu tinha, mas pouco me importava era o dinheiro. Sim, minha família era rica, tínhamos empregados que cuidavam da casa e faziam comida, mas fomos ensinados desde cedo a sempre sermos educados e cooperativos. Um exemplo fácil e nossos quartos, nossa responsabilidade e arrumar, os empregados limpam, mas só se arrumamos. Eu via os empregados da casa bem pouco, na maior parte das vezes que os via era quando estavam na cozinha, mas mesmo lá era difícil de encontrá-los, só os via quando era alguma parte importante do dia, como, por exemplo, as refeições. Tânia era a cozinheira chefe, fazia todas as refeições da família, as comidas delas eram ótimas, muitas vezes Johnny ia para cozinha ajudá-la e comer também. Jefferson era o mordomo e na maioria das vezes ficava na cozinha com Tânia conversando. No jantar, aproveito a companhia junto a minha família, depois pego minhas malas e subo pro meu quarto. Coloco as minhas coisas do lado da porta e vou em direção a minha cama me esparramando nela. Pode passar o tempo que for, mas sempre vou sentir falta desse lugar. Minha casa, meu quarto, são o meu conforto. — Emma? Posso entrar? — Ouso Johnny do outro lado da porta. — Pode. — Assim que respondo, ele entra, na sua mão, posso ver uma barra de chocolate. — Muito cansada? — Pergunta me entregando o chocolate que pego sem pensar duas vezes. — Um pouco. Mas ainda acordada o suficiente para te ganhar no vídeo game. — Ele faz uma cara desanimada e caio na risada. — É, não esqueci da nossa partida. Já pensei em várias coisas que posso comprar como prêmio. — Isso não me preocupa, só meu orgulho que vai ficar esmagado se perder — Rimos. Era obvio que ele não estava incomodado, tanto com o prêmio quanto com seu orgulho. Levamos nossas competições a sério, mas nos divertindo, essa era a prioridade. — Vamos ver quantas partidas você perde. Aposto que venço todas. — Ele faz uma careta e depois ri. — Então vamos. Vou vencer essa aposta. — Rio e depois o acompanho até seu quarto. Me sento na cadeira e ele na cama, pegos os controles em quanto Johnny coloca o jogo, depois ele vai até seu frigobar e pega duas latas de refrigerante para nós. Começamos a jogar Forza Horizon 4, um dos meus jogos favoritos. Após algumas vitórias e outras derrotas, trocamos para outro jogo. Tomamos bastante refrigerante e comemos das várias coisas que Johnny tinha em seu frigobar. Umas três da madrugada decidimos parar e ir dormir, pois estávamos cansados. Vou pro banheiro do meu quarto e tomo um banho e escovo os dentes. Terminado isso, volto pro quarto e caio no sono assim que deito. No dia seguinte acordo e ainda sonolenta, olho o relógio para ver as horas. Era meio-dia e provavelmente o almoço estava sendo servido, então me levantei, fui ao banheiro, passar uma água no rosto e desci para comer. Quando entrei na sala de jantar, ela estava vazia e todos já tinham terminado, Jefferson estava tirando as coisas da mesa, deixando somente meu prato para mim. — Srta. Emma, que bom que acordou. Sente-se para almoçar — Falou Jefferson. — Gostaria que eu trouxesse alguma bebida em particular? — Suco de maracujá, por favor Jefferson. E obrigada. — Ele assente e vai em direção a cozinha, me sento e começo a comer, minutos depois ele volta com uma jarra de suco e me serve. — Obrigada de novo. Queria saber. Você sabe se vão lavar roupas escuras hoje Jefferson? — Não que eu saiba Srta. Emma. Mas se quiser, pergunto. — Agradeceria Jefferson, obrigada. — Ele sorri e depois sai, me deixando sozinha Termino de comer e tomar o suco, para subir pro meu quarto e tirar minhas roupas para lavar. Tiro os uniformes e coloco num cantinho para depois descer com as roupas. De repente escuto um som estranho pelo quarto, me aproximo das paredes para ver de onde estava vindo, mas não encontro a fonte. Olho para o chão e pro teto pensando que poderia vir de uma dessas direções, quando o som fica mais alto. O barulho se torna insuportável ao ponto de ter que colocar as mãos nos ouvidos para abafar o som, mas não adianta. O barulho parece um tambor ligado no máximo na minha cabeça, me fazendo sentir muita dor. Aos poucos começo a me sentir pesada demais para aguentar meu peso e vou cambaleando até minha cama. Minha visão começa a ficar escura, nem chego a tempo na cama e percebo ir em direção ao chão.
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