Sombra
E aí, mulherada. Meu nome é Henrique, eu tenho 24 anos e sou filho da Lídia e do Pantera. Já tem um tempinho que eu assumi o comando da Babilônia, e comando o bagulho aqui com mãos de ferro. Eu não sou o cara mais paciente do mundo, tá ligado? Nunca fui. Minha mãe fala que eu puxei isso do meu pai, e eu concordo com ela.
Eu tava de boa na boca, fumando meu baseado, quando um dos vapores entrou gritando:
— Pô, chefe! Aquela filha da p**a da Rua 12 deu uma volta no vapor, usou todo o crack com os cracudos lá debaixo do viaduto!
Sombra: Que p***a é essa, c*****o?! Vocês tão esperando o quê pra trazer essa filha da p**a pra cá?! Eu quero o vapor na minha frente também! Esse filha da p**a tá achando que a vida é um morango? Não fode! Que p***a é essa dela dar uma volta nele? Quem foi o arrombado que tomou a volta?
— O Periquito, chefe.
Sombra: Tu tá de s*******m com a minha cara? Desde quando eu tenho a p***a de um vapor chamado Periquito? — falei, passando a mão no rosto, nervosão.
— Ele começou na boca semana passada. O gerente falou que ele era maneiro, tá ligado? Começou a colar, tava fazendo tudo certinho... Aí essa mulher apareceu e deu uma volta nele. De maluca mermo, tá ligado?
Sombra: Maluca, né? Ela não! p***a, maluco são vocês! Vocês têm cinco minutos pra trazerem esses dois filhos da p**a aqui. Depois disso, o bagulho vai ficar doido... pro lado de vocês!
— Suave, chefe. Marca cinco que eu tô voltando com eles aqui.
Comecei a andar de um lado pro outro, puto pra c*****o. Quem, em sã consciência, contrata um cara que coloca o vulgo dele de Periquito? Isso não é normal, não. Na moral, eu tô cercado de incompetente. Não é possível. Papo reto, daqui a pouco eu vou enlouquecer.
Fiquei olhando pro relógio. Quando deu cinco minutos, comecei a escutar gritaria do lado de fora. Não demorou muito pros vapores jogarem os dois na minha frente. A mulher me olhou e começou a chorar. E ele começou a chorar também, tá ligado?
— Tão aqui, chefe. Os dois.
Periquito: Pô, chefe, eu sei que eu tô todo errado no bagulho, mas essa filha da p**a me seduziu e roubou minha carga. Com todo respeito, eu não sabia que ela era cracuda, não. Ela nem tem jeito de cracuda, tá ligado?
Eu me aproximei dele e dei um tapa na cara que fez ele cair no chão.
Sombra: Essa filha da p**a não precisa ter cara de cracuda, não, ô arrombado! Tu não tem que se envolver com mulher nenhuma com a p***a da minha droga! Tava em horário de trabalho e tava querendo comer b****a, p***a? É nisso que dá! — falei, dando outro tapa.
Periquito: Pô chefe, com todo respeito... foi m*l. Não precisa ficar me batendo, não. Papo reto, eu só tô nessa vida pra poder ajudar minha família. Não me bate, não, com todo respeito. Não vai acontecer novamente, não.
Sombra: Mas não vai mesmo, não.
Parei, saquei a arma e dei um tiro na cara dele.
Sombra: Eu quero o corpo dele fora daqui, porque agora é minha vez de resolver com essa vagabunda. Bora, c*****o! Eu tô com pressa.
Os vapores já foram puxando o corpo dele pra fora, e eu respirei fundo, me aproximando dela.
Cláudia: Eu posso explicar o que aconteceu... não foi como ele falou, e-e-eu...
Antes que ela pudesse terminar de falar, eu dei um tapa na cara dela, fazendo ela cair no chão.
Sombra: Você tá de s*******m com a cara de vagabundo, né, sua filha da p**a?! Tu já tava dando trabalho, eu já tinha escutado falar de você. Mas dessa vez tu passou de todos os limites. Tu tem noção do quanto tu tá me devendo agora? Tu tem noção do que eu vou fazer contigo? Eu te garanto: se tu não tiver vinte mil pra me devolver, teu destino vai ser muito pior do que o dele!
Cláudia: E-e-eu não tenho... mas eu posso arrumar... — ela falou, e eu levantei ela pelo cabelo, cheio de ódio.
Sombra: Então me diz como tu vai arrumar a p***a desse dinheiro. Vai rodar bolsinha, vagabunda do c*****o? Porque, até onde eu sei, tu é uma cracuda de merda.
Cláudia: Me dá uns dias... eu prometo que eu vou dar um jeito. Eu prometo que vou resolver essa situação. Só me dá uns dias, por favor. Só um tempo, e eu resolvo...
Sombra: Hahaha. Eu tenho cara de relógio, sua filha da p**a, pra te dar um tempo pra tu resolver qualquer coisa? Eu vou meter é uma bala no meio da tua cara!
Coloquei a arma na cabeça dela e ela começou a chorar. Foi aí que escutei uma gritaria do lado de fora. Um vapor entrou, me encarou sério e falou:
— A filha da cracuda tá aí do lado de fora, querendo falar contigo, chefe. Ela falou que quer desenrolar pra tentar resolver a situação. Eu deixo entrar ou tu já deu a última forma nessa filha da p**a aí?
Sombra: Quem é a filha dela?
— A Cecília.
Sombra: A Cecília da Rua 12? É filha dela? Aquela Cecília?
— Sim, chefe.
Passei a mão no rosto, porque a Cecília é uma mina que eu sempre quis, tá ligado? Mas ela nunca me deu confiança. Nunca quis ninguém envolvido com o tráfico. Eu nunca pensei que ela era filha de uma cracuda filha da p**a. Respirei fundo, olhei pro vapor e fiz sinal com a cabeça pra ele deixar ela entrar.
Sombra: Olha aqui, sua filha da puta... Eu vou deixar tua filha entrar. Mas eu quero que tu fique pianinha enquanto eu tiver desenrolando esse bagulho com ela. Se tu falar qualquer coisa, eu vou cortar a tua língua. . . . . . . .