Nancy Keller – Três meses depois O sol ainda não nasceu por completo quando eu saio do quarto com a Aurora nos braços. A mansão está silenciosa demais para um horário que, tecnicamente, já é manhã. O céu carrega aquele tom indeciso entre o azul escuro da madrugada e o dourado tímido do dia que insiste em chegar devagar. O ar lá fora está fresco, quase frio, e eu sinto como se estivesse respirando melhor agora, longe das paredes fechadas do quarto. A Aurora se mexe nos meus braços. Não chora, mas também não dorme. Está inquieta desde a madrugada. Essa noite foi difícil. Muito difícil. Ela teve cólica, se contorceu, chorou daquele jeito fino e desesperado que corta o peitö da gente por dentro. Eu tentei de tudo: massagem na barriguinha, posição correta, compressa morna, colo, conversa ba

