CAP 36

1412 Palavras

Nancy Keller A terapia termina, mas a sensação não. Ela vem com a gente. Gruda na pele e na mente. Estamos sentados numa sorveteria pequena no centro, dessas cheias de barulho, colher batendo em taça, máquina de café chiando, crianças correndo. Um cenário comum demais para algo tão pesado que acabou de acontecer. E a única pessoa realmente feliz aqui… é a Aurora. Ela está com o rosto quase dentro do pote de sorvete, concentrada em não deixar a calda de morango escapar pela lateral. A língua rosada aparece de vez em quando, determinada. O nariz já tem um pontinho branco de creme. Eu deveria rir. Mas não consigo. Seguro a colher entre os dedos e nem lembro de ter provado o meu. Estou aqui, mas ainda estou naquela sala de brinquedos, vendo um espaço vazio num desenho. Igor está na min

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