Nancy Keller Eu acordo com a sensação de que alguém passou a noite inteira martelando dentro da minha cabeça. Um peso atrás dos olhos. Uma pressão nas têmporas. Eu resmungo baixo, ainda de olhos fechados, e me viro na cama, afundando o rosto no travesseiro como se isso pudesse esconder a dor. O som da chuva chega primeiro ao meu ouvido. Não é forte. Não é tempestade. É aquela chuva contínua, fininha, que parece não ter pressa de ir embora. Um barulho constante, quase hipnotizante… se não fosse essa dor malditä na minha cabeça. — Ai… — Murmuro, rouca. Estico o braço pela cama, tateando à procura do celular. Os meus dedos esbarram na mesa de cabeceira, no abajur, até finalmente encontrarem o aparelho. Abro os olhos só o suficiente para olhar a tela. A luz me atravessa como uma facada.

