Nancy Keller O café da manhã parece não ter fim. Estamos todos à mesa, mas o clima não é o mesmo de ontem. O único som leve e natural é a voz da Aurora, que não percebe absolutamente nada. Ela fala sobre o filme da noite passada, conta que quer brincar depois, ri quando derruba um pedacinho de morango no prato e tenta pegar com os dedinhos sujos de calda. Ela vive no próprio mundo e eu invejo isso, porque aqui, entre adultos, o ar está pesado. Eu não consigo entender como uma palavra tão linda como mamãe foi capaz de mudar tanto o ambiente. Eu sempre cuidei da Aurora com respeito. Sempre soube qual era meu lugar. Nunca tentei ocupar espaço de ninguém. Nunca incentivei nada. Nem quando éramos só nós duas, nem quando ela me perguntava coisas delicadas, nem nos momentos mais íntimos da r

