Nancy Keller Eu não dormi direito essa noite. Na verdade, acho que dormir é uma palavra generosa demais para o que aconteceu comigo. Passei boa parte da madrugada sentada no chão do quarto da Aurora, encostada na lateral da cama, observando o sobe e desce tranquilo do peitö dela enquanto dormia. Em alguns momentos, eu me levantava só para ajeitar a coberta, mesmo sabendo que ela estava confortável. Em outros, eu apenas ficava ali, em silêncio, pensando. Pensando demais. Tudo o que aconteceu desde ontem passa pela minha cabeça em looping, sem pausa, sem descanso. A chegada inesperada. O helicóptero. O nome dele ecoando pela casa. O pedido do exame. As perguntas que ninguém faz em voz alta, mas que gritam dentro de mim. O futuro, que até então parecia sólido, agora parece frágil demais.

