Capítulo 07 - Michael Barreto

1593 Palavras
Eu não tive outra saída. Explodi em uma gargalhada. - Como é Kelly? Eu não entendi. Ela não desviou os olhos dos meus e repetiu. - Se eu não posso trazer meus namorados aqui, você também não pode. - Eu não trago mulheres aqui, Kelly. Ela continuava emburrada. - Mas leva na sua casa! - Eu posso levar mulheres na minha casa. O ponto aqui não sou eu e sim você. Ela voltou a sentar. - Me deixa em paz Michael. Sentei ao lado dela. - Deixarei quando você fizer as cosias certas. Ela protestou. - Fazer o que você manda, você quer dizer? - Sim. Nesse momento, sim. - Não vai dar certo. - Claro que vai. Então vamos aos detalhes. Você vai trabalhar comigo. Ela deu um pulo da cama. - Vou fazer o que?! - Trabalhar comigo. Ela ajoelhou na minha frente. - Por favor Michael, para com isso! - O que tem de mais você trabalhar Kelly? Você passa o dia todo batendo perna por ai? Isso está errado. - Eu não preciso trabalhar! - Outra coisa, você até pode trazer seus paquerinhas aqui, mas eu tenho que estar em casa. Ela riu debochada. - Quer ficar aqui no quarto também, vigiando enquanto eu namoro? Menina arrogante! Eu vou quebrar essa pose! - Seria bom, pra ver se você aprendeu direito. Acho que ela não esperava que eu tocasse naquele assunto, por que ela ficou uns instante sem palavras. - Eu... não sei do que você está falando. Agora não sabe, né pirralha? - Não estou falando de nada especificamente, mas voltando ao assunto. Tudo certo quanto aos dois primeiros pontos? Ela sentou no chão de pernas cruzadas. - O que mais? A pergunta pareceu pró forma, por que pela cara dela, ela não obedeceria de bom grado. - Por enquanto é só. Você começa a trabalhar semana que vem. - Sério Michael, esse negócio de trabalhar é brincadeira não é? Arqueei a sobrancelha rindo. - Não. Você terminou a escola e a faculdade só começa daqui a seis meses. Eu estou sem secretária e você pode muito bem me ajudar. - O que aconteceu com sua secretária? Cruzei os dedos atrás das costas. - Ela está doente, precisa de uns dias de repouso. Ela pensou um pouco. - Só pra você não dizer que sou muito r**m, eu vou te ajudar, mas trate de arrumar logo outra secretaria. - Prometo. - E quanto a trazer namorados aqui, eu posso até dar um tempo, mas quando eu conhecer alguém legal eu vou trazer sim. - Quando conhecer alguém legal e eu aprovar. Ela me olhou séria. - Você não acha que está exagerando não? Sim. Eu acho. - Não. Ela levantou impaciente. - Tá bom Michael, já fez seu papel de tutor, agora me deixa aqui. - Só mais uma coisa. Ela colocou as mãos na cintura. - O que é? - Este fim de semana é aniversário da minha mãe e ficamos de almoçar lá no domingo. Ela estava acuada por que ela não diria não pra minha mãe. As duas se adoravam e a Kelly a chamava às vezes a chama de mãe. - Claro que eu vou né Michael. Posso convidar a Amanda? - Claro que pode. - Pronto? Acabou? Me dirigi à porta sorrindo. - Por enquanto sim, quer sair pra comer alguma coisa? - Não tem um encontro com a Jéssica? Eu me virei para ela segurando a porta aberta. -Vai ser difícil esquecer a Jéssica se você falar o nome dela a cada meia hora. - E já vai esquecer é? Você é um galinha Michael. - Estou solteiro agora Kelly, posso namorar quem eu quiser. Ela tirou a sandália e arremessou em minha direção acertando a porta que eu fechei a tempo. - Vou pedir uma pizza, eu te aviso quando chegar. - gritei do outro lado da porta. Pedi a pizza e fui para meu quarto tomar um banho. Entrei no banheiro pensativo. Eu estava meio perdido no meio daquele redemoinho que era cuidar da Kelly. Eu precisava me acalmar e achar um jeito de lidar com ela. Não podia ser do jeito dela e muito menos do meu jeito. Eu não podia guardar aquela menina em uma redoma de vidro e eu não confiava nela longe de mim. Aquela história de que minha secretaria estava doente era um pretexto para tê-la sob meu olhos por mais tempo e evitar que ela saísse por ai se pendurando no pescoço daqueles garotos que arrumava com tanta facilidade. Eu sabia que era inútil porque ela não ia ficar debaixo dos meus olhos o tempo todo. Ela iria para a faculdade logo mais e lá sim, ela teria liberdade para fazer o que bem entendesse. O que eu precisava era por um pouco de juízo naquela cabeça louca antes de entregá-la para o mundo. Sem pensar meu amigo Josué tinha me colocado em um grande problema. Porque ele não deu a guarda da Kelly para meus pais? Eles eram mais velhos, poderiam cuidar dela como filha. Eu não era a pessoa indicada para aquela tarefa. Ver a Kelly como filha parecia algo errado, nossa diferença de idade não tão grande assim e eu nunca tive esse tipo de sentimento em relação a ela. Vê-la como uma irmã mais nova talvez, mas depois daquele beijo na festa de 15 anos dela, o tipo de relacionamento que restava para nós seria a terceira opção do testamento. Eu teria que casar com a Kelly. Por que a segunda opção estava descartada. Eu não permitiria que ela se casasse com ninguém. O problema era ela aceitar isso. Geniosa como era, ela era capaz de aparecer na minha frente com uma certidão de casamento e um marido a tira colo se eu não tomasse providências urgentes. Até ela fazer 18 anos estava tudo sob controle, mas depois disso seria difícil segurar aquele furacão. Eu precisava achar uma forma de domar aquela fera antes que ela me apunhalasse pelas costas. - A pizza chegou Michael, vem logo que eu estou com fome. Ela batia na porta do quarto me tirando dos meus pensamentos. Vesti uma calça jeans e uma camisa de malha folgada e abri a porta. Ela estava encostada na porta e quase caiu em cima de mim. segurei-a a tempo e ela se equilibrou sorrindo. Parecia já ter esquecido nossa discussão de minutos atrás. - Vem, já arrumei a mesa. Ela andava na minha frente vestida apenas com um pijama de oncinha curto e apertado. - Não tem como vestir uma roupa decente não? isso é roupa de dormir. Ela respondeu de costas mesmo. - O que é que tem? Estou em casa e já vou dormir daqui a pouco. Tem muita coisa! - Você não está sozinha. Ela sentou na cadeira e apoiou o pé no assento mostrando parte da calcinha por baixo do minúsculo short. Não ia dar certo. Sentei em frente a ela e abri a caixa da pizza colocando uma fatia no meu prato. Ela estendeu o prato dela e esperou que eu colocasse a fatia de presunto que ela gostava. - Essa casa está em silêncio. Cadê todo mundo? Eu coloquei um pedaço na boca. - Dispensei. Não tem necessidade de ter empregados dormindo aqui. Não tem criança nessa casa. Ela parou o garfo á caminho da boca. - Eles sempre dormiram aqui quando meu pai era vivo. - Sem necessidade não é Kelly! Deixa que eles possam ter um minuto de paz com suas famílias. Ela ficou em silencio. Com certeza nunca pensou que aqueles coitados que estavam ali para servi-la 24 horas também tinhas suas famílias para dar atenção. - Eu... nunca pensei dessa maneira. Enchi o copo dela de refrigerante. - Pois passe a pensar. Existe um mundo fora do seu Kelly. Ela comeu o resto da pizza em silêncio. - Por que você está me tratando assim? Eu não esperava aquela pergunta e nem aquele tom de voz meio triste por parte dela. - Assim como? - Desde que meu pai morreu que você só briga comigo. Eu não tenho culpa se ele fez aquele testamento ridículo. A voz dela estava tremula, como se ele fosse chorar. Levantei e puxei outra cadeira sentando perto dela. - Ei, não precisa ficar assim, eu vou cuidar de você, calma. Ela batia o garfo no prato nervosa. - Eu estou me sentindo sozinha e você só faz dar ordens e brigar comigo. Merda! Ela tinha razão. Virei a cadeira dela e ficamos frente a frente. - Desculpa, eu também estou meio perdido com tudo isso. Vamos nos acalmar e achar uma forma de lidar com essa situação. Ela limpou os olhos. - Tudo bem, eu vou tentar ficar mais calma. Levantei a mão e puxei a alça da blusa dela pra cima. - Mais calma e mais vestida. Se você usar uma roupa dessa com um carinha como aquele safado do Diogo, vai ter problemas. Ela empurrou minha mão. Já era a Kelly Velasco que eu conhecia de novo. - Para de ficar criticando minhas roupas. Eu sacudi a cabeça rindo. Não tinha jeito. - Vamos dormir Kelly, amanhã é outro dia. Ela levantou e já ia saindo da sala. - Hei! Ela virou. - O que foi? Apontei a mesa. - Vamos tirar os pratos e limpar a mesa. Esqueceu que não tem mais empregados à noite? Ela arrumou os pratos fazendo barulho e marchou na minha frente para a cozinha. Se prepare Kelly Velasco, eu vou abaixar esse seu nariz!
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