Aurora Mancini A verdade é como uma lâmina silenciosa. Você não a vê chegando até sentir o corte. E naquele fim de tarde, entre as paredes frias da mansão Vitale, a lâmina me atingiu com precisão cirúrgica. Passei dias imaginando o motivo real por trás da decisão do meu pai. A entrega. A humilhação. O abandono. Mas nenhuma das hipóteses fazia sentido — até hoje. Eu estava na biblioteca novamente, fingindo folhear um livro de poesia italiana enquanto escutava uma conversa abafada atrás da porta parcialmente entreaberta do escritório de Salvatore. Foi o nome do meu pai, Lorenzo Mancini, que fez minha espinha enrijecer. — O bastardo achou mesmo que podia matar Don Vittorio e sair impune? — disse uma voz masculina que reconheci como sendo de Marco, um dos conselheiros de Salvatore. A resp

