Capítulo Dois - 2

829 Palavras
Parte 2... Ela encheu o peito de ar e soltou devagar. Parecia analisar o que ele lhe dissera. Ele não quis magoar seus sentimentos, mas precisava ser honesto com ela, para que não ficasse sempre na esperança de algum dia poder ter algo com ele que não fosse relacionado ao trabalho. — Pelo menos você reparou em mim - deu uma voltinha — Mas quem garante que isso vá dar errado? — E quem garante que vá dar certo? - ergueu uma sobrancelha — Eu prefiro não arriscar uma profissional talentosa como você. — Já parou para pensar que temos muitas coisas em comum? Quantas vezes já rimos juntos, salvamos nossos animais, cuidamos dos clientes que chegam nervosos? — Realmente, temos muito em comum, mas apenas no sentido profissional, Eliza. Não seria justo com você que eu lhe desse esperança de algo mais sério além disso. Ela abaixou a cabeça assentindo, parecia magoada. — Tudo bem, você quem sabe - deu de ombros — Mas eu garanto que poderia ter uma grande surpresa comigo. Se virou e saiu da sala. Mike ficou levemente chateado, pois não tinha intenção de ferir seu ego, mas não iria mentir e se envolver com ela apenas para que não ficasse triste. Não era um adolescente que fazia as coisas sem pensar direito. E ele estava mais preocupado com a clínica e com seu trabalho. Se envolver com alguém teria que ser algo que o arrebatasse. Apenas ter casinhos não lhe era suficiente e isso apenas tomaria seu tempo para coisas mais relevantes. Trabalhavam juntos a um bom tempo e ele sabia que ela era uma boa profissional e isso não era algo que achasse em qualquer esquina. Se tivessem algo e isso viesse a atrapalhar seu desenvolvimento na clínica seria péssimo, não apenas para ele. Mas ele tinha sido educado e honesto, se ela não entendia ou não aceitava isso, não era culpa sua. Melhor ser honesto do que entrar em um caso com ela e depois de dias acabar tudo e ser tachado de aproveitador. Ela pareceu aborrecida, mas tinha certeza de que agira certo ao lhe dizer a verdade. Talvez depois ela pensaria direito e veria que foi melhor assim. Ele gostava muito de seu modo de trabalhar, mas isso não queria dizer que tinha atração por ela, mesmo sendo uma mulher muito bonita e com certeza atraente para outros homens. Não iria se sentir culpado por não ter sentido algo a mais por ela, por não ter corrido aquele arrepio gostoso na pele quando se tem uma conexão com outra pessoa. Não era um homem que embarcava em algo apenas pelo desejo momentâneo. E a clínica que só crescia lhe tomava bastante tempo de sua vida e tanto ele quanto o irmão estavam mais presos ao pensamento de fazer com que tudo corresse bem e a ideia de ambos era que se transformasse em uma referência na região e para isso eles trabalhavam muito e investiam também. Deixou a sala e foi até seu escritório para pegar a pasta de tarefas. Ele sempre revisava tudo que tinha feito antes de ir embora, para ter um arquivo de tudo o que era realizado durante o dia. Isso o ajudava a manter sua organização pessoal. Quando abriu a porta de seu escritório estancou no lugar, ao ver que havia uma garota sentada em seu sofá. Ela estava com as pernas cruzadas. Os sapatos pareciam de bonecas, em um tom leve de verde, assim como seu vestido florido que parecia mais esses vestidos de bonecas feitas de pano. Ele sorriu de leve. Entrou e fechou a porta e então ela se virou devagar para ele. Pareceu se espantar com sua entrada e levantou depressa, quase que caindo novamente sentada e segurou no encosto de braço do sofá, olhando-o com surpresa. E ele sentiu um arrepio passar por sua coluna. De pé a via melhor. Era magra, pernas bem torneadas. Mesmo com aquele vestido um pouco folgado dava para perceber que tinha curvas por baixo. Achou engraçado pois ela lhe passou a ideia de ser mesmo uma boneca dessas de porcelana. Parecia muito delicada e que a qualquer momento fosse quebrar. Foi diferente o modo como sua energia a sentiu. Ela parecia um pouco envergonhada. Se adiantou até ela e lhe estendeu a mão, que ela levou alguns segundos para olhar e devagar estendeu a mão e segurou a sua, sem muita força. — Desculpe... Eu não sabia que tinha alguém aqui - franziu a testa — Por acaso está esperando a liberação de algum animal? Minha secretária não está - olhou o relógio no pulso — Oh... Claro que não - mexeu a cabeça de um lado para outro — Já são quase seis horas. — Tudo bem - respondeu calma tentando se expressar — Eu... S-sei que estava ocupado... Com u-um ga-gatinho. Ele achou que ela estivesse preocupada ou nervosa. Talvez estivesse com algum animal em cirurgia ou em recuperação. Falava lenta.
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