Diante de Deus

1306 Palavras
A igreja esta toda enfeitada, um grande e lindo tapete vermelho atravessa toda a sua extensão, tem uma multidão de cada lado do tapete, todos conhecidos, parentes, ou amigos. Derrepente se ouve uma musica invadir toda a igreja, la esta a noiva toda de branco, um buquê de margaridas brancas em suas mãos assim como sempre sonhou, seus cabelos pretos e longos emolduram seu belo rosto, seus olhos azuis estavam vidrados no homem de terno preto, cabelos castanhos bem penteados para trás, o que o fez ficar com uma aparência mais velha, pensa a noiva mas ele continua lindo, e la esta ele parado a frente do padre a esperando, os dois se entreolham e dão um sorriso, ela caminha de vagar em direção a ele, sentindo todos os olhares em cima dela. No altar os dois dão as mãos e o padre toma a palavra. - Nayara Quervelim, aceita Carlos Eduardo como seu legítimo esposo, para ama-lo, e respeita-lo, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza ou na pobreza, ate que a morte os separe? Os olhos azuis de Nayara transbordam de emoção e alegria, uma lagrima escorre. - É claro, é tudo que sempre quis. Sim eu aceito. O padre sorri, não tem nada que lhe dá mais alegria do que ver os olhares apaixonados dos noivos. Ele repete a pergunta, dessa vez se dirigindo ao Noivo. - Carlos Eduardo, aceita Nayara Quervelim como sua legítima esposa, para ama-la, e respeita-la, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza ou na pobreza, ate que a morte os separe? Carlos que estava tão ansioso por esse dia responde. - Até depois da morte, minha querida te quero para a eternidade.Sim eu aceito. O padre olha para o jovem rapaz com os olhos arregalados, faz o sinal da Cruz disfarçadamente para que os convidados não vejam, e conclui a cerimônia. - Eu vos declaro, marido e mulher. Pode beijar a noiva. .... 10 anos depois. Mais velho, agora com 37 anos. Carlos esta sentado na beirada da calçada em frente ao que minutos atrás era sua casa. A chuva molha seu corpo e ele lembra de dez anos atrás. "Eles caminham ate a porta da igreja, ela sorrir, ele a beija e se afasta para ela jogar o buquê, seu buquê de margaridas brancas, suas flores preferidas. Ele se lembram de quantas vezes durante o namoro ele a deu essas flores, então lembra de uma vez em particular, ela abre a porta de sua casa, ela esta linda, usa um vestido floral, e o seu cabelos escuros como a noite emolduram seu rosto, ele mantém as mãos para trás, ela o beija, ele ergue o buquê, ela sorri, e o sorriso é tao sincero, tão perfeito, que ele lembra de prometer pra sim mesmo de nunca deixar nada tirar esse sorriso lindo de seu rosto. Atrás dela um g***o de mulheres se empurram e dão cutuveladas, ela conta até três, olha para ele sorrir e joga o buquê, uma moça que aparentava ter a mesma idade que eles, uns vinte e dois anos pega o buquê. Os anos seguintes foram mágicos, ate que o destino lhe pregou uma peça, em uma noite voltando do serviço ela derrapa na pista molhada pela forte chuva que caiu o dia todo, e cai em uma vala com o carro. Ele entra em casa senta no sofa e chora, chora ate cair no sono. Na manhã seguinte ele acorda com um beijo na Buchecha e um sussurro Vamos querido acorde ele sorrir. Mas logo lembra, foi ontem, ontem foi o enterro dela, e ele volta a chorar ao se lembrar do som da terra caindo em cima de seu caixão. O telefone toca e seu chef, ele vai ter que ir trabalhar. Chega em casa tarde, ele para na porta da frente, encosta a testa na madeira fria da porta, e lembra da primeira vez que entraram ali juntos, ele a carregava no colo, eles se beijam, ela o lembra de entrar com o pé direito, ele ri Carlos, ele gira o metal frio da maçaneta, ao adentrar a casa, sente o cheiro, ele conhece aquele cheiro, e claro, é margaridas brancas, ele olha em direção a escada, vê uma mulher subir, ela esta com uma camisola rosa, ele reconhece a camisola de Nayara, ele a segue, entra em seu quarto e a ve deitada, ele corre para abraca-la, mas abraça o ar. Tempos e tempos se passaram, ele finalmente conseguiu seguir a vida o mais normal que podia pois sempre que chegava em casa o cheiro ainda continuava, o cheiro de margaridas brancas. Carlos acaba conhecendo uma mulher no serviço, ele a convida para jantar em sua casa. durante o jantar eles escutam passos no andar de cima, a mulher pergunta se tem mais alguem na casa ele afirma que não. Terminado o jantar eles resolvem beber um vinho, conversa vai conversa vem, eles se beijam, nesse momento as cortinas começam a balançar freneticamente, objetos vao para o chão, ele entra na frente da mulher que ja esta muito assustada, la fora uma tempestade cai, um vento mais forte o atinge, ele cai no chão, uma mão surge em direção a mulher, e arranha seu rosto, o lustre balança e cai na mulher, a fazendo desmaiar, um prateleira cai em cima dela fazendo os estilhaços do lustre entrarem para seu corpo. Nayara surge e arrasta a mulher pelo cabelo, a levando para fora da casa. Carlos olha e ve Nayara. -Oque está fazendo querida? -Você prometeu diante de Deus era eterno lembra? Dizendo isso ela vai para perto dele, em uma rapidez surreal, ela passa o dedo indicador no contorno do rosto de Carlos, sua unha rasga a pele de Carlos e ele sente sua pele descolando. Ela o da um beijo, e ele desmaia. Ele conhece o lugar que esta, é a igreja, a mesma decoração, as mesmas pessoas, ao seu lado esta uma mulher, o vel cobre seu rosto, ele levanta o vel que a cobria e ve Nayara, mas essa, está sem olhos, e cheia de ferimentos na face um deles horrivelmente aberto, sua pele antes rosada agora estava acinzentada, seus lábios sempre vermelhos agora palidos como se todo o sangue tivesse fugido de seu rosto. Ela o beija, ele esta de volta a casa, ele se levanta com dificuldade e percebe que á cacos de vidros em sua perna e sente o sangue escorrer, ele sai da casa, sente seu tórax arder. Vai ate a igreja a procura do padre. Chega na igreja e vê o padre ajoelhado rezando. o padre sente sua presença e se vira, Carlos percebe que é o mesmo padre do seu casamento. - Eu não posso ajudar. desculpe me. Diz o padre. Carlos fica surpreso ainda não tinha dito nada. - o espirito da minha mulher ja falecida esta assombrando minha casa. -Eu sei. mas eu nao posso ajudar. Voce disse que iria ficar com ela ate depois da morte disse isto no altar diante de Deus. Carlos olha incrédulo, e sai da igreja. Ele pega um galão de gasolina na garagem de sua casa e espalha por todos os cômodos, em seguida acende um fósforo. O fogo se arrasta rapidamente, em segundos a casa está em chamas. Carlos sai da casa e olha a utima vez, e ve em uma janela do segundo andar Nayara, ela parece chorar, Carlos sente uma dor imensa no torax, e o olha, este esta exposto por causa da camisa rasgada. E la esta uma única frase, ele conhece aquela caligrafia aquela letra redonda. É a letra de Nayara, marcada em seu torax estava a frase: Diante de Deus." Carlos está sentado na beirada da calçada em frente ao que minutos atrás era sua casa.
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