Sempre tive o hábito de ficar sentada na janela do meu quarto. Ela é virada pra uma pequena mata, apesar de eu ter medo do escuro, sentada na minha janela, dez da noite, a escuridão não me incomoda. Gosto de ficar lá olhando para o nada, e revendo o que aconteceu no meu dia.
Certa noite eu estava sentada com meus fones de ouvido em volume máximo, olhando para o enorme pé de banana que tinha no fundo de casa, naquele dia não tinha nada dado certo, briguei com meus pais, e minha melhor amiga se mudou. Estava lá, só perdida nos meus pensamentos, quando um vento frio bateu em meu corpo e me fez voltar. Olhei para o céu, essa noite sem estrelas, notei que tinha uma tempestade a caminho. "Ótimo"eu pensei, eu sempre gostei de ficar observando as gotas de chuvas cair sobre as arvores e a pequena mata. Mais um vento frio, esse me fez encolher mais meu corpo. Peguei meu celular e fui trocar a música. Enquanto trocava no silêncio entre o fim de uma música e o início de outra pude ouvir o som do que parecia um choro. Olhei para fora, e forçando meu olhar mais ao longe vi o que parecia ser uma pessoa andando desperada para perto de onde eu estava. Assustava pensei em entrar e fechar a janela, mas alguma coisa me impediu, não coisa do tipo campo magnético, mas algo tipo um sentimento, algo que me fez sentir que se eu entrasse seria r**m algo muito indesejável iria acontecer. Agora mais de perto eu pude ver que se tratava de um menino, suas roupas estavam rasgadas, e ele caminha ate minha janela com mta dificuldade, a chuva que agora caia intensamente lavava todo barro de sua roupa, ele vinha de cabeça baixa mas por alguma razão, eu sentinha seu olhar em mim. Ele pulou em minha varanda, agora a menos de um metro de distância de mim, eu parei e refletir na imensa burrice eu tinha feito. Por que eu não corri? Não sei, mas de todo jeito não dava mais tempo. Agora posso ver aqueles olhos negros me encarando, ele chora, suas roupas toda rasgada e suja de sangue.
-Por favor, por favor. Me ajude.
Ele falou, dava para perceber o pânico em sua voz, e o cansaço como se tivesse corrido muito até xegar aqui.
Desci da janela, e pulei para a varanda.
-O que,o que aconteceu?
Perguntei exitando um pouco. Meu olhar pecorreu o corpo daquela figura e não avistei nenhum machucado.
-Minha família-ele disse respondendo minha pergunta-Minha mãe, minha irmã e meu irmão.
Ele chorou ainda mais.
-O que tem eles o que aconteceu?
Eu o incentivei a continuar.
-Precisam de ajuda. Meu pai, meu pai. Assassino.
Falando isso ele desmaiou. Deitado no chão eu pude ver uma faca enfiada em suas costas. Em questão de cinco minutos ele acordou. Seu olhar parecia mais tranquilo.
-Vamos vamos levante-se me diga onde eles estão vamos lá.
-Não -ele me respondeu-fique, ligue para o socorro, eu vou ir vê como eles estão.
- Mas...
-Por favor, por favor. Eu preciso de ajuda.falem para eles seguirem a trilha que eu deixarei.
Pulei minha janela liguei para a policia e por nao saber o que havia acontecido chamei uma ambulância e bombeiros. Depois de longos trinta minutos de espera. Chega a policia mostro-les a trilha.
Nota em jornal.
Família encontrada em estado de decomposição. Suspeita que o pai Tenha matado dois meninos uma garota e a própria esposa.
O assino ainda não está preso. A mulher encontrada morta nua e os três irmãos todos mortos e encontrados com faca cravada em suas costas.
O ser humano é o pior dos animais. Hoje em dia ainda gosto, e passo horas na minha janela, mas as vezes quando forco meu olhar um pouco ao longe da trilha me apresentada, ainda consigo ver um garoto cabeça baixa, com uma faca cravada em suas costas? e escuto seu choro de desespero pela familha agora morta.