CAPÍTULO 2

1403 Palavras
JACKSON É tão difícil mentir para a Yasmin porque ela sabe exatamente se eu estou falando a verdade ou se estou mentindo; ela realmente me conhece muito bem. Me sinto super m*l em relação a isso, mas é preciso, não posso contar absolutamente nada sobre o que fiz e muito menos sobre o vídeo e as outras coisas, é sigilo total. E por causa disso vou precisar mudar para outra cidade, então quero passar essas últimas horas que tenho aqui com a Yasmin. - Quer de qual sabor, huh? - falei pegando o dinheiro na minha carteira que já estava desgastada. - Chocolate. -Bleh! - fiz uma careta de nojo e ela riu, eu odeio chocolate. - Um de chocolate e um de morango, por favor! - dei o dinheiro e fiquei esperando. Ficamos esperando, até que o cara deu nossos sorvetes. Sentamos embaixo da "Nossa árvore" e ficamos conversando sobre diversas coisas. - Lembra daquela vez que estávamos fazendo o trabalho de Álgebra e você foi grampear o papel mas grampeou seu dedo? - falei rindo e ela quase riu junto. - Eu estava morta de sono j**k, não ri, tá bom, você quase colocou seu dedo com super cola quando tava ajeitando seu violão! - ela riu com deboche. - Meu violão tá bom desde aquele dia que eu ajeitei. - falei dando de ombros. - Você devia me agradecer, por que aquela cola era do papai, até hoje ele não sabe! - E nem vai saber! - Vamos dar uma volta? - levantou indo em direção a lixeira que estava próximo de nós dois. - Vamos. - fui interrompido por uma mensagem. - Você não vai ver? - Espera só um minuto. - me afastei um pouco. Era minha mãe, como esperado. De mãe: Filho, o Scooter já ligou dizendo que o avião está à nossa espera, vem logo se não iremos perder o avião! Para mãe: Estou terminando de me despedir da Yasmin, já estou indo! Voltei e ela estava de costas, olhando para o mar que tinha ali. Deve ser por isso que eu gosto de vir aqui, ainda mais com ela, que sempre será minha garota favorita. Me aproximei e ela tomou um susto, eu ri com isso. - Eu vou ter que ir embora. - disse ainda tentando, eu, absorver essa palavras. - Mas já? Tudo bem, amanhã nos vemos na escola de qualquer jeito. - sorriu. - É...  Nos vemos amanhã. - sussurrei. Nem amanhã e nem depois de amanhã não veremos e eu não fazia ideia de quando nos veremos outra vez. - Então eu já vou indo. - ela se moveu para ir embora mas a impedi. - Espera eu tenho um presente para você! - Presente? Oba, adoro presentes. Ela disse e sorriu, de uma coisa eu sei, irei sentir muita falta dela, do sorriso, do jeito como ela falava, das imperfeições perfeitas. - O que é? - me olhou curiosa. - Fala eu estou curiosa! - Não sei se você vai gostar, mas é de coração. Peguei uma caixinha no meu bolso e a entreguei. Lá dentro havia um cordão de prata, em formato de uma metade de um coração, pois é para juntar o meu no dela, escrito "Friends." - Nossa j**k, é incrível! - ela tirou o cordão da caixinha. - Coloca em mim?- ela estendeu o cordão para que eu a colocasse nela e assim eu fiz, colocando o cordão em seu pescoço. - Como ficou? - ela colocou o cabelo para trás. - Literalmente igual a mim. - sorri e tirei o meu cordão que estava escondido sobre minha camisa. Ela abriu a boca um pouco chocada e logo sorriu. - Quer juntar? Juntamos nossos cordões, e formou um coração roxo que tinha alguns detalhes dourados. Era muito a cara dela esse cordão, combinava com o jeito fofo e adorável que só ela tem, nunca vi uma garota tão... Tão ela. - Yasmin, - comecei a me despedir disfarçadamente. - Não importa o que aconteça, sempre estaremos juntos, tanto fisicamente quanto em seus sonhos e eu prometo que sempre estaremos juntos, independente de tudo e de todos, nossa amizade é para sempre, e se acontecer algo, eu sempre estarei aqui. - apontei para o coração dela. - E sempre estarei com você, mesmo não fisicamente, eu vou sempre estar com você. - Claro Justin, não sei por que tanta palavra bonita, não sei o porquê disso, mas eu quero dizer que você é meu anjo e nada, nem ninguém irá mudar isso, por que você é meu melhor amigo, e sempre será. - Eu preciso ir... - abracei ela bem apertado, como se nunca fosse soltá-la, eu bem que queria não soltar. - Nos vemos em breve, e tenha certeza de que eu estou mais próximo de você do que imagina, e não se esqueça: Eu sempre estarei com você independente de tudo e eu te amo. Dei um último abraço nela, e saí de lá imediatamente. A todo caminho enquanto ia até o carro eu ficava pensando nela, tudo ao meu redor exalava ela, as flores do jardim, as pessoas de bicicleta dando gargalhadas semelhantes a dela, eu não queria que fosse assim, ir embora e deixá-la, eu queria poder levá-la mas eu não podia. Até porque a mãe dela nunca permitiria. Infelizmente não pude, mas era meu sonho. E eu sei que ela entenderia muito bem depois que soubesse.  Assim que me afastei da Yasmin, comecei a chorar. Saí de lá sem olhar para trás. Eu não podia abandoná-la, eu não podia simplesmente ir embora sem ao menos dizer a ela o que eu realmente sinto por ela, sim é amor, me disseram que amor é quando você sofre pela pessoa amada, então eu realmente a amo desde os nove anos de idade que foi quando nos conhecemos.  A mãe dela se mudou para 6 casas de distância da minha, minha mãe tem a mania de levar torta de "boas vindas" ao novo vizinho ou vizinha. Minha mãe se tornou muito amiga da mãe dela, assim que nós nos tornamos amigos e hoje foi um dia que eu esperava que nunca iria acontecer. Me afastar da minha melhor amiga, isso foi uma data que não existia no meu calendário. Até hoje. Estava olhando para a rua pela janela vendo a cidade se tornando um borrão, tudo o que era casa virava borrão. Era basicamente o que eu me tornei, um borrão, sem molde ou algo do tipo. Estava sem minha amiga, estava sem o meu amor. O carro corria pelo asfalto fazendo um vento gelado entrar pela janela. Minha mãe estava conversando com o motorista, algo que não me interessava muito então continuei olhando os borrões da cidade até minha mãe me chamar, me tirando dos meus pensamentos. - Jackson? - ela me cutucou. - Sim mãe? - Está tudo bem? - perguntou, mexendo em meu cabelo. - Sim, por que não estaria? - Você chegou chorando no carro e seu semblante não é um dos melhores. - Eu... Eu só vou sentir falta da Yasmin... - suspirei pesado. - Vocês vão se ver novamente. E, isso que estamos fazendo é total mérito, é o que você escolheu, é o que você desejou, você começou com isso, se estamos aqui agora indo para outro lugar do país é por que você foi escolhido, Deus escolheu você para ser sorteado! Não, eu não estou reclamando longe de mim, eu super te apoio meu querido. Você está indo conhecer o Scott. Você estava tão feliz ontem quando soube e hoje você está tão triste. - Eu sei, mãe, eu sei. - Não fica assim meu amor. - ela me abraçou. - Acho que fiz burrada. - O que? - Eu quase disse a Yas que a amo. - um sorriso pequeno brotou em seus lábios. - O que você sabe sobre amor, j**k? - É basicamente, quando sofremos pela pessoa, certo? -Sim e não. Para amar não precisa sofrer pelas pessoas, até porque amor é uma coisa boa mas dói, destrói e corrói. Amar é bom claro, mas com cuidado para não pular de cabeça e cometer suicídio, amar sempre com moderação, se não o amor machuca o apaixonado. Fiquei olhando para ela por um bom tempo, até que deitei minha cabeça sobre o colo dela enquanto ela acariciava meu cabelo, me fazendo dormir em seu colo.
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