Cheguei aos limites da cidade ofegante, corri, meu Deus, como eu corri, estou ofegante, ao longe vejo os cavalos chegando, a diligência trazendo o dinheiro se aproxima, me escondo e espero eles estacionarem em frente ao banco local.
Observo o movimento, são quatro diligências e cada uma com dois homens, analiso, as atitudes do grupo de homens, eles descarregam o dinheiro, deixando apenas um único homem de guarda.
Como são idiotas, não contam com a minha habilidade em roubar.
Lentamente e me escondendo, me aproximo de uma delas, a do meio, observo o movimento, o homem que está de guarda, masca um pedaço de erva-cidreira, perdido em seus pensamentos, e os outros estão dentro do banco.
Entro e roubo um saco de dinheiro, saio da diligência, como estou toda maltrapilha, vão pensar que sou uma mendiga que anda pelas ruas pegando comida no lixo para comer.
E assim aconteceu, passei pelo homem que estava de guarda desapercebida.
Quem dará atenção há uma mendiga, afinal.
Caminho pelas ruas da cidade, e me escondo em um beco fétido, hora de abrir o saco e tirar a parte do dinheiro que cabe a mim.
Tiro uma enorme quantidade de dólares, que ali estão e escondo no b***o de meu vestido.
— Essa é a parte que me cabe, o restante, darei para Carl, e Margo aqueles lixos abusadores.
Retorno para casa e entro os encontro na sala me esperando.
— Vejo que o roubo foi um sucesso, não é mesmo, Catarine?
— Sim, Carl foi um sucesso.
Deixo o saco em sua frente e me recolho para o meu quarto esconder a parte que me cade do dinheiro.
A noite, antes de ir para a casa de Lystat eu ajudarei os pobres que encontrar pelo caminho, pois isso torna o fardo do crime de roubo mais leve.
Tenho sorte que Lystat, não me recrimina e admira de um jeito torto o que eu faço, e isso muito me intriga, me intriga o fato dele ser tão enigmático, uma pessoa que demonstrou interesse em minha, uma rata, ladra de ruas que se passa por uma mendiga para roubar.
Do meu quarto escuto Carl e Margo fazendo planos na sala.
Hipócritas, gostaria que um dia eles tentassem roubar, seriam provavelmente presos, e quem sabe depois de um julgamento na pior das hipóteses seriam enforcados e deixados na praça pública para servir se exemplo para os que se atreverem a roubar.
Carl abre a porta do meu quarto e entra:
— O que você quer?! Eu já fiz o que me pediu.
— Calma, Catarine, eu e Margo resolvemos te recompensar pelo seu bom trabalho.
Ele tira do bolso da calça uma enorme quantia em dinheiro, me entrega e avisa com um sorriso.
— Eu e Margo vamos ficar alguns dias fora, Catarine, então descanse, pois a hora que voltarmos você terá que roubar o triplo para nós.
Um alívio para mim, pois não irei ser mais agredida, e eu sei que com dinheiro nas mãos eles ficam muitos dias fora de casa e eu terei um monte de paz afinal.
Carl, deixa o meu quarto e eu fecho e tranco a porta.
— Não é nada pessoal, Carl, mas depois da ameaça que você me fez eu preciso deixar a porta do meu quarto trancada, afinal o seguro morreu de velho.
Me olho no espelho e vejo meus próprios olhos azuis, lembro que a minha mãe dizia que eu tinha olhar de anjo.
Saudades de minha mãe, ela morreu tão jovem, foi aí que Carl se afundou ma bebida e conheceu a minha madrasta que visando as posses da família o seduziu e se casou com ele.
Juntos eles nos deixaram nessa miséria que estamos vivendo.
Do meu quarto eu escuto a porta da sala batendo e pela janela eu vejo Carl e Margo saindo com suas malas.
Me jogo na cama e sorrio.
— Um momento de paz, afinal, por esses dias eu posso até mesmo trazer Lystat em casa.
Tiro as roupas maltrapilhas e vou ao guarda-roupa de Margo, ver se a algo adequado para eu ir a vendinha local, para a minha surpresa ela guarda uma sacola com roupas de minha mãe.
— c****a, sem caráter, mantendo a posse daquilo que um dia foi de minha mãe.
Pego a sacola e levo para o meu quarto, e nela está um vestido azul da cor do céu o elegido para ir a vendinha local.
Me visto e saio, compro tudo o que eu preciso para me manter por alguns dias, e vinho para o Lystat, talvez ele goste.
Retorno com a enorme sesta para casa, abasteço a despensa e vou para meu quarto descansar, afinal eu mereço, pois diz um bom trabalho hoje.
Me deito em minha cama a qual tem uma boneca que minha mãe com tanto carinho costurou para mim, ela está velhinha e é uma das lembranças de minha mãe que me restou.
Adormeço, acordo por volta das sete da noite, julgo que exagerei, dormi o dia todo, mas recuperei o sono, que não tenho a oportunidade de ter, pois Carl e Margo me fazem ficar roubando na rua até o começo da madrugada.
Esquento no fogo água e tomo meu banho, para encontrar Lystat quero estar cheirosa, me lavo com sabão de cheiro, me seco e me troco.
Saio para encontrar aquele que está se tornando um bom amigo, meio estranho e louco, mas um bom amigo.
Caminho pelas ruas e distribuo quantias para os pobres que moram nas ruas, o suficiente para eles se alimentarem com o mínimo de dignidade.
Ao chegar ao portão vejo Lystat esperando, ele traja um lindo social cor de vinho, seus longos cabelos estão presos em um longo r**o de cavalo.
Ele sorri de canto ao me ver e me convida para entrar.
— Catarine, eu estava a sua espera, hoje quero conhecer um pouco mais da vida da minha grande amiga.
Entramos juntos e eu também estou curiosa para saber um pouco mais de Lystat Limount.
— Antes de mais nada, Catarine, você está muito bonita.
Sinto minha face ficar rubra, que mistérios esconde Lystat Limount.