Em novembro de 1877 teve início a imigração italiana no Paraná. Em torno de 162 colonos chegaram ao porto de Paranaguá, transportados no navio Colombo diretamente da região de Veneto, norte da Itália. Entre seus passageiros estavam mãe e filha, que deixaram seus nomes verdadeiros e sua história no Velho Mundo, para buscar uma vida nova, tentando esquecer a perseguição que sofreram.
Com os novos nomes, dona Lola e sua jovem filha Constantina, escondiam um segredo terrível. Elas eram descendentes de uma antiga linhagem de bruxas italianas. Haviam sido descobertas em Vastagna, sua cidade natal, e tiveram de fugir para não serem apedrejadas até a morte. Em Curitiba, se instalaram no bairro Santa Felicidade e trabalharam na lavoura.
Constantina queria se relacionar com os outros imigrantes, mas era lembrada por sua mãe de sua descendência e cobrada por sua falta de prática. Lola, como forma de educar a filha, lhe rogou uma maldição: “o castigo de uma bruxa que n**a seu dom de nascença é ser moça jovem durante o dia e idosa ao cair na noite”.
Apesar de sua resistência, Constantina se mostrou uma boa aluna. Pegou um velho grimório que sua mãe havia trazido da Itália e estudou com afinco. Em poucos meses aprendeu a se comunicar com os mortos, a ver o futuro e podia manipular a força vital das pessoas, podendo curar ou m***r com leves toques de suas mãos. Vendo a evolução de sua filha, dona Lola levou a moça para o cemitério da cidade, onde pretendia, à meia-noite, fazer uma invocação para tirar alguns mortos de seus túmulos.
Sem que soubessem, Giacomo, um jovem imigrante que apresentava afeição por Constantina, viu as duas andando sorrateiramente pela praça da cidade e resolveu segui-las. Sem ser visto, acompanhou a dupla até o cemitério e, estarrecido, viu os mortos começando a se levantar das covas. Deu um grito e desmaiou.
Constantina ficou tão abalada com o ocorrido que largou a mãe, os mortos e Giacomo e correu para o mais longe que pode. Chegou a uma região com uma floresta (que no futuro viria a ser chamada de Campo Largo) e encontrou uma casa abandonada, onde entrou para descansar. Com medo de retornar e ser aprisionada, fixou residência no local. Soube, anos depois, que a mãe havia sido presa pela morte do rapaz e morreu louca na cadeia, por conta do abandono da filha.
Várias pessoas passavam pela floresta e Constantina sempre que podia ajudava os necessitados, utilizando o toque curativo de suas mãos ou vislumbrando o destino. Mas, o pouco uso de sua magia fez com que a maldição proferida por sua mãe fizesse efeito. De dia, Constantina era jovem e bela. Quando a noite caia, se transformava numa velha carrancuda.
A visão assombrosa assustava quem passava pela residência e para evitar que fosse denunciada, Constantina usava bruxaria para m***r as testemunhas que apareciam a noite. Inicialmente, enterrava os corpos, mas, com o tempo e a falta de alimentos, passou a saborear a carne de suas vítimas.
Durante o dia, a bruxa, com a aparência jovem, mantinha sua aura de bondade e nada fazia com quem lhe pedia auxílio. Se fosse flagrada a noite, executava os presentes. Certo dia, um garoto foi em busca de Constantina para socorrer sua mãe. Quando chegou no casebre eram 18 horas e presenciou a transformação da moça em velha. Correu para a vila e contou o que aconteceu.
Os moradores, apavorados, foram até a floresta para m***r a bruxa, que correu da casa e se escondeu embaixo de um barranco. Sua moradia foi incendiada e Constantina passou a assombrar o local, se escondendo de dia e matando quem passasse pela floresta durante a noite.