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1150 Palavras
Anna O médico chegou em casa pela manhã, e Will insistiu, apesar das minhas objeções, que ele me examinasse. Eu deixei, tanto pela insistência quanto pela dor latejante em minha cabeça. Os médicos tinham me passado remédios para a dor, mas não adiantaram muito. Passei a noite revirando na cama, impossibilitada de respirar sem sentir dor. — Ela passou a noite inteira gemendo de dor. — Falou Rosita. Ela está segurando a minha mão enquanto o médico examina meu rosto. — Não me admira, está muito inflamado. — O médico se afastou para mexer na maleta sob o sofá. Ele pegou uma pomada e um cotonete. — Essa pomada é um antiinflamatório, mas eu também vou passar algo para a dor. Esse acidente deve ter sido bem terrível. — É...eu, bati no chão. O médico franzo a testa. Aposto dez dólares como ele está duvidando da minha mentira. A culpa disso é toda de Renan, nunca vi ele tão... descontrolado, para não falar coisa pior. Só de pensar que minha vida está amarrada a ele...ah, que merda. As vezes, penso sobre a vida, na maioria das vezes olhando para pessoas que passam na rua ou na calçada do meu prédio, e me pergunto o porquê de eu ainda aguentar isso. Não sou feliz, não mesmo, e já faz tempo. Tudo o que eu tenho é Renan e minha dívida, e isso... bem, isso não vale apena. — Seria muito bom se você não pegasse peso por uns três ou quatro dias, para evitar que tenha uma nova hemorragia. — Aconselhou o médico. — Isso não é um problema. — Falou Will. Ainda não entendo o porquê dele estar aqui, a vida dele é tão agitada, as vezes ele m*l para em casa, mas ainda assim está aqui. Will olhou diretamente para mim, mas diferente das outras vezes em que eu evito contato visual, sustento o seu olhar. — Vou encontrar algo para a senhorita Fiore fazer que não lhe queria tanto esforço. Minha barriga ficou cheia de borboletas. A princípio, as palavras dele foram comuns, mas a luz nos olhos dele estão da mesma forma em que estavam no corredor da entrada dos funcionários. O que esse homem quer fazer comigo? Por que logo eu? Em menos de uma semana eu vou roubar a escritura, um atraso graças a Val e seu roubo m*l sucedido, e então, se tudo der certo, vou embora para nunca mais voltar. — Ele gosta de você. — Falou Roseta, apoiada na ilha da cozinha olhando para mim. La vem ela com esse espírito de casamenteira. — Quem gosta de mim? Pelo canto do olho, consigo ver Olivia — a peste que não desgruda de mim e fica espalhando mentiras pela casa — , olhar para Rosita. Que menina fofoqueira. — O Sr. Prescott. Engoli uma risada nervosa, o que fez soar um grasnar de uma gansa. Patético. — Ele não gosta de mim, Rosita. — Gosta sim, eu vejo o jeito que ele te olhar Anna. — Você que tá vendo coisa que não tem. Ela não está vendo que a fã número 1 de Will está prestando atenção na nossa conversa? A última coisa de que preciso é das implicâncias de Olivia. — Anna. — A voz de Will soou pela cozinha e todos, até o ar, parou para olha-lo e escuta-lo. Com os olhos diretamente em mim, Will está parado na porta da cozinha. — Sim? — Tenho um serviço para você, poderia me acompanhar? Ignoro o sorrisinho nos lábios de Rosita, e da mensagem implicada em seus olhos. "Eu te disse." — Claro, senhor. — William, será que eu poderia usar a piscina? — A voz estridente de Olivia soou. Que menina chata,meu deus. — Está tão calor que um banho poderia ser refrescante. Todos outros funcionários sempre ficam incomodados com o jeito da garota, mas ninguém reclama pois ela é protegida de Will. Pelo que eu soube, Olivia foi abandonada pelos pais em uma boca de fumo e Will a resgatou. — Claro, querida. Fique a vontade. E Will parece ter sempre paciência com ela. Ele até deixou que ela trouxesse mais um gato para casa e agora o bichano está dormindo na área de serviço e deixando nosso dormitório com cheiro de mijo. Saímos da cozinha e eu segui Will pela casa, subindo a enorme escadaria e terminando no escritório dele. Meu peito infla com o fato de eu estar ali. Em alguns dias, terei que entrar aqui e roubar uma escritura em um cofre atrás de um dos quadros. Eu já o vi momentâneamente enquanto alguns funcionários limpavam o cômodo. A sala é toda em tons escuros e sem janelas. Possui uma estante atrás da mesa de trabalho, e uma cômoda com garrafas de bebidas e copos de vidro sobre a tampa. — O senhor precisa de alguma coisa? — Sim, na verdade. — Ele para em minha frente. Algo nos olhos dele está turvo e eu não consigo identificar. — Quero fazer uma proposta a você. O que? Uma proposta? — Que tipo de proposta? Eu não deveria agir com as emoções. Eu deveria ser racional. Mas Will mexe com alho em mim que atiça as minhas emoções e a minha curiosidade. Ele sorri. — Eu quero uma noite com você. Merda. Merda. Merda. Acho que enlouqueci. Os remédios que eu tomei devem estar me fazendo ter alucinações. Por que não tem chances de Will ter me pedido algo assim e tão...tão repentinamente. — Você está bem? Anna? — Estou, eu acho. — Pisco algumas vezes tentando tornar o mais real possível. — Uma noite? Para... — Sim, e jantar. Eu sei que é repentino mas tudo em relação a você é tão...forte, e eu quero ter certeza sobre algo. — Apesar da leve confusão em seus olhos, Will soa firme, decidido. — Isso é inusitado... — Não é, eu tenho a muito tempo tentado chamar sua atenção mas você vive fugindo de mim. — Ah — Aperto os lábios. Eis um fato sobre mim, eu nunca namorei. Eu já transei para ter alívio, eu já fiz coisas a solo, mas nunca namorei ou tive que conquistar alguém. Minha vida, Renan, nunca me permitiu isso. — Eu sou péssima nisso, desculpa. Fecho minhas mãos e formo um punho, elas estão tão suadas que eu quero limpa-las em meu vestido. — E então? Se eu puder em um momento da minha ser sincera, se eu quiser usar esse minuto agora, eu quero ir com ele, quero ver até onde isso vai levar e se ele vai me mostrar o que tem no terceiro andar. Eu deveria fazer isso por mim? Mesmo que depois eu vá me arrepender? Eu já me envolvi com os caras que eu tinha que roubar, mas nenhum era preocupado, atencioso ou me dava presentes que valem apena. — Sim, eu janto com o senhor.
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