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719 Palavras
Anna Espetacular. Eu não entendo nada de arte, mas o desenho sob a minha cama é...lindo. A imagem é apenas o meu perfil com um sorriso largo no rosto. Para mim é estranho, pertubador até, saber que alguém consegue captar ate as mais profundas sombras em meus olhos. Sorriu, apesar da relutância com o presente. É algo inestimável. O que ele quer com isso? As rosas, o retrato. O que ele pretende com isso? Sento em minha cama e o suspiro é profundo. Nos últimos dias eu tinha pesquisado sobre ele, ocasionalmente questionando os funcionários sobre o comportamento do chefe. "Ele é um homem difícil, mas um excelente patrão." "Ele foi o único a estender a mão quando eu precisei." "Ninguém sabe ao certo o que acontece no terceiro andar, mas não acho que ele as machuque." A maioria defendeu os princípios dele, como se apesar de um mafioso, ele merecesse sua lealdades. Na quarta, gritos escandalosos de um homem ecoou pela casa. Nenhum dos funcionários se importou ou se quer incomodou com os gritos, como se já estivessem acostumados. — Val foi pego roubando um dos relógios do chefe. — Fofocou Rosita, falando sobre o acontecimento na hora do almoço como se fosse um enorme segredo. Val é o novo funcionário da cozinha, um jovem rapaz de vinte anos que falava "Aí, mano?", a cada frase. — O senhor William não gostou nenhum pouco. Val foi demitido no mesmo dia, saiu da casa em uma ambulância e nenhum dos funcionários, a não ser eu, observou ele sair. Como alguém que dá flores e faz desenhos lindos é também capaz de deixar um homem completamente roxo? O que foi que ele fez com ele? Os gritos eram absurdos e os nós dos dedos de Will estão vermelhos e esfolados, como se tivesse dado uma surra ele mesmo no rapaz. — Quero uma revistoria na casa inteira, confiram se não sumiu mais alguma coisa. — Falou Will para Liz. Os olhos dele encontraram os meus e eu desviei o olhar no mesmo momento. Se eu for pega... Ah, eu preciso falar com Renan. Nada de bom vai acontecer nessa missão e o que meu preocupa não é acabar na cadeia. Na cozinha, Liz está fazendo as contas das compras paras esse mês. Me aproximo dela, limpando minhas mãos molhadas no avental. — Liz, posso falar com você? — Já está falando. O que quer? As vezes é difícil não querer dar um soco nela pelas p************s que ela sempre me lança. Eu sei que é parte da encenação, mas caramba, as vezes ela passa do limite. — Eu preciso resolver um problema com meu senhorio, parece que teve uma infiltração no meu apartamento. — A mulher de cabelos claros olhou para mim com o costumeiro olhar de indiferença. — Eu posso pagar o horário perdido na minha folga. — Pode ir. — Me virei afim de olhar para William. Ele está na porta da cozinha, olhando diretamente para nós. — Liz, eu preciso conversar com você. Liz foi até ele e juntos eles saíram da cozinha. ~•~ Sangue escorreu pelo meu nariz. O choque da minha cabeça com a mesa de madeira do escritório de Renan foi forte. Minha respiração está entrecortada, difícil. A mão dele ainda está presa em meu cabelo, me mantendo presa a mesa. — O que você disse? — Ele forçou minha cabeça até que a madeira estalasse. — Que você não vai cumprir esse trabalho? Está com mais medo dele do que de mim? — Renan... — Olha aqui sua c****a, você faz o que mando, entendeu? Você vai pegar essa escritura e não vai ser pega, fui claro? — S-sim. — Ótimo. — Ele solta meus cabelos e eu levo alguns segundos para conseguir me levantar. O sangue escorre para a minha boca e a dor é alucinante, mas se eu chorar na frente dele...,eu aguento. — Faça o seu trabalho, Anna, e não venha mais com essa história. Renan tende a ser temperamental e raramente já levou a mão para mim. A sensação de derrota só não é pior do que a raiva em meu peito. Saiu do escritório de Renan e temo ter que chegar tarde na mansão, mas a necessidade de ir a um médico fala mais alto.
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