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942 Palavras
Anna Eu passei o dia procurando uma desculpa ou um motivo para evitar o jantar com Will, eu me arrependi no momento em que eu repassei meu plano para roubar a escritura. Não quero magoar ele, já basta estar sob o teto dele para trai-lo. Ainda assim, cá estou eu, em um vestido na cor vinho, de tecido leve e fluído. Os cabelos soltos e ondulados. E uma maquiagem leve — Gloss e rímel, meus parceiros de todas as horas. Eu não sei o que esparar de Will e esse mistério meche comigo. Saiu do quarto, ciente de que terei que passar pela cozinha — onde os outros funcionários estão jantando —, para encontrar com Will na sala. Os olhares, especulativos e cheios de curiosidade, caíram em mim no momento em que eu cruzei o portal para a cozinha. — Está bonita — Elogiou Rosita. Liz olhou para mim sob os cílios. — Vai aonde? — Perguntou Olívia. — Vou sair. — Isso eu já percebi sua tonta, aonde vai? — Deixe Anna, Olivia, e cuide da própria vida. — Interveio Antonella, a cozinheira. Sorri para ela, em agradecimento. Olivia me seguiu, com os braços cruzados sobre o peito e cara de poucos amigos. Essa menina testa a paciência de qualquer um. Na sala, de pé perto da janela, Will está de costas para nós. O costumeiro traje social e a mesma pose de homem imperioso. — William vocês vão sair? — Perguntou Olívia. Will se virou para nós, os olhos se fixaram em mim no mesmo momento. Se não fosse pela faixa em meu nariz, eu me sentiria linda sob esse olhar. — Vamos jantar, você não deveria está fazendo o mesmo, Olivia? — Ah, eu pensei em ir com vocês. — Ela falou manhosamente e eu tive que me controlar para não revirar os olhos. — Infelizmente, o jantar é somente para Anna. — Olhei para Olivia a tempo de vê-la soltar um muxoxo esganiçado. — Mas, você pode pedir sorvete daquela sorveteria que você gosta. — Eu ainda prefiro ir com você. Me aproximo de Will, talvez se eu o puxar para fora vou conseguir nos livrar de Olivia. Os olhos dele me acompanham em cada passo, mesmo que Olivia esteja tagarelando. — Podemos ir? — Claro. — Ele ergue o olhar para Olivia. — Compre o sorvete, se quiser. Will segurou a minha mão — meu estômago se desfez em milhões de borboletas —, e nos guiou pela casa ate o estacionamento. Cinco carros ao todo, e cada um de marcas diferentes. Um Tesla cinza, um Audi preto, uma Ferrari vermelha, uma Lamborghini vermelha e um Camaro amarelo. — Qual você quer? — Ele pergunta. — Eu? Escolha você, qual usaria para conquistar um mulher? Ele sorriu. — Coelho, eu não preciso de carro para conquistar uma mulher, apenas alguns minutos a sós e uma boa chupada. Ok, estou sem palavras. Eu não esperava por isso, pelo menos não tão diretamente. Sorriu para ele correspondendo ao sorriso malicioso nos lábios dele. — Vendo para crer, não é? — Ah, sim. Mas com você, meu coelho, não agora. — Ele se mexeu, indo diretamente para a Lamborghini. Ele a destravou e os faróis piscaram. — Venha. — Ele abriu a aporta do passageiro para mim. — Por que coelho? Pergunto quando estou a um passo de distância dele. — Não é óbvio? — Se fosse eu não estaria perguntando. — Tão atrevida, não tem medo das consequências para essa língua? A ameaça é a menor das coisas que subentendo. Will está ardendo, desejando. O que ele quer está explícito e ótimo, eu também quero. — Tenho a sensação que você gosta. Will pecorre meu corpo com os olhos. Um suspiro, longo e profundamente, vem dele. — Não vou negar. Vamos? Eu nunca entrei em uma Lamborghini mas o que me impressiona é o fato de que o perfume de Will está impregnado em cada canto. Não que seja r**m, pois é terrivelmente delicioso. — O que Olivia é para você? Digo, eu soube da história dela, mas eu ainda não entendo. — Quer falar sobre isso? Hoje? — Estou curiosa. — Hum. Olivia foi abandonada e eu a encontrei, simples. — Os olhos deles não desviam por um segundo da estrada. Atrás do nosso carro, consigo ver os faróis do carro dos seguranças de Will. — Eu já sei dessa parte, é o porquê que me deixa curiosa. — Alguém já lhe disse que a curiosidade sempre mata o gato? — Ah, sério? Eu estou aqui por um convite seu, nada mais justo que converse comigo. Entramos na Time Square, que está lotada como sempre. Passantes entram e saem das lojas e casas de show, e estrangeiros batem fotos e selfies com os celulares e câmeras. — Não sou de falar sobre mim. — Eu percebi, eu também não. — Olho para ele. Pelo canto do olho, Will olha de relance para mim. — Você sempre foi assim? — Super atraente? O sorriso cresce em meus lábios e é difícil evitar. — Eu ia dizer fechado, na verdade. Ele mexeu a cabeça, de um lado para o outro, pensando antes de revelar qualquer coisa. — Você também é fechada. — Eu tenho os meus motivos. — E eu tenho os meus. — Ele soa ríspido, mas acho que não era a intenção. Ele respira fundo. — É pra ser uma noite divertida, então vamos nos divertir, tudo bem? — Tudo bem. Mas uma parte inquieta minha não vai sossegar, e muito menos esquecer. Mas, não agora. Agora eu só quero ver o que ele tem para mim.
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