Um susto

2098 Palavras
—Filha, separei umas roupas e queria que você levasse no orfanato, Lar de meninas. Pode levar pra mim? —ela pergunta, já que o orfanato fica bem próximo da minha casa e no domingo é mais tranquilo por lá. —Levo, sim! Pega lá que já vamos. Ainda tenho que limpar meu apartamento. —respondo e ela sai do colo do meu pai, por onde esteve por toda a conversa e sai da cozinha. Depois de todo esse drama com o Marcelo estou estacionando meu carro, que chegou da autorizada ontem na casa dos meus pais, na frente do orfanato, mas antes passamos na casa dele para deixarmos seu carro. —Esse Bentley é f**a! — diz sobre meu carro enquanto caminhamos para dentro do orfanato. Eu sempre amei esse tipo de carro e meu pai sabendo disso, me deu de presente. —declaro chegando perto da freira Joana. —Boa tarde freira, esse é meu namorado, Victório Thompson. -falo sorrindo e a cumprimentando —É um prazer conhecê-la. —Ele fala gentilmente, estendendo sua mão para o cumprimento, logo sendo retribuído. Viemos trazer essa bolsa de roupa. —falo a entregando a pesada bolsa. Há anos que lá em casa fazemos esse tipo de doações, fora que meus pais ajudam mensalmente com o alimento e tenho muito orgulho deles. Lembro de sempre virmos aqui desde quando eu ainda era bem pequena. As crianças estão acordadas? -pergunto, pois a hora que aparecemos, é justamente a hora em que elas tiram um cochilo. Que nada! Ganhamos, de doação uma tarde com um palhaço e elas estão lá atrás aproveitando. —explica sorrindo, já andando e nós a seguimos. Como eu devo me comportar? Victório pergunta andando ao meu lado de mãos entrelaçados, aparentemente nervoso, por não saber cono se comportar. Aja naturalmente! Você vai amar. —respondo e entramos no patio. Todas as crianças estão sentadas no chão e vidradas no tal palhaço, que parece ser bem engraçado com sua roupa colorida e nariz vermelho. Umas 50 crianças precisando de amor e segurança. Elas são carentes não só de comida ou roupas, mas de amor próprio e amor do próximo. —Vou fazer uma pergunta e quero que todos vocês respondam bem alto. Ok? —o palhaço colorido fala e todos balançam ae cabecinhas concordando. —Se quem vende leite, é o leiteiro e quem vende pão, é o padeiro. Então me digam: Quem vende carne é o...? —Carneeeeirooo!! —Todas as crianças respondem, em uníssono e caímos na risada. Depois de dez minutos assistindo a apresentação, o palhaço termina seu pequeno show e quando as crianças me veem, correm em minha direção. Hannaaa! —elas chegam com tudo e me abraçam. Como eu disse, sempre venho aqui brincar com elas e apesar de ultimamente fazer isso apenas uma vez por semana, elas sabem que eu as amo. Ei pirralhadaaa! Como vocês estão? —pergunto, dando beijinho no rosto de cada criança. —Hoje teve um show pra nós, cê viu? —Carolzinha pergunta. Eu vi sim e estava muito bom! —falo e olho para o palhaço, que faz um "joinha", para mim em agradecimento. Victório se senta no banco ao meu lado e apesar de não falar muita coisa, participa ativamente com seu sorriso. E que sorriso? Depois de um tempo conversando com a garotada, rindo bastante e falando algumas bobeiras, aviso a elas que já vamos. Não posso ficar, preciso limpar meu apartamento. —Boa noite, seu Manoel! — cumprimento o simpático, porteiro de uns 60 anos, assim que passamos pela portaria do meu prédio. Estou carregando uma pequena mala, enquanto o Victorio carrega uma maior e mais pesada, com o tanto de roupa que levei pra casa dos meus pais. Ah gente! Eu tenho os pés no chão, não sou fútil, mas ainda tenho uns defeitinhos femininos. —Boa noite, Hanna! quanto tempo, hein?! —ele diz sorrindo. Faz apenas um mês, seu Manoel. —falo rindo e entramos no elevador. Digito a senha liberando o mesmo para cobertura e o Victorio me abraça por trás. Ele não sabe mas esse abraço tem me trazido as melhores sensações. Fecho meus olhos sentindo meu coração esquentar e aproveito seus braços em volta do meu corpo. —O que você achou do orfanato? —Indago curiosa. —São muitas crianças carentes do amor de pais e mesmo assim, elas ficam o tempo todo com o sorriso no rosto. Isso é incrível! —diz e eu concordo sorridente. —Mas infelizmente não é assim o tempo todo. Eles sempre perguntam foram abandonados. É f**a! —falo sentindo o coração apertado e o elevador se abre. — Isso mexe com você! Diz caminhando atrás de mim, enquanto enfio a chave na fechadura, a abrindo em seguida. Antes de entrar olho para o meu grande vaso marrom de planta, ao lado da porta e imagino que o pessoal da limpeza esteja aguando, ja que a mesma continua linda. —Fui adotada com um ano de idade pelos meus pais e recebi bem mais que uma família com dinheiro. Recebi pais que tinham muito amor pra dar e dou graças a Deus pela iniciativa deles em me adotar. —falo abrindo as janelas e acho que eu o deixei surpreso com a informação. —Eu não sabia! Sinto muito! —ele fala sentando no sofá da sala. —Não tem do que sentir, eu me sinto honrada por ter os meus pais como pais. Imagino que, se meus pais biológicos fossem os certos para mim, eles não teriam me dado para a adoção. —falo fiel ao pensamento que tenho a anos e ele concorda. —Você sempre pensou assim ou teve seu momento de ficar revoltada com o mundo? — pergunta me olhando e acabo me sentando ao seu lado. —Você conhece meus pais, não tem como ficar revoltada perto deles. —afirmo rindo. —Sempre fui de boa filha, mas conheci pessoas no orfanato que eram muito revoltadas com esse assunto. Olho para ele, em seus olhos e me aproximo beijando seu rosto numa demostração de carinho, sorrindo em seguida ao voltar a minha posição. —A vida é assim, momentos e acontecimentos ruins sempre vão existir, mas coisas boas também. E minha mãe sempre ensinou que para cada coisa r**m, vem o dobro de coisas boas. — informo sorrindo e ele me puxa para sentar no colo dele. —Você é admirável! —fala cheirando meus cabelos, se perdendo nesse ato. —Você tem algum fetiche com cabelos, senhor Thompson? — brinco e ele continua cheirando meus cabelos. —Somente com você! Seu cheiro é viciante. —diz e meu coração bate mais rápido Esse jeito que ele tem de falar comigo mexe com minhas estruturas e acabo sorrindo boba. Tomando iniciativa, coloco minhas pernas nas laterais do seu corpo, com suas mãos ja em minha cintura e beijo sutilmente seus lábios. Rebolo em cima do seu m****o, esquentando nosso beijo e ele solta um gemido me sentindo pressiona-lo. Suas mãos percorrem por minha costas e meu corpo responde ao seu toque. Minha blusa é retirada do meu corpo vagarosamente e o barulho do elevador parando em meu andar ecoa pela sala nos assustando. Quando o mesmo se abre, sem a minha permissão, constatamos ser o Marcelo parado nos olhando. Assustada, dou um pulo saindo de onde estava e Victório se levanta ficando em posição de ataque. —O que esse b****a está fazendo aqui? —Marcelo questiona andando em nossa direção e rapidamente pego o telefone de casa na mesinha de centro. —O que você está fazendo aqui? Quem te deu permissão para subir? Em um tom acima que o normal, questiono com as mãos trêmulas e ele para ainda um pouco distante de nós. Finjo digitar no aparelho preto em minhas mãos o número da polícia e o coloco na orelha para ouvir. —Eu vim te ver e me deparo com isso? Marcelo diz como se estivesse com a razão. Ele está parado a cerca de 2 metros da gente e suas palavras saem carregadas de ódio. —Você não tem permissão para subir no meu apartamento, Marcelo. O que tínhamos acabou e ja estou chamando a polícia. —minto com raiva na tentativa dele ir embora. Me ignorando, ele dá um passo em nossa direção e o Victorio, entra na minha frente, me protegendo de uma possível agressão. —Se vier na nossa direção, vai sair daqui carregado. —Victorio avisa com raiva, disposto a me defender. —Mas... —Marcelo começa a falar, mas eu estou cheia desses discursos que ele faz há meses. —"Mas" é o c*****o! Você está se achando o f**a, né?! Invadiu minha casa e acha que vai ficar por isso mesmo? Eu tentei te poupar na expectativa que ainda ficasse uma amizade, mas seu comportamento não deixa dúvidas. Não tem como ser sua amiga com você agindo como um louco. —falo já bem alterada e seu rosto se transforma. —Eu te amo e é assim que você fala comigo? — indaga com o ódio emanando dele. —Vai sair por bem ou por m*l? —Victorio pergunta posicionado a minha frente, com sua mão para trás, em minha direção. Marcelo fica nos olhando juntos, nos analisando com a respiração descontrolada, com seu peito subindo e descendo rapidamente, vendo Victório disposto a tudo. —Eu vou embora, mas não vou esquecer a humilhação que me fizeram passar. Fica esperta!! —ameaça e o encaro tentando passar que estou segura, mas na verdade estou com muito medo. Após falar, ele se vira e volta para o elevador. Quando as portas se fecham, eu ligo para o seu Manoel e aviso que o Marcelo está proibido de subir, o autorizando também a acionar a policia, caso ele volte. —Ei, você está tremendo! -Victorio percebe pegando minhas mãos e as levando aos lábios para um calmante beijo. —Fiquei com medo que ele fizesse alguma coisa com você. —falo o abraçando com meu coração acelerado. —Precisamos de uma ordem restritiva. Ele fez uma ameaça. —informa e eu avalio a questão. —Você está certo! Ele está ficando descontrolado. —aceito sentando no sofá e ele se senta ao meu lado me abraçando. Conversamos e combinamos que amanha vamos entrar com a papelada para a ordem restritiva, fora que também trocamos a senha do elevador. —Mudando de assunto, será que tem algo na dispensa pra gente comer? Estou com fome. — indaga e sorrio beijando seu rosto. —Miojo serve? Questiono rindo, ja me levantando, sabendo que não tenho nada alem disso na dispensa. —Desde que seja com você, tudo vale. —diz com seu sorriso no cantos da boca e encosto meus lábios nos seus, derretida com o que disse. —Vamos! Eu faço os miojos e você cuida do apartamento. —diz já levantando. —Ok! Mas começa daqui 20 minutos. Senão vou comer ele geladão. —peço ainda com a boca na dele e ele concorda pressionando minha b***a com seu m****o. Sigo com ele para a cozinha e mostro onde estão as coisas, depois começo a pequena limpeza no apartamento. Apesar do apartamento ter 4 quartos, eu limpo apenas o meu. Tiro o **, passo um paninho no chão, fazendo a mesma coisa com a sala e cozinha. Meu apartamentos é bem bonito com a decoração minimalista e cores neutras. Não curto aqueles montes de móveis "entulhados ", nos privando de espaço. No meu quarto mesmo só tem a cama e os criados mudo, tendo o espaçoso closet para me auxiliar com a organização. —Eu acabei e você? — digo entrando na cozinha, onde o cheirinho do miojo, está uma delicia. Ele está lindo, arrumando a mesa da cozinha para nós. Sua atenção está voltada aos detalhes e percebo que também está pensativo, —Tudo pronto por aqui também. — responde e me olho, mostrando a cadeira para eu sentar e assim eu faço. Estamos jantando enquanto conversamos e eu gosto do jeito que pensa. Ele está me falando que apesar do Marcelo está agindo como um louco, está sofrendo de amor e isso deve tirar um pouco da razão de muitos. —Uma coisa é eu entender os motivos dele, outra é eu aceitar tal idiotice. Eu não deixaria ele por um dedo, se quer, em você. — diz todo protetor e eu amo esse cuidado. —Obrigada! —agradeço beijando o rosto dele. ***** ***** Vcs chamariam a policia ou dariam outra chance?
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