Dez

1126 Palavras
Jungkook e eu conversamos enquanto comíamos e quando ele pegou uma cerveja para acompanhar a carne, prometendo que não passaria daquilo tentei convencê-lo a me deixar tomar uma também e mesmo eu dizendo que bebia com meus amigos, ele disse que com ele isso não aconteceria. Olhando a aparência e os vícios, ninguém diria que ele era tão responsável, mas foi sempre assim, boas notas, filho exemplar. Já eu tinha notas medianas e meus pais me mimam demais, então, eu tinha toda a liberdade para fazer o que queria, era meio raro escutar um “não” para algo que eu quisesse, mas aqui, bem diante de mim, estava Jungkook sempre me negando meus desejos.     — Jungkook, como é na faculdade?     — Desgastante, muitos trabalhos. — fez careta.     — Essa parte eu sei, quero saber da sua vida, das pessoas…     — Você sabe, eu moro no dormitório e trabalho em uma cafeteria perto, não tenho muito tempo, quando tenho estou lendo coisas para me atualizar na área.     — Quer dizer sem festas, sexo e, hm, romances?     — Você é tão discreto. — zombou. — Isso, Yoonie, eu não tenho tempo para ir às festas, faculdade não é como nos filmes.     — Então, você deve estar bem acumulado. — soltei. Ele revirou os olhos e balançou a cabeça como se eu fosse um caso perdido.     — Eu vou no banheiro.     — Espera. — segurei seu pulso. Ele me encarou e eu segurei seu rosto com a outra mão e me aproximei dele, lambendo próximo ao canto dos seus lábios. Jungkook se arrepiou, com um tremor forte, e me encarou pálido, sorri para ele dissimulado.     — Estava sujo de molho.     — Tem guardanapo na mesa, não exagera, okay? — ele levantou-se desconcertado e seguiu para o banheiro. Tudo bem que tinha guardanapo na mesa, mas eu queria lamber ele e se eu tivesse dito algo e ele pegasse o guardanapo, o mesmo ia sair limpo, e ele ia descobrir que era só uma mentirinha para lhe provocar, pois Jungkook não tinha nenhuma mancha de molho, eu só queria marcar presença e lhe provocar. Quando Jungkook voltou para a mesa ele disse que já tinha pago a conta.     — Eu não queria ir embora agora. — lamentei na saída.     — Eu não tinha mais dinheiro. — mentiroso.     — Tudo bem, posso dormir na sua casa?     — Melhor não. O encarei triste com os lábios trêmulos.     — Qual é, não faz isso.     — Eu queria passar mais tempo com você, Jungkookie, mas é claro que você não sente o mesmo.     — Yoongi, eu sei o que você quer, não banca o inocente.     — Sabe? O que eu quero, então? — o desafiei, ao menos assim ele teria que admitir que conhecia meus sentimentos. Jungkook pigarreou, limpando a garganta, mas antes de falar, recorreu a mais um dos seus cigarros. Andamos devagar pela calçada, já estávamos bem perto de casa, porque o espetinho era na esquina.     — É normal sentir atração por homens mais velhos na sua idade, mas é meio perigoso e… O interrompi com uma risada debochada.     — Desculpe, continua de onde parou, você acha que eu quero t*****r com você. — fui direto ao ponto.     — E não quer? — me encarou sério.     — Quero. — não neguei. Ele continuou com sua encarada, não estava surpreso com minha confissão, mas ele percebia que tinha algo diferente na minha expressão, que aquilo não era tudo. Paramos na frente da sua casa e Jungkook apagou seu cigarro na lata de lixo da rua e o jogou dentro.     — Acha que é só isso mesmo?     — E o que mais seria?     — Eu gosto de você, estou apaixonado. — confessei. — Por isso eu quero ficar mais tempo, eu sinto saudades de você aqui todos os dias, de olhar pela janela e te ver. Ele me olhava agora meio desconcertado, mas dava para ver que Jungkook tentava organizar seus pensamentos, como um adulto meticuloso pronto para só abrir a boca para dizer a coisa certa.     — Yoonie… Você não gosta de mim desse jeito. — falou com receio. — É normal se confundir na sua idade.     — Por favor, — revirei os olhos. — não tente me dizer o que sinto. Você não faz ideia do que sinto. Acha que se eu tivesse escolha, seria você? Eu sou jovem, tem tantos caras que querem sair comigo e eu não consigo, porque nenhum deles vai me fazer sentir como você me faz, sem nunca ter me tocado ou retribuído. É meio ridículo você me forçar a dizer isso. — ri debochado. — Você não precisa acreditar no que eu sinto, mas não me diz isso, porque é óbvio que fico magoado. Eu não sou uma criança, Jungkook.     — Também não é um adulto.     — É, não sou, por causa de uns dez meses. p***a, esse foi o pior encontro que eu fui. — bati em seu braço brincando, tentando amenizar a tensão no ar.     — Não foi um encontro. — lamentou.     — Eu estava fingindo que era. Então, eu não posso passar a noite, né?     — Eu acho melhor não. — tocou meu rosto.     — Então, que tal me dar um beijo em troca? — falei brincando, fechando meus olhos e fazendo biquinho na sua direção, enquanto segurava minha própria mão nas costas e sorria. Jungkook fez uma carícia leve em meu rosto e eu paralisei quando senti sua respiração me tocar, então, eu percebi que ele jamais faria aquilo. Eu tive poucos segundos para pensar nisso, Jungkook provavelmente estava vindo beijar meu rosto — esse maldito certinho — mas no fim das contas, sua boca tocou a minha e sem pensar duas vezes, porque eu não ia desperdiçar esse lapso do mais velho, agarrei sua nuca e o prendi a mim. Abri minha boca devagar, acabando com aquele roçado leve e encaixei minha boca a sua, o próprio Jungkook tomou a iniciativa de juntar sua língua a minha, ele a moveu dentro da minha boca e me impregnou com seu gosto de fumaça e naquele momento esse se tornou meu gosto favorito. Deslizei a mão por seu peito e segurei sua cintura, ele abraçou meu corpo com um braço só, levando sua outra mão para os meus cabelos. Eu tremi, eu não precisava mais prender Jungkook, porque era ele que estava me mantendo junto a si. Acariciei sua orelha e chupei sua língua devagar, Jungkook afrouxou o aperto e eu o mordi, parando nosso primeiro beijo. Rocei o nariz no seu e o encarei, apertando meu corpo contra o seu e o deixando sentir o que meu suéter, grande demais, escondia.     — Jungkookie — chamei manhoso. — eu vou deixar minha janela aberta para você hoje de novo.
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