Maeve A manhã do funeral foi fria, como se o próprio tempo estivesse de luto junto comigo. O céu nublado refletia o que eu sentia por dentro, uma dor profunda e solitária. A avó sempre foi minha base, a pessoa que nunca me julgou e sempre esteve lá, mesmo quando o mundo parecia desmoronar ao meu redor. Agora, eu estava prestes a enterrá-la. Quando chegamos ao pequeno cemitério, percebi que apenas três pessoas estavam presentes: eu, Ricardo e o médico que havia cuidado dela nos últimos meses. Não houve flores, discursos comoventes ou multidão de parentes. Não houve sequer a presença de familiares, porque, afinal, ninguém nunca se importou com a minha avó além de mim. Ricardo estava em silêncio ao meu lado, as mãos enfiadas nos bolsos do casaco. Seu olhar sombrio me dizia mais do que qua

