Hwang Calleo sentia a cabeça doer. O moreno estava confuso. Desde que sua sogra havia lhe contado sobre a possível chance dele ser um herdeiro grandioso, nada mais passava em sua mente.
Aquilo era impossível, era óbvio que era impossível.
Só um louco não via.
Como Calleo seria um herdeiro, quando seu próprio pai, deixava sua mãe gastar suas economias com os deveres de casa, usando tudo em prol deles e nenhum centavo para ela mesmo.
Se fosse assim, ele era a merda de um herdeiro muito desgraçado.
Minjae percebia nos olhos do namorado como seu pensamento estava longe. Desde que sua mãe puxou Calleo para seu escritório, que nenhuma das suas perguntas haviam sido respondidas devidamente. Calleo apenas lhe tranquilizou quando negou com um balançar de cabeça, a pergunta de Minjae se ela havia feito algo para lhe magoar ou se tinha pedido para que ele lhe deixasse.
Aquela possibilidade lhe magoava porque, desde a noite passada, sentia medo do que Calleo achava de seu relacionamento e a diferença social tão gritante.
Mas o que Minjae não fazia ideia, era que aquela diferença poderia ser ainda mais gritante, e que, agora, sua posição poderia estar abaixo da do namorado.
Observou Calleo se organizar para ir trabalhar e se ofereceu para lhe dar carona.
ㅡ Você não está bem, Calleo. ㅡ falou, rompendo o silêncio. ㅡ o que aconteceu naquele escritório? O que minha mãe te falou?
Calleo suspirou pesadamente, sua mente chegava estava pesada e sua cabeça chegava a doer de tanto pensar.
ㅡ Minie… ㅡ chamou pelo namorado. ㅡ você pode encostar o carro por um minuto?
ㅡ Mas você irá chegar atrasado assim.
ㅡ Por favor. ㅡ pediu, já com a voz embargada.
Minjae assentiu preocupado, guiando o carro para o acostamento da estrada.
Desligou o motor, girando o corpo para ver melhor a face do namorado.
ㅡ O que aconteceu, bebê? ㅡ sua mão foi para o rosto do amado, acariciando a pele quente.
Calleo precisou de alguns segundos, sua mente tentava organizar as palavras de Han Miyun, sua sogra, mas de nada adiantava. Aquilo era impossível.
ㅡ Sua mãe falou sobre o passado dela, e… eu acho que ela conheceu meu pai.
ㅡ Como assim? ㅡ Minjae encostou sobre o banco do carro.
ㅡ Eu não sei, Minie. Não sei mesmo… Mas ela disse que foi apaixonada por ele.
ㅡ A minha mãe? ㅡ Minjae explodiu numa risada alta. ㅡ como assim, meu Deus? Ela tem certeza?
ㅡ Bem, ela sabia o nome dele…
ㅡ Qual o nome do seu pai?
ㅡ Hwang Junseo. Mas, além disso, ela sabia da história dele também, Minie. Sabia que ele se apaixonou por uma estrangeira e que ele teve um bebê pouco tempo depois.
ㅡ Então ela conhece ele. Isso é legal, não é? Nossos pais já se conhecem.
ㅡ Não, Minie, não é isso. Ela me contou sobre de onde ele veio. Sobre quem ele é e eu desconheço completamente essa história. Eu não sei o que pensar, o que fazer… eu não sei como reagir a nada. E se for mesmo verdade?
ㅡ Verdade?
Calleo esfregou ambas as mãos no rosto, sentindo seu corpo estremecer com o estresse que aquilo lhe causava.
Se já não tivesse sido o bastante a bagunça que aquele homem tivesse feito em sua vida aos oito anos, agora, quatorze anos depois, Calleo sentia o frio na espinha em puro pavor. O mesmo pavor que sentiu quando seu pai agrediu sua mãe bem na sua frente.
ㅡ Sua mãe contou que existe uma família cujo sobrenome também é Hwang.
ㅡ A sua família?
ㅡ Bem… tecnicamente pode ser. Eu não sei. É uma família rica, Minie, uma coisa completamente diferente da realidade que eu vivo. Ela disse que meu pai fugiu para se casar com a minha mãe, e pelo que eu sei, meus pais só se casaram porque minha mãe já estava grávida. Eles se casaram no Brasil, mas quando eu tinha um ano e dois meses, eles vieram para Busan. Se meu pai fosse mesmo um homem rico, você não acha que ele teria ido em busca disso? Estávamos na cidade natal dele, não é um lugar muito difícil de se esconder… Eu não acredito que isso possa ser verdade. Vai ver é só uma confusão. Hwang não é tão incomum, é?
ㅡ Não sei. Mas eu só conheço você com esse sobrenome.
ㅡ Mas imagina, Minie… Teria chance disso ser verdade?
ㅡ Talvez. ㅡ ele olhou nos olhos do outro, buscando a mão abandonada ao lado do corpo tão nervoso do namorado e entrelaçou-se ali. ㅡ eu não sei. Não sei como foi a sua vida, Calleo… Não sei muito de como você e sua mãe viveram o passado. Mas pensando que isso possa ser verdade, seu pai pode ter apenas desistido de ser um homem rico para viver em prol de algo…
ㅡ Em prol de algo? Minie, ele é um alcoólatra! Um bêbado que gasta tudo com álcool, um homem que via a mulher sair para trabalhar, mas mesmo assim, batia nela porque não a amava o suficiente para acreditar quando ela dizia que estava mesmo trabalhando. Ele é um homem que saia por semanas e voltava fedendo a álcool, e só voltava, porque o dinheiro havia acabado. Ele não se importou eu aprendendo a cozinhar aos oito anos, mas não era porque eu queria, era porque eu precisava. Minha mãe entrou em depressão profunda, ela se viciou em remédios e só eu sei o quanto é bom vê-la recuperada até mesmo disso. Mas ele… não, ele não desistiria do dinheiro por nós, por sua família. Ele não era desse tipo…
Minjae sentiu seu coração apertar ao perceber o modo tão doloroso que o outro falava aquilo. Não tinha a vivência de nada parecido, seus pais eram divorciados, mas tudo havia acontecido de modo amigável. Nunca presenciou uma agressão e era grato por aquilo. Não admitiria jamais alguém encostar um dedo sequer em sua mãe.
Fosse seu pai ou qualquer outra pessoa.
Se arrastou pelo banco, inclinando o corpo quando abraçou o do moreno pela lateral.
ㅡ Sinto muito por isso, bebê. Sinto muito…
ㅡ Tudo bem. ㅡ Calleo respirou fundo. ㅡ é por isso que estou confuso. Eu não quero nada dele, mas se ele realmente teve condições de ajudá-la, de nos ajudar, porque ele não fez?
ㅡ Você precisa saber melhor sobre tudo isso, Calleo. Fale com sua mãe, pergunte a ela sobre isso.
ㅡ Tenho medo, Minie. Faz uma semana que ela fez uma cirurgia de transplante, e se isso de alguma forma fazer com que ela piore? Eu não quero isso. Ela está indo tão bem…
ㅡ Tudo bem, então a gente espera e pensa um pouco melhor. Mas ela deve saber mais sobre esse assunto.
ㅡ A gente? ㅡ Calleo falou junto a um riso soprado, voltando a unir os dedos aos do namorado.
ㅡ É claro. Eu quero te ajudar nisso. E não é porque eu sou um curioso, mas é porque eu estou vendo claramente como isso está te deixando instável, como mexe com você. E se eu te amo, eu preciso cuidar de você do jeitinho que isso acabe, estou errado?
Calleo sorriu, negando.
ㅡ Não está, meu bem.
ㅡ Que bom. ㅡ Minjae se esgueirou e deixou um beijo sobre os lábios desenhados do Hwang. ㅡ agora precisamos ir. Você é um gerente agora, precisa mostrar pontualidade.
ㅡ Tudo bem. ㅡ disse, aprumando o peito quando respirou fundo e deixou o ar sair com tranquilidade. ㅡ obrigado por estar comigo, Minie.
ㅡ Obrigado por ser um namorado tão fofinho que sinto vontade de morder. ㅡ Brincou, mordendo a beirada do queixo dele com leveza, antes de voltar para o banco do motorista. ㅡ Amo você, Calleonie.
ㅡ Amo você, Minjae.
[...]
Depois que chegou à cafeteria junto a Minjae, Calleo cumprimentou todos que já estavam ali, inclusive os novatos.
Minjae até mesmo entrou e cumprimentou-os também. Conversou um pouco com Hajun e Suk e depois partiu, informando que iria pela primeira vez depois da morte de seu avô, retornar para a aula de dança.
ㅡ Hoje temos entrega de café, certo? ㅡ Hajun perguntou a Calleo, que já estava na parte de trás reservada para que pudesse conferir os pedidos.
ㅡ Sim. E de açúcar e leite também. Aqueles pãezinhos de mel que pedimos da outra vez para experimentarmos, é para pedir novamente, certo?
ㅡ Ah, claro. Aquilo vendeu como água no calor do verão.
Calleo riu, mas anotou junto aos demais pedidos.
Seus olhos desviaram para o centro da loja e seu sorriso aumentou quando viu os outros novatos atendendo outras mesas, sempre sob o olhar vigilante de Jung Suk.
ㅡ Eles aprenderam rápido, hyung. ㅡ Calleo comentou com Hajun, deixando a caneta sobre a prancheta. ㅡ Seyon parece mais a vontade.
ㅡ Ela está. ㅡ Hajun sorriu. Sentia-se contente que a garota que aparentava estar tão triste, tivesse agora a sua mente ocupada com outra coisa.
Seyon já havia tentado trabalhar numa padaria antes de estar ali. A mesma que Calleo havia lhe encontrado, mas não passou mais que três dias no lugar. Seu jeito quieto, reservado, não agradou a dona do estabelecimento. E como Seyon não sabia fingir sorriso, e muito menos tinha o desejo de fingir, ela não quis implorar por aquela oportunidade. Mas pareceu certo quando, um dia depois, Hajun lhe parou no portão de casa e ofereceu o trabalho como atendente.
O rapaz queria ver a garota melhor, livre do sentimento de solidão que tinha a percepção e quase certeza que ela exalava devido à morte de sua mãe.
E como precisava de mais duas pessoas, resolveu levar também Seonghu, de apenas dezessete anos.
ㅡ Quantos anos ela tem? ㅡ Calleo perguntou.
ㅡ Dezenove. É a mais velha dentre os dois.
ㅡ Você quer que eu ajude com algo? Eu posso ensinar eles com a máquina de café. Ainda há muita coisa para eles aprenderem.
ㅡ Bom, você precisa perguntar ao Suk. Ele vai saber melhor quem ele irá querer mexendo nas máquinas sem causar um acidente.
Calleo se ergueu, sorrindo para alguns clientes que estavam nos bancos que ficavam em frente ao balcão e buscou por Suk.
ㅡ Qual deles eu ensino usar a máquina? ㅡ perguntou, virando-se de costas para a loja.
ㅡ Com certeza a Seyon. Seonghu é muito desastrado, ainda precisa ganhar mais confiança e só então, partir para os cafés.
Calleo riu, mas assentiu.
ㅡ Seyon-saeng. ㅡ chamou pela garota. A garota acaba de entregar um pedido no balcão, mas levou sua atenção inteiramente para Calleo. ㅡ o que tem aí? ㅡ perguntou referente ao pedido.
ㅡ Um Macchiato, um expresso duplo, seis macarons e uma fatia da torta de morango.
ㅡ Certo. ㅡ Calleo buscou o pedido e notou a letra super organizada da garota. ㅡ venha aqui. ㅡ a chamou.
Seyon foi para trás do balcão e parou ao lado de Calleo.
ㅡ Você precisa sempre fazer a bebida primeiro, tudo bem?
ㅡ Eu vou fazer às duas?
ㅡ Claro, é fácil. E você é esperta.
Calleo sorriu com o sorriso que a garota lhe deu, ficando levemente de bochechas rosadas.
ㅡ Preste atenção. Para preparar o Macchiato, primeiro você precisa moer os grãos. ㅡ a garota se aproximou com seus olhos felinos aguçados. Sua atenção foi posta completamente. Calleo lhe mostrou a máquina menor, instruindo como era colocado os grãos ali. ㅡ mas como já temos grãos moídos, não precisamos por agora, ok?
ㅡ Certo. ㅡ ela sorriu outra vez, vendo Calleo buscar a quantidade suficiente para a xícara que ele já havia reservado. ㅡ Após colocar, é só esperar.
ㅡ É fácil. ㅡ Seyon riu.
ㅡ Pois é. Mas a parte difícil vem depois.
Seyon observou-o preparar o líquido com rapidez, depois, buscou leite integral e lhe instruiu a posição que a mão deveria ficar ao despejar o líquido.
ㅡ Tem certeza, oppa? Eu posso estragar o café do cliente…
ㅡ Você vai conseguir. ㅡ incentivou-a.
Seyon deixou outra vez sua atenção naquilo. Nem sequer ousava piscar. Deixou o leite cair com muita vagareza, Calleo havia lhe instruído a fazer daquele modo para que o café não se misturasse.
A garota finalizou com lentidão, deixando a xícara sobre a bandeja.
ㅡ E então? ㅡ olhou para o moreno cheia de expectativas.
ㅡ Nada m*l. ㅡ ele sorriu em aprovação. ㅡ canela?
ㅡ Ah, não, não. Ela disse sem canela.
ㅡ Tudo bem. Então vamos para o próximo. No expresso duplo, não há segredos também. Você vai precisar de duas xícaras com medida de um expresso. ㅡ Calleo buscou-as, deixando sobre a outra máquina de café. ㅡ Sempre que for expresso, use essa máquina. A pressão dela é mais correta, e também é mais rápida. Para que o expresso saia bom, é bom você equilibrar as doses. Você lembra quanto de café a gente usa para fazer um expresso?
Os olhos de Seyon ergueram-se, fitando o rosto sereno de Calleo. Mas sua cabeça assentiu.
ㅡ Duas medidas.
ㅡ Exato. ㅡ Calleo sentia-se orgulhoso. ㅡ por tanto, como seria dois expressos, não colocamos quatro, mas sim quatro e meia.
ㅡ Porque colocar mais? ㅡ a curiosidade estava estampada no rosto da garota.
ㅡ Para o gosto ficar mais concentrado, deixando assim, que o cliente sinta as notas presentes e também aprecie o gosto do óleo natural, que não é muito dissipado, devido a pouca quantidade de água, entendeu?
ㅡ Mas, como uma medida comum de expresso é quarenta mililitros, o duplo continua sendo oitenta, certo?
ㅡ Exato. Agora tente.
Calleo se afastou, dando-a espaço. Seus braços estavam cruzados, analisando a garota que trabalhava a sua frente.
Seyon fez tudo do modo que havia lhe sido instruído. Terminou o preparo da bebida e olhou para o gerente. Calleo apenas assentiu, pedindo para que ela prosseguisse.
Buscando uma nova xícara, a garota depositou o líquido, organizando a bandeja e buscando os quitutes pedidos no fim.
ㅡ Muito bom. ㅡ ele se aproximou. ㅡ você se saiu muito bem, Seyon.
A garota segurou a bandeja do modo em como Suk havia lhe instruído também, e partiu para a mesa que havia atendido.
ㅡ Você também é um ótimo instrutor, Calleo. ㅡ Hajun voltou a se aproximar.
ㅡ Minie disse que eu era o melhor. ㅡ brincou, vendo o amigo rir.
ㅡ Bom, de fato.
ㅡ Mas agora eu preciso ir à cozinha, hyung. Tem algumas louças que precisam ser lavadas.
ㅡ Pode deixar que eu faço isso. E eu andei pensando, acho que vamos precisar de uma pessoa só para esse trabalho. Você notou como o movimento está maior, não é?
ㅡ Claro que notei, hyung. Estamos indo bem.
ㅡ No início do ano eu vou começar a estudar, o que significa que só Suk, Seyon e Seonghu ficarão aqui para atender.
ㅡ Eu também posso atender.
ㅡ Seu trabalho não é esse, Calleo. Há mais coisas para resolver, e, acredite, é diariamente… Não posso arriscar deixar o novo prédio que será ainda maior, com apenas dois atendentes porque o terceiro estará lavando a louça.
ㅡ Mas então, você vai contratar de imediato?
ㅡ Ainda não. Eu posso segurar as pontas por enquanto, mas antes de sair sim. Principalmente no fim de ano, você sabe como as cafeterias lotam nessa época fria. Além de turistas.
ㅡ É, e a sua ideia de misturar livros e café, com certeza atrairá turista.
ㅡ Pois é. Mas por falar nisso, eu preciso te explicar como serão os pedidos de livros. Você precisará criar uma planilha para todo final de mês, me indicar qual gênero estará vendendo mais, assim eu posso pesquisar um melhor fornecedor e um maior desconto dependendo da remessa.
ㅡ Tudo bem, hyung. Eu vou tentar me organizar bem.
ㅡ Não se preocupe, falei com papai e achamos que você merecia um escritório. Não será nada muito grande ou muito organizado, mas vamos dar um jeito.
ㅡ Mesmo? ㅡ as sobrancelhas de Calleo estavam erguidas. Não imaginou que seu novo cargo seria tão extenso e importante ao ponto de ter um escritório.
ㅡ Você vai precisar de um local bom para planejar novas ideias, para lidar com os problemas que podem vir a acontecer e para se concentrar nas notas e pedidos.
ㅡ Isso é… minha nossa, hyung…
ㅡ Eu sei que parece muito, mas até dezembro, eu vou poder te ajudar, então sem pânico, ok? ㅡ Sorriu companheiro. Calleo apenas assentiu, confiando-se naquele tempo para aprender a ser um bom gerente. ㅡ mas então, como está tudo com você e sua mãe?
ㅡ Está bem. Eu fui visitá-la ontem, ela ficou feliz quando eu contei sobre a promoção.
ㅡ Mesmo? Ela já está podendo comer bolinhos? Eu sei que ela gostou do de abacaxi, não foi?
ㅡ Ah, sim. Mas ela agora não está podendo comer nada além da sopa sem sal que dão no hospital, mais uma gelatina verde sem açúcar. Ela reclama demais.
ㅡ Imagino.
ㅡ Quando estivermos em casa, ela precisará passar por uma dieta mais centrada. Não é nada de proibições, sabe? Mas o doutor Kim foi bem claro quanto às quantidades e qualidades.
ㅡ E será que ela vai levar de boa?
ㅡ Eu acho que sim, hyung. Ela ganhou uma segunda chance, está viva e sem câncer. Isso não é nada comparado a viver com aqueles tratamentos intensos que estavam matando ela tanto quanto o câncer.
ㅡ E você já encontrou uma nova casa para alugar?
ㅡ Ainda não. Minie disse que tem o contato de alguns corretores, vamos dar uma olhada em algo ainda essa semana.
ㅡ Não se preocupe quanto o seu salário, tudo bem? O pagamento ocorrerá no primeiro dia útil.
ㅡ Obrigado por ser um bom patrão. ㅡ brincou, vendo o outro revirar os olhos. ㅡ mas e você? Vai finalmente fazer o pedido ao Theo?
ㅡ Acho que sim. Mas nós já nos consideramos namorados de qualquer forma. ㅡ contou, suspirando. ㅡ as vezes me pergunto se isso não está indo rápido demais.
ㅡ Hyung, veja só eu e Minjae. Estamos tão rápidos quanto você e Theodoro, mas mesmo assim, não negamos que estávamos sentindo algo forte demais para ficar na incerteza se daria certo ou não.
ㅡ Mas eu tenho medo de fazer tudo certinho, mas no fim, estragar.
ㅡ Acredite ou não, eu e Minie estamos fazendo duas semanas de namoro se você contar com o beijo que ele me deu no dia da festa da casa de Jihye, e uma semana a contar de toda aquela bagunça que ocorreu. Ontem discutimos por causa de classes sociais diferentes, e no meio da discussão, Minjae falou que me amava. Então, não pense nisso também. Os relacionamentos tendem a ser bagunçados uma hora ou outra, o nosso só está começando desse modo, no fim possa ser que nem exista um fim real e a gente morra juntinhos e velhos com os nossos namorados.
Hajun riu.
ㅡ Então acho que eu realmente deveria pedir Theodoro em namoro.
ㅡ Claro que sim.
ㅡ Compre chocolates. ㅡ Suk se intrometeu na conversa, fazendo os outros sorrirem. ㅡ ele tem aquele jeitinho fofo dele, com certeza adora chocolates.
ㅡ Na verdade, ele disse que não é muito fã, mas ele adora aquelas balas esguias com açúcar, sabe?
ㅡ Ah, eu sei. Minie tinha um estoque daquelas em casa. Comemos três pacotes inteiros ontem.
ㅡ Mas vocês não estavam discutindo? ㅡ Hajun não entendia mais nada daqueles dois.
ㅡ Sim, hyung, mas foi depois do “eu te amo”, poxa. A gente assistiu ao filme do Homem de Ferro porque eu estou apresentando os filmes da Marvel na sequência correta para ele, e então, ele quis comer doce para a gente não… sabe…
ㅡ Acabar se pegando? ㅡ Suk riu, mas Calleo assentiu. ㅡ caramba, porque você preferiu comer doce ao invés de fazer um sexo gostoso com o seu namorado?
ㅡ Porque, hyung, seria a… ㅡ e o Hwang aproximou o corpo dos outros dois para sussurrar. ㅡ a minha primeira vez. Não queria que fosse depois de uma discussão.
ㅡ Mas poderia ser depois do eu te amo! ㅡ Suk arregalou os olhos. ㅡ seria romântico a beça.
ㅡ Acho que eu estava nervoso demais para isso. Mas vai rolar quando tiver que rolar.
ㅡ É verdade. Foi assim com Yejun e Jihye. A gente deixou rolar e rolou umas três vezes já.
ㅡ Três? Como assim? Eu pensei que a primeira vez tivesse sido no domingo!
ㅡ Domingo? ㅡ Hajun franziu o cenho olhando para o Jung.
ㅡ É, depois da nossa reunião eu fui até o mercado e comprei um vinho. Mandei uma mensagem para Jihye avisando que queria me divertir e convidei Yejun para participar. E se você quer saber ㅡ seus olhos voltaram para Calleo. ㅡ a primeira vez foi no domingo sim. Ao menos com os dois ao mesmo tempo.
ㅡ Ao mesmo tempo? ㅡ Hajun parecia surpreso.
ㅡ É. ㅡ respondeu com tranquilidade.
ㅡ E… como que é? ㅡ Calleo tinha os olhinhos redondos tão arregalados e surpresos quanto a Kim Hajun.
Ambos esperando por uma resposta.
ㅡ Ah… é bom demais. Dá para fazer muita coisa, nunca dá para descansar, enquanto um vai, outro vem. É muito, muito bom. Sem falar que aqueles dois não tem vergonha de nada, então acabou que todo mundo se aproveitou nessa festa. A primeira vez aconteceu à noite, a segunda de madrugada, e a terceira foi gostosinha e ao amanhecer, só para matarmos a saudade que já sentíamos.
ㅡ Então você não está com saudade? ㅡ Hajun cruzou os braços musculosos, olhando para o amigo enquanto tinha um sorrisinho que dizia muitas coisas em seus lábios.
ㅡ É claro que eu tô. Se eu pudesse, foderia com aqueles dois todas as noites.
Hajun riu enquanto Calleo negava. Estava cada vez mais habituado à transparência de Jung Suk. E convivendo diariamente com Yejun em sua casa, tudo ficava ainda mais tranquilo.
Ao final do expediente, Calleo se despediu de cada um dali, seguindo diretamente para o ponto de ônibus.
Parecia sua rotina comum de quando ia visitar sua mãe no hospital, mas sentia-se bem ao fazer aquele trajeto sabendo que logo, logo, Amelia receberia alta e ele poderia sair do trabalho direto para a sua nova casa.