Capítulo 14:

2521 Palavras
Ashlyn   Foi triste voltar para casa depois de um fim de semana incrível na praia. Eu tinha certeza que ia levar uns dias para me desacostumar a acordar na mesma casa que Garrett e meus amigos. Assim que descemos do táxi já dentro do alojamento da faculdade, meu sorriso sumiu. Adam estava sentado no chão, as costas apoiadas na parede do prédio. Assim que me viu ele se levantou. - Meninas! - sorriu. Larguei minha mala de mão no chão e me aproximei dele. - O que você ta fazendo aqui? - Quero falar com você, estou há dois dias vigiando seu apartamento. - respondeu. - Você ficou maluco? - cruzei os braços. - Sai daqui agora! - Não até você me escutar. - ele se aproximou. - Meninas vocês levam minha mala lá pra cima, por favor? Eu prometo que não vou demorar. - Tudo bem! - Hilary assentiu, pegou minha mala e passou por mim. - A gente ta logo aqui em cima, qualquer coisa grita. - Scar respondeu. As duas destrancaram o portão e subiram as escadas que davam para o nosso andar. - Você tem cinco minutos! - encarei Adam quando ficamos sozinhos. - Por que você não quer voltar comigo Ash? - De novo essa pergunta? - cruzei os braços impaciente. - Pra começar eu não amo você e acho menos ainda que você me ama! Em segundo lugar eu só namorei você de tanto que meus pais insistiram, porque eles achavam que você era o cara certo pra mim, mas eles se enganaram e eu me enganei. - Tem outra pessoa não tem?! - ele se aproximou. - É claro que não! - É o Garrett não é?! - ele agarrou meu braço me assustando. - Fala a verdade, você ta de casinho com ele não ta? Vocês sempre estiveram juntos né? Por isso ele te defendeu na festa, por isso você terminou comigo. - ele apertou meu braço. - Fala a verdade, você já deu pra ele, não deu? - Me solta! - puxei meu braço com força. - É exatamente por isso que eu não volto com você, seu grosso, e******o e ignorante. Eu não terminei com você por causa do Garrett, eu só me livrei de um relacionamento que não estava me fazendo feliz, você nem sequer se importa comigo. - Eu vou te fazer um favor, vou te dar um conselho, mesmo você não merecendo. Garrett vai usar você! - É mentira sua, a gente é amigo, ele... - Ele não sabe o que é ser amigo de mulher Ash, será que você é tão ingênua assim? Ele me odeia, ta na cara que ele só virou seu amiguinho pra t*****r com você e depois espalhar pelos quatro cantos que ele conseguiu tomar você de mim. E sabe por que ele ainda conversa com você? Porque assim que conseguir se enfiar no meio das suas pernas, ele vai chutar você pra longe e espalhar pra faculdade inteira que te comeu e que você se apaixonou por ele e por isso terminou comigo. Ai ele vai chegar em mim e dizer que eu posso ficar com o resto, só que de tão usada que você vai estar nem eu vou querer saber de você. Minha mão voo na cara de Adam impulsionada por suas palavras. - Você é um cretino! - o encarei com os olhos marejados. - Isso é uma coisa que você faria, não o Garrett. Nunca, nunca mais você chega perto de mim, fala comigo ou olha pra mim entendeu? Você pode queimar no inferno que eu não vou me importar. Dei as costas pra ele e subi as escadas correndo. Passei como um tiro pelas meninas e fui pro quarto. - Ash você ta bem? - Scar perguntou entrando no quarto. - Eu vou ficar! - respondi abraçada a meu travesseiro, de costas para elas. - Desculpa, mas a gente ouviu algumas coisas que ele disse pra você. Você não terminou com ele por causa do Grahan né? - Hilary perguntou. - Não, não foi por causa dele, o que deu em vocês para acharem isso? - me virei pra elas. - Nada é que, sinceramente Ash, o Adam pode ser um escroto, mas tem lógica o que ele disse. - Scar respondeu. - Você já viu o que acontece quando esses dois se encontram, o quanto eles se odeiam e ai do nada Garrett escolhe você, justo você, a namorada do pior inimigo dele para virar amigo? E se ele realmente ta fazendo tudo isso só pra te levar pra cama e espalhar pra faculdade inteira que você largou do Adam por causa dele? E se disser pra todo mundo que vocês transaram e por isso você e Adam terminaram? - Ele não vai fazer isso! - defendi. - Sinceramente Ash, se ele fizesse, não seria a primeira vez. - Hilary suspirou. - Uma vez ele brigou com um cara e esse cara tava ficando com uma menina. Garrett transou com ela só pra esfregar na cara desse rapaz. Ele nem se importou se a garota ia se sentir humilhada, ele simplesmente chegou pro cara e disse na frente dele e dos amigos: comi a sua mina, parece que seu p*u não deu conta de satisfazê-la! - Ele não vai fazer isso comigo, vocês vão ver. - Tomara que não faça mesmo! - Scar respondeu. - Me deixem sozinhas, por favor. Hilary assentiu e saiu puxando Scar pela mão. Abri a gaveta da cômoda e peguei meu porta joias de lata. Fui até minha bolsa e de dentro dela tirei os dois anéis de chaveiro que Garrett havia me dado. Abri a lata, coloquei os anéis ali e encarei os outros que já tinha ganhado. Adam e minhas amigas estavam erradas, Garrett gostava de mim, eu era diferente pra ele. Se ele quisesse só t*****r comigo tinha feito isso na noite que dormi em seu apartamento, quando ficamos sozinhos no quarto, lá na casa do Miguel ou na boate. Mas em todas as ocasiões ele parou. Me lembrei da festa que iriamos sábado, talvez fosse bom mostrar pra todo mundo que estávamos juntos. Garrett e eu íamos provar para todos que ele tinha mudado.   A semana transcorreu normal e ajudou a melhorar meu mau humor. Como eu não acreditava nas palavras das minhas amigas e de Adam, não comentei nada com Garrett nas poucas vezes que nos vimos. Era uma sexta-feira, eu estava na biblioteca fazendo um trabalho que meu professor passou para entregar na segunda-feira. Eu não tinha certeza se ia conseguir fazer algo no sábado e domingo eu já sabia que estaria ocupada. Em um dos nossos encontros rápidos pela faculdade, Garrett deixou muito claro que iria ficar comigo o dia todo no domingo. Já que iriamos assumir no sábado que estávamos juntos, ele queria passar o domingo ao meu lado, para compensar a semana que nos vimos às pressas. Reconheci o perfume dele e sorri quando suas mãos taparam meus olhos, exatamente como ele fez uma certa vez. Naquele dia eu ainda acreditava que éramos só amigos. - Advinha quem é?! - Alguém que deveria estar se controlando e não estar aqui, como me achou? - puxei suas mãos e me virei. Os lábios dele cobriram os meus sem me dar tempo de fazer qualquer outra coisa. Entrelaçando seus dedos nos meus, ele me puxou até que eu estivesse de pé, então seus braços se fecharam em torno de mim. Suspirando agarrei seus cabelos, enquanto minha língua e a dele se provocavam. Meu coração parecia que ia sair pela boca e meu estômago parecia ter virado um criadouro de borboletas. Antes de se afastar Garrett mordeu e lambeu meu lábio inferior, do jeito que me deixava toda derretida e ansiosa por mais. Respirei fundo tentando me recuperar. - Como você me achou? - Esperei você sair da sua sala e quando não te vi, me disseram que você tinha vindo pra cá. - Você não devia ter vindo seu maluco. - sorri, apesar de estar adorando vê-lo. - E quem disse que eu estou aqui? - sorri. - Vem comigo! Garrett me puxou pela mão e me guiou por um dos corredores. - Meu material! - Relaxa meu anjo, ninguém vai roubar seu material. Ele subiu as escadas que davam paro terceiro andar da biblioteca. Ali nenhum aluno frequentava e era usada como um depósito de livros e trabalhos bem antigos. Seguimos em frente por um corredor, avistei uma porta onde lia-se acervo de monografias. Garrett abriu a porta e quando entramos ele a trancou. A sala era pequena, mas cheia de estantes, em cada prateleira havia um ano e vários trabalhos organizados. Como a própria placa indicativa, ali estavam guardados os trabalhos de conclusão de curso dos alunos. Garrett puxou minha mão e me levou até o fundo da sala. Antes que eu tivesse tempo de processar alguma coisa seus lábios estavam contra os meus e seu corpo me pressionava de encontro a parede. Por mais que eu soubesse que aquilo era uma maluquice, não resisti e afundei meus dedos entre os cabelos dele. Não era só falta da presença de Garrett que eu sentia. Eram dos seus beijos, do jeito como ele me olhava e falava comigo, e o jeito como eu me sentia quando estava com ele. Feliz, em paz comigo mesma e com o mundo à minha volta. Quando eu me encontrava com ele, meu dia parecia ficar literalmente cor de rosa, nada conseguia estragar o bom humor que eu sentia. Era uma alegria tão grande que eu tinha vontade de sair compartilhando com todo mundo. Seus lábios desceram pelo meu queixo, mordiscando minha garganta e chegando ao meu pescoço. Fechei os olhos e inclinei a cabeça pra trás. Por mais errado que aquilo parecesse, por mais que eu tivesse medo de alguém nos pegar ali, eu não era capaz de interrompê-lo e agradecia quando ele parava. Acho que se dependesse de mim eu não teria força de vontade o suficiente pra resistir e já teria me entregado à ele. Suas mãos apertaram minha cintura e ergueram minha blusa, me remexi de encontro a ele quando seus dedos, um tanto vacilantes, tocaram minhas costelas. - Nossa Ash! - ele ofegou no meu ouvido. - Se você soubesse o que eu to com vontade de fazer com você... Não sei mais se eu dou conta de parar se isso aqui começar a ir muito longe. - Como você sabia dessa sala? - perguntei numa tentativa de distrair nós dois. Garrett respirou fundo e se sentou no chão, as costas escoradas na parede. Afastou as pernas e apontou entre elas pra que eu me sentasse. Sorri e me ajeitei entre as pernas dele. - Acredite em mim eu nunca trouxe nenhuma garota aqui. - ele fechou seus braços em volta de mim. - O que acontece é que já entrei aqui outras vezes e sempre vi que a chave fica na porta, sempre para o lado de dentro. Quando estava vindo pra cá te encontrar esse pareceu um lugar perfeito para ficarmos um pouco juntos. Agora sou eu quem não quer que ninguém nos veja. - Ah é, e por quê? - sorri, virando o rosto pra ele. - Porque quero fazer uma surpresa para todo mundo amanhã, se as pessoas acharem que a gente ta junto, o boato se espalha e amanhã já vai estar todo mundo sabendo. - É acho que nisso você tem razão. - sorri. - E se essa fofoca chega aos ouvidos do meu primo, ele vai ficar puto comigo. - E as minhas amigas então, não vão me perdoar nunca. - respondi. - A gente não tinha se dado conta disso, mas amanhã vai fazer uma semana que ficamos naquela praia. - É verdade! - sorri. - A nossa comemoração vai ser ir pra essa festa e vai se preparando porque tenho uma surpresa pra você. - Que surpresa? - virei meu corpo, de modo que fiquei totalmente de frente pra ele. - Isso eu não posso contar, é surpresa. - sorriu dando de ombros. - Ah você não devia ter me dito nada então. Grahan isso não se faz. Garrett se inclinou e me beijou. - Se amanhã você não mudar de ideia, vai saber que surpresa é essa. - Vamos jogar o jogo das 21 perguntas? Eu começo! - sorri. - Qual é a surpresa para amanhã? - Não é assim que funciona, o jogo tem regras e não pode ser usado para fazer a pessoa contar algo que não quer. Você está trapaceando, anjo. - ele ergueu as sobrancelhas. - Me conta, por favor! - Nada disso e se você insistir a gente vai embora. - respondeu estreitando os olhos. - Chantagista de uma figa! - Suspirei cruzando os braços, não ia ter como argumentar. Ele não ia abrir a boca. Essa infelizmente eu tinha perdido.     Garrett   Voltei pro apartamento ainda dando risada do meu encontro às escondidas com Ashlyn. Oliver estava deitado e todo esparramado no sofá quando entrei. - Que folga hein? - Onde você estava? - Com uma gatinha, o que você acha? - respondi. - E o que aconteceu com você pra não trazer mais nenhuma garota aqui pro apartamento? - Sei lá, quem sabe uma hora dessas não trago alguém. - dei de ombros. - Você ta muito estranho. - Oliver estreitou as sobrancelhas do jeito que fazia quando estava desconfiado. - Impressão sua, não queira usar sua intuição feminina porque você não tem isso. - provoquei. - Vai se f***r, Grahan. - ele mostrou o dedo pra mim. - É mais gostoso f***r alguém, ainda mais sendo uma garota. - dei risada. - Você não presta! Dei as costas pra ele dando risada e entrei no meu quarto. Tranquei a porta pra não correr o risco dele entrar e vir me encher. Abri meu armário e da última gaveta, escondida embaixo das minhas roupas, tirei uma caixinha preta. Quando a abri, ri sozinho ao ver um anel de chaveiro. Ash ficaria p**a comigo quando visse aquilo, mas o que ela não sabia é que ganharia uma aliança de namoro logo em seguida. É exatamente o que estão pensando. Ashlyn está achando que amanhã vamos contar pra todo mundo que eu e ela estamos juntos, como ficantes, mas a coisa será bem mais séria. Quando todo mundo ficar sabendo que estamos juntos, eles terão a prova de que ela não é qualquer uma. Não vou apresentar mais uma à eles amanhã, mas sim a minha namorada. E só depois que a aliança que comprei estiver no dedo de Ashlyn é que vou avançar o sinal com ela. Foi uma ideia que me ocorreu no início dessa semana. Se eu tinha que fazer por merecer para poder t*****r com ela, então era o que eu faria. Foi só por isso que eu estive me segurando em todas as ocasiões que estivemos juntos. Quando Ash e eu transarmos, não vai ser num lugar desconfortável, com riscos de qualquer um nos pegar. Vai ser no lugar certo, como os namorados fazem.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR