Capítulo 32:

2641 Palavras
Ashlyn   Depois de ser praticamente obrigada por Scarlett e Austin, eu voltei para o alojamento, tomei um banho, mas não consegui comer nada. Minha cabeça estava voltada para minha amiga. A campainha tocou e suspirei sem fazer ideia de quem poderia ser aquelas horas. Abri a porta e tomei um susto, quando vi Garrett na minha frente. Sua roupa amarrotada estava suja de sangue, os cabelos bagunçados e as mãos apoiadas nas muletas estavam vermelhas a ponto de estarem sangrando em alguns lugares. - O que aconteceu com você? - Posso entrar? Assustada com o estado dele, não consegui falar não e dei passagem para ele. Garrett atravessou a sala se apoiando nas muletas, ver ele assim e pensar no que poderia ter acontecido me dava um aperto no peito. - Você não respondeu minha pergunta. O que aconteceu com você? - Isso foi resultado do meu encontro com o Adam. - ele respondeu se encarando e depois me encarou. - Por que você não me falou que ele estava te ameaçando, Ash? Arregalei os olhos. Como ele estava sabendo da ameaça? - Eu não sei do que você está falando. - menti. - Você sabe sim, Scar ouviu você conversando com o Austin. Ela me contou tudo Ash. - Por favor Garrett, vai embora. - corri até a porta e a abri. - Não até você me confirmar essa história. - veio até mim e fechou a porta. Mordi o lábio inferior e o encarei, o que eu ia fazer? Scar tinha me escutado e agora ela, Garrett e Austin sabiam de tudo. Não ia adiantar eu continuar mentindo. Abaixei a cabeça e comecei a chorar. - O que ele fez com você? - Garrett segurou meu queixo e me fez olhar para ele. Abracei Garret e no mesmo momento ele largou as muletas, se escorou na parede e me abraçou de volta. - Me perdoa! - solucei. Garrett acariciou meus cabelos e o abracei com ainda mais força. - Me diz que você estava mentindo aquele dia, fala para mim que eu não me enganei Ash. Me soltei dele e enxuguei o rosto. - Legal seria a última palavra que usaria pra definir aquele dia Grahan. - ele sorriu ao ouvir minhas palavras. - Eu sabia que não tinha sido burro o bastante para me enganar com você. - ele acariciou meu rosto e eu suspirei, fechando os olhos. - Me conta, o que aquele i****a fez aquele dia? - Depois que eu fiz a prova eu voltei para casa e Adam já estava aqui. Ele deu um jeito de entrar e estava no meu quarto... - suspirei. - Ele destruiu meu projeto de iniciação científica e encontrou os anéis de chaveiro que você me deu. Ele soube que você saiu de madrugada, então eu não podia mais negar e confessei tudo pra ele, disposta a terminar aquele namoro. Só que ele me ameaçou, disse que nunca ia deixar eu ser feliz com você. Garrett foi ficando cada vez mais sério conforme eu falava, suas mãos apertavam as minhas e aquilo me dava a força que eu precisava. - Eu não acreditei e ai ele fez uma chamada com vídeo mostrando o prédio da Hilary e do Ben, uns caras estavam esperando eles. Ele disse que estava na minha mão, que se eu não concordasse, os caras iam cercar os dois e.... - Já entendi! - Garrett assentiu e levou minhas mãos até os lábios. - Por isso você concordou com ele? Assenti de cabeça baixa. - Ir no seu apartamento e te falar aquelas coisas foi a coisa mais difícil que eu fiz. Eu queria te contar a verdade, te dar algum sinal de que tudo que eu estava falando era mentira, mas eu não sabia como fazer isso. Tinha medo de que se eu te contasse você fosse atrás dele e depois ele se vingasse... Eu fiquei chorando no meu quarto depois do nosso encontro, eu estava me sentindo morta, com medo de você estar me odiando e nunca mais me perdoar. Foi aí que eu fiquei sabendo do seu acidente. Garrett me puxou para perto dele e o abracei, encostando a cabeça em seu peito. - Eu achei que o Adam tinha armado e ele me garantiu que não, mas jurou que se eu não continuasse com ele, daria um jeito de acabar com você enquanto ainda estivesse internado. Você não sabe o que foi para mim te ver naquele hospital em coma, sabendo que a culpa era minha. Garrett roçou os lábios pela minha testa, suas mãos apoiadas na minha cintura estavam contraídas. - Ele continuou te ameaçando? - ele perguntou sério demais e eu assenti. - O que mais ele te obrigou a fazer além de limpar aquele apartamento para ele? - Garrett me fez encará-lo, vi em seus olhos que ele estava com medo da minha resposta. - Só isso, graças a Deus ele não encostou a mão em mim. Só ficava me humilhando e me fazendo de empregada dele. - achei melhor omitir a parte da Maggie, afinal ela e Garrett eram primos. - Isso aqui foi ele quem fez, não foi? - ele me encarou nos olhos, roçando os dedos pela minha boca. Abaixei a cabeça com vergonha e assenti. - Desgraçado eu devia ter batido mais nele. - deu um soco na parede. - O que você fez? - o encarei assustada. - Fiquei esperando aquele desgraçado aparecer no prédio dele e tivemos uma conversinha. Depois de hoje ele nunca mais vai chegar perto de você. - ele acariciou meu rosto. - Garrett você não está entendendo, se eu ficar com você... - Ele vai ter que passar por cima de mim se quiser encostar um dedo em você. Adam é um covarde Ash, porque ele não veio fazer ameaças para mim? Por que ele foi para cima de você, ao invés de mim? Mordi o lábio inferior com medo de encontrar Adam e ter que voltar para aquele inferno. - Porque ele é um filho da p**a, covarde. Ele sabe que não tem a menor chance comigo, se você visse o que eu fiz com ele com essa perna quebrada. - Ele vai querer se vingar Garrett. Pode usar você ou a Hilary ou um dos nossos amigos. - Não se a gente parar ele primeiro. Você precisa denunciar ele, Ash. - Não posso fazer isso, não me pede pra fazer isso. - neguei com a cabeça. - Se ele fizer alguma coisa com você ou... - Eu duvido que ele vai conseguir fazer alguma coisa se estiver preso. - Garrett me cortou. - E chega dessa história de ficarmos separados, entendeu? Primeiro foi aquela d***a daquele m*l entendido na festa da fraternidade. Agora o Adam se metendo entre a gente, acabou. Você me ama, certo? Mordi o lábio inferior com medo de dizer que sim, mas com Garrett me olhando nos olhos daquele jeito não consegui segurar a verdade. - Sim, eu amo você. - assenti. - Ótimo, porque eu também amo você. - Garrett sorriu. - É sério? - arregalei os olhos. - Deixa eu te atualizar sobre uma coisa. - ele envolveu minha cintura e me trouxe pra mais perto dele. - Eu comecei a me apaixonar por você dentro daquele banheiro, enquanto fazia o curativo na sua mão e te fazia o jogo das 21 perguntas. - sorriu. - Aquele dia no parque, nossa aposta em cima daquela mureta, quando te apresentei minha Ducati, você dançando Bruno Mraz na minha cozinha e me defendendo do meu pai. Todas essas coisas contribuíram... E naquela viagem na casa do Miguel, quando te vi tocando violão, eu soube que estava perdido. Que tinha encontrado a garota pela qual eu ia ser capaz de dar a minha vida. Envolvi os braços em torno do pescoço dele e o beijei, sem conseguir mais aguentar. Ele gemeu e apertou os braços em volta da minha cintura, me colando à ele. Sua língua invadiu minha boca com urgência, me lambendo e foi a minha vez de gemer. Agarrei a camisa dele com uma mão e a outra puxei seus cabelos trazendo sua boca para perto da minha, beijando-o com desespero. O mundo lá fora tinha parado e só importava eu e Garrett dentro daquele apartamento. - Eu te amo! - afastei minha boca da dele, chorando de alívio por poder colocar aquilo para fora. - Me perdoa pelas coisas que eu te disse aquele dia, por não ter acreditado em você quando beijou aquela garota. Me perdoa por fazer a gente perder tanto tempo. - A culpa também foi minha por ter bancado o orgulhoso aquele dia. Eu devia ter te convencido que eu nunca te enganaria, que já tinha escolhido você há bastante tempo. - Eu achei que nunca mais ia ficar assim com você. Primeiro fiquei com medo de que você morresse, depois que nunca mais acordasse e nos últimas dias que você fosse me odiar pra sempre. Garrett me abraçou e agarrei a camisa dele. Pela primeira vez em praticamente um mês, me senti segura e completa de novo. E graças a Deus eu não estava mais sonhando. - Algumas coisas foram feitas para ficarem juntas Ash. Você e eu somos uma delas. Assenti não podendo concordar mais com ele e o beijei. - A gente se odiou, viramos amigos, brigamos e já ficamos tempo demais separados. Eu espero que você se acostume a este lugar. - apertou os braços em volta de mim. - Porque não vou deixar você vai sair daqui! Levantei o rosto pra encará-lo e pela primeira vez desde o dia do meu aniversário, sorri. - Quem te falou que eu quero sair daqui? Garrett sorriu gostando da minha resposta e puxou meu rosto para ele, me beijando.     Garrett   Depois da nossa conversa na sala, Ash e eu fomos para o quarto dela e deitamos na cama. Graças a Deus eu tinha boas lembranças da última vez que pisei ali e agora estava tendo a chance de ter novas boas lembranças. Já estava escurecendo e Ash estava exausta, tanto que apagou poucos minutos depois que a gente deitou. Eu também estava cansado, o dia tinha sido cheio de reviravoltas, mas apesar da exaustão física, minha mente estava em alerta. Rocei meus lábios pela testa dela Anahí e sorri satisfeito quando ela apertou o braço em volta do meu quadril e relaxou em seguida. Repassei o dia de hoje na minha cabeça. A raiva voltou quando lembrei que por culpa do i*****l do Adam, Ash e eu tínhamos ficado praticamente um mês separados. Que por causa dele, minha namorada tinha sido humilhada e agredida. Se eu não soubesse que há essa altura Adam estava todo arrebentado, eu teria sido capaz de me afastar dela e ir tomar satisfações com ele de novo. Puxei a corrente por baixo da minha camisa e sorri ao ver minha aliança. Deixei ela para fora da blusa, disposto a, a partir de amanhã usar ela no lugar certo. Eu vi uma parte da corrente embaixo da blusa de Ashlyn e puxei com cuidado, não querendo acordá-la. Sorri quando vi a aliança que eu tinha dado de presente à ela, realmente, Hilary não tinha se enganado. - Eu amo você, minha Emily. - sussurrei beijando sua testa e apertando meus braços em volta dela. Fechei os olhos e respirei fundo sentindo o perfume de Ash invadir meus sentidos e me acalmar. Que bom que eu não estava sonhando. Antes de dormir, prometi à nós dois, que íamos compensar todo o tempo que tínhamos perdido.   Acordei na manhã seguinte me sentindo bem comigo mesmo por ter acordado ao lado de Ashlyn. Resolvi deixar ela descansando mais um pouco e com cuidado, peguei minhas muletas e sai do quarto. Fui até a cozinha, larguei as muletas num canto e apoiando a perna engessada no chão, abri a geladeira e comecei a preparar alguma coisa para a gente comer. Quando acabei, encarei o par de muletas encostado na parede e a bandeja em cima da mesa. - E agora como vou levar isso para o quarto? - fiz careta. Peguei uma muleta, apoiei embaixo do braço e com a outra mão peguei a bandeja. Foi difícil equilibrar ela embaixo da minha mão, ainda mais porque estava um pouquinho pesada. - Acho que dá para chegar até o quarto. - sorri. De mau jeito, me equilibrando na muleta e equilibrando a bandeja na outra mão, sai devagarinho da cozinha e entrei no corredor. A bandeja se desequilibrou e quase cai quando tentei segurá-la. Infelizmente ela foi para o chão, os copos se quebraram e o que era para ser nosso café da manhã virou uma bagunça. - m***a! A porta do quarto de Ashlyn se abriu e ela apareceu, a carinha linda de quem tinha acabado de acordar. - O que aconteceu? - Eu ia te levar um café da mãe, d***a de perna engessada. - larguei minha muleta e me abaixei. - Deixa que eu te ajudo. - Ash sorriu e se abaixou, virou a bandeja e colocou os cacos de vidro nela. - Era pra ser uma surpresa. - resmunguei. - É nessas horas que eu queria arrancar essa porcaria. Ashlyn riu e puxou meu rosto para perto do seu. Quando me beijou, a raiva foi embora na mesma hora. - Não fica assim, adorei a surpresa. Amei acordar com o barulho da bandeja caindo. - brincou. - Ah claro. - resmunguei. Ashlyn riu negando com a cabeça e foi levar a bandeja para a cozinha. Me apoiei na muleta e consegui ficar de pé, encarei minha perna engessada meio que dando uma bronca nela. Quando voltei para a cozinha Ash estava refazendo nosso café da manhã. - Desculpa! - Tudo bem, senta. Toma o café, depois eu limpo o corredor. - ela sorriu. Ainda sem acreditar que estávamos juntos de novo, sentei e fiquei observando Ashlyn. Me inclinei no encosto da cadeira e cruzei os braços. - Pode tratar de tirar essa corrente daí e colocar essa aliança no lugar certo. Você é minha namorada agora! Ashlyn me encarou com um sorriso tímido no rosto, os olhos brilhando, totalmente diferente da garota que eu vi nos últimas dias na faculdade. Não era preciso dizer que meu ego estava inflado por saber que era eu quem estava fazendo isso com ela, deixando-a feliz. - Andou me espionando enquanto eu dormia? - ela brincou, levando as mãos atrás do pescoço. - Hilary me contou que viu a aliança com você no dia que desmaiou e ontem à noite fiquei curioso, precisava confirmar. - dei de ombros com meu melhor ar de inocente. Sorrindo ela se aproximou de mim, puxou minha mão e colocou a corrente com a aliança. - Por que você não coloca ela na minha mão? Me sentindo o cara mais f**a do mundo, tirei a aliança da corrente, puxei a mão de Ashlyn e deslizei o anel sobre o dedo dela. Ela não parava de sorrir e percebi quando seus olhos se encheram de lágrimas. - Isso está mesmo acontecendo? Ou eu apaguei no hospital e estou sonhando? - Está acontecendo sim. - puxei a mão dela e beijei. - Sua vez! - abri minha corrente e coloquei na mão dela. Ashlyn fez o mesmo comigo, tirou a aliança, deu um beijo nela e colocou no meu dedo. Nunca pensei que meu coração ia parecer explodir de tanta alegria por estar usando uma aliança de namoro. Envolvi meus braços em torno da cintura dela e a fiz sentar no meu colo. - Quais suas primeiras palavras como minha namorada oficial? - sorri. - Obrigada por ter me escolhido e... Eu te amo! - Ash sussurrou. - Eu também te amo! - respondi, puxando seu rosto para perto do meu e a beijei.
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