Capítulo 27:

2458 Palavras
Ashlyn   Cheguei ao hospital ainda morrendo de raiva pelo que tinha acontecido no apartamento de Adam, não entrava na minha cabeça as coisas que aquele i****a me obrigou a fazer. Eu estava pouco me lixando se ele queria ficar com Maggie, o que me dava nojo era o jogo baixo dele, usando-a para se vingar de mim. Passei direto pela recepção e quando abri a porta do quarto de Garrett finalmente consegui me acalmar. A raiva que eu sentia deu lugar àquela tristeza que não me deixava. Me aproximei da cama, segurei sua mão e fiquei acariciando seus dedos. - A faculdade está um saco sem você sabia? Sinto falta de trombar com você pelos corredores. - respirei fundo e abanei o rosto quando as lágrimas turvaram meus olhos. Dei as costas e troquei a flor que tinha deixado na tarde anterior por uma nova que eu havia comprado no caminho para o hospital. Não sabia que tipo de flor Garrett gostava, então achei que uma rosa branca seria uma boa opção. Quando voltei para perto da cama fiquei sem saber o que dizer. - Me perdoa, por favor! - supliquei acariciando seu rosto. - Você precisa acordar, precisa ficar bom e sair desse hospital. Quero ver o Garrett Grahan de antes. Encarei seu rosto me perguntando quando ele ia acordar, implorando a Deus que o mandasse de volta para mim e todas as pessoas que o amavam. Me inclinei sobre a cama e morrendo de vontade, o beijei. Seus lábios ainda eram quentes e macios como me lembrava, mas dessa vez faltou aquela emoção de estar sendo correspondida, de estar sendo beijada por ele. Me afastei, deitei a cabeça em seu peito e fechei meus olhos. Ouvir seu coração bater me acalmava. - Eu amo você! - sussurrei mesmo sabendo que ele não podia me ouvir. Senti uma mão mexer nos meus cabelos e quando levantei o rosto, encontrei os olhos esverdeados de Garrett me encarando. Me afastei e arregalei os olhos. - Vo... Você acordou! - sorri, ao mesmo tempo que comecei a chorar. - Ashlyn! - ele sussurrou, estreitando as sobrancelhas. Enxuguei o rosto às pressas e sai correndo do quarto. - O paciente Garrett Grahan acordou! - falei batendo as mãos no balcão. - O que está dizendo mocinha? - a enfermeira me encarou como se eu tivesse enlouquecido. - O que você ouviu. Garrett, um dos pacientes em coma acordou, manda um médico depressa para ver ele e avisa a família dele. - Os pais dele estavam aqui há poucos minutos, vou avisar o médico. Fiquei esperando na recepção até o médico aparecer. Ele ficou cerca de dez minutos no quarto de Garrett e depois saiu. - Como ele está doutor? - entrei no caminho do médico para conseguir falar com ele. - Ele está bem! - Não há riscos dele entrar em coma de novo não né? - Não se preocupe ele vai ficar bem. - o médico sorriu para mim ao responder. Sorri aliviada pelas palavras dele, a porta do elevador se abriu e me escondi quando vi Ricardo e Ruth. Eles entraram preocupados no quarto do filho e senti que não tinha mais o que fazer ali. Garrett estava acordado, bem e provavelmente não ia querer me ver. O médico dissera que ele estava bem e só por isso consegui voltar em paz para casa.     Garrett   Sorri quando vi meus pais entrando no meu quarto, minha mãe quando me viu começou a chorar. - Filho! A abracei me lembrando das palavras do médico, segundo ele eu havia escapado da morte naquela queda por um milagre. Saber que tinha quebrado a tíbia direita, sofrido um traumatismo que me levou a cirurgia e um coma logo depois me impressionou. Dava pra entender a reação da minha mãe ao me ver. - Não acredito que você acordou, filho. - ela sorriu. - Relaxa mãe, vocês acharam que iam se livrar assim de mim tão fácil? - sorri. - Primeiro fiquei com medo de você não sobreviver e depois de nunca mais acordar desse coma. Você tem muita sorte filho, é um verdadeiro milagre que esteja vivo. - ela acariciou meu rosto. - Eu sei mãe! - sorri pra ela e encarei meu pai. - Que bom que você acordou filho! - meu pai sorriu pra mim. Sorri de volta gostando daquele clima mesmo sabendo que ele não iria durar muito tempo. - Eu vou ficar aqui no hospital com você te fazendo companhia pelo tempo que for necessário. - Não precisa mãe, eu tô bem. - sorri. - Não seja teimoso filho, eu quero ficar com você. - ela sorriu.   Na semana seguinte que permaneci internado minha mãe cumpriu sua promessa e ficou o tempo todo comigo, dormia no hospital comigo todos os dias. O mais difícil nesses dias foram: me acostumar à comida no hospital e ao gesso que ia do meu pé até a altura do meu joelho. Era h******l ter que ficar colocando plástico em volta dele cada vez que eu ia tomar banho e tinha horas que o filho da mãe coçava que era uma desgraça. No dia em que finalmente ia receber alta, o médico veio passar algumas instruções para mim. - Quando eu vou tirar isso aqui? - perguntei me referindo ao gesso. - Como foi uma fratura fechada sem fragmentos ósseos, talvez você precise ficar com o gesso por mais um mês. Dependendo da sua recuperação talvez use uma botinha e assim que tirarmos o gesso o correto é que seja encaminhado para a fisioterapia. - Prometo que vamos iniciar a fisioterapia assim que ele tirar o gesso. - Um mês, achei que você ia falar uma semana. - suspirei. - Os ossos grandes do nosso corpo como tíbia e fêmur levam tempo pra consolidar outra vez. Você tem sorte que sua fratura não foi exposta e nem teve fragmentos ósseos, do contrário poderia ficar muito mais tempo com o gesso. E também tem o fator idade a seu favor. - Tudo bem, tem uma semana que eu acordei com essa coisa em mim, aguento mais um mês. - suspirei. - Eu vou te ajudar filho, vai ver que vai ficar mais fácil. - minha mãe sorriu. - Enquanto eu tiver com essa coisa, não vou poder andar de moto né? - Nem pensar, só vai voltar a dirigir depois que receber alta da fisioterapia. Antes disso não! - d***a! - resmunguei. - Vou assinar os papéis da alta e volto para liberar vocês. - meu médico sorriu e deu as costas. Minha mãe sentou na cadeira e ficou lendo uma revista. Eu já estava vestido e pronto para ir embora então me recostei na cadeira e fiquei pensando. O acidente para mim ainda era um borrão de fatos, eu não me lembrava de metade do que Kuno, meu primo e meus amigos haviam me contado quando vieram ao hospital me visitar. As únicas coisas que estavam muito claras na minha cabeça foram as palavras de Ashlyn naquele dia e seu rosto surpreso quando acordei e com ela no quarto. Desde que saiu do coma, ela não voltou para me visitar e mesmo que eu não estivesse surpreso com aquilo, me machucava. Eu tinha que esquecer, tinha que aceitar a escolha dela e deixá-la em paz, mas eu sabia que ia ser uma tarefa difícil. O pior de tudo seria voltar para faculdade e ter que encará-la com aquele i*****l.     Ashlyn   Me levantei do sofá assim que a porta se abriu e Sarah entrou no apartamento. - E então como o Garrett está? - Já recebeu alta do hospital, os pais dele preferiram levar ele para casa deles. Lá ele vai ficar mais confortável num quarto de hóspedes, a mãe dele acha perigoso ele ficar subindo e descendo as escadas do apartamento dele com aquele gesso. - Será que vai demorar muito para ele poder tirar o gesso? - O médico disse mais um mês pelo menos. - Deve ser h******l ficar com aquilo na perna. - suspirei. - Sim! - assentiu. - Mas Ash você estava indo no hospital todo dia, porque que depois que o Garrett acordou, você parou de ir e agora fica me enchendo de perguntas? - cruzou os braços. - Ele provavelmente não quer me ver no hospital e eu queria evitar climas com ele e o pai dele. - Entendi! E onde você foi depois da aula? Porque eu cheguei da faculdade, tomei banho para sair com o Oliver e ir na casa dos pais do Garrett e você ainda não tinha chegado. - Estava fazendo umas coisas. – menti. Não queria contar à ela que estava no apartamento do Adam, cozinhando pra ele. Depois daquele dia, ele estava me fazendo ir lá todos os dias. - Ash é impressão minha ou você está mais magra? Puxei a magna da blusa comprida querendo me esconder. - É impressão sua. - respondi. - Aqui em casa eu não estou vendo você comer muito, está tudo bem? - Tá sim! - assenti. - Tenho umas coisas para fazer, vou estar no quarto, se precisar me chama. - forcei um sorriso. - Beleza. - Scar assentiu e pela sua cara vi que ela estava desconfiada de algo. Fingindo que estava tudo bem fui para o quarto e me tranquei lá. Abri minha gaveta e tirei meu porta joias de lata. Acariciei os anéis de chaveiro que Garrett havia me dado e puxei o colar com a aliança que ele me deu pra fora da blusa. Deitei na cama e fiquei olhando pra ela. - Eu queria tanto ir te ver. - confessei. - Olhar pra você e ter certeza de que você está bem mesmo. Sinto tanto a sua falta, me dói tanto pensar em tudo que aconteceu. Meus olhos marejaram quando o rosto de Garrett no dia da nossa discussão surgiu na minha cabeça, vi seu rosto sereno enquanto ele estava em coma e seus olhos confusos quando ele acordou. Enxuguei o rosto quando as lágrimas começaram a escorrer por ele. Beijei a aliança, me deitei de lado e tentei controlar a vontade que eu tinha de sair correndo e ir até a casa dele, mesmo sem fazer ideia de onde ficava.     Garrett   Guardei o livro quando minha mãe entrou no quarto. - Tudo bem com você filho? Eu estava sentado na minha cama, um travesseiro apoiava minhas costas e outros três estavam embaixo da minha perna, deixando-a um pouco para o alto. Fazia meia hora que dona Ruth havia trazido uma bandeja para mim. Desde que chegamos do hospital no fim da tarde, ela vinha me ver de meia em meia hora. - Eu tô bem mãe. - Está com sono? - Não, só enjoado de ficar nessa cama. - suspirei. - O médico disse para você repousar por esses dias, para só se levantar da cama para ir ao banheiro e tomar banho. Faculdade mesmo você só volta semana que vem. - É, tô sabendo de tudo isso. - sorri. - Você tem amigos muito legais sabia? Toda hora o telefone toca e é alguém querendo saber de você. Forcei um sorriso e mordi a língua para não perguntar se Ashlyn havia telefonado. Provavelmente não. - É, tenho sorte por ter tantos amigos bacanas. - forcei um sorriso. - Estou sentindo falta da sua amiga Ashlyn. - minha mãe comentou e fiquei feliz ao mesmo tempo que me incomodou o comentário dela. - Por que está dizendo isso? - perguntei, vencido pela curiosidade. - Ela estava tão preocupada com você, até passou m*l no hospital no dia em que você se acidentou. - Ela estava no hospital aquele dia? - Sim e nos quinze dias em que você ficou em coma, ela te visitou todos os dias. A rosa branca no quarto, era ela quem deixava. Todo o dia ela colocava uma nova. - sorriu. - Deve ter sido por culpa. - resmunguei não querendo cair em falsas esperanças. - Por que acha isso? - minha mãe cruzou os braços. - Nós meio que brigamos no dia em que me acidentei. A briga com ela me deixou de cabeça quente e me fez ir naquela apresentação totalmente despreparado. - Ela me pediu perdão no hospital, se culpou pelo seu estado, eu entendi mais ou menos o que houve, mas com você me explicando ficou mais claro. Vocês se envolveram? Você gosta dela? - Não importa, ela escolheu o namorado dela. Está feliz com ele! - respondi carregado de amargura. - Não sabia que ela namorava, ela sempre ia sozinha no hospital. - É claro mãe ela namora o Adam, aquele cara que era da minha equipe de Moto Cross. - O carinha com quem você brigou e depois ele saiu da equipe? - Ele mesmo, entendeu agora porque ela sempre aparecia sozinha? Na certa ela estava com remorso, tanto que agora que acordei, ela não veio me ver e nem ligou. - Isso é uma indireta para dizer que você queria que ela viesse e ligasse? - minha mãe sorriu. - Lógico que não! - olhei para ela de cara f**a. - Pois eu acho que essa garota gosta de você, de verdade. - Você viu ela umas vezes e já tá achando coisa? - cruzei os braços. - Não foram umas vezes, ela ia te ver no hospital todo dia, várias vezes vi ela saindo do seu quarto chorando. - Então porque ela preferiu ficar com o Adam? - Não sei, talvez você devesse perguntar para ela. - minha mãe deu de ombros. - Eu acho que a minha teoria está mais correta que a sua. Ela só ficou indo me ver porque está com remorso. - Tudo bem, eu não vou insistir no assunto. Eu tenho minha opinião e você tem a sua. - Obrigado! - ironizei. - Descansa, se quiser alguma coisa, é só me chamar, ok? - Está bem. - assenti pela milésima vez. - E caso você levantar e sentir alguma tontura me chama! - Pode deixar mãe. - assenti. Minha mãe se levantou da cama, me deu um beijo e saiu do quarto. Puxei minha corrente com a aliança que eu havia comprado para eu e Ashlyn usar e mais uma vez agradeci ao meu primo por ter guardado e trazido ela para mim. Fechei os olhos lembrando da minha última noite com Ash, de quando transamos e do incrível que tinha sido. Para logo depois tudo se acabar com as palavras dela. Eu queria acreditar na minha mãe, encontrar outra explicação para ela ter me deixado, mas não tinha o que fazer. Ela tinha feito sua escolha, como me dissera eu não era bom o bastante para ela. E pelo jeito nunca seria.
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