É tão difícil para mim levantar da cama e sair por aí, mas eu estou fazendo isso. Depois da minha conversa com Ronald ontem, eu decidi duas coisas. Que vou seguir em frente, e que vou fazer com alguém que não se importe com a minha idade. Alguém que queira mesmo ficar comigo. Alguém como Gary.
Sei que ele sai de casa às sete e meia por isso estou aqui trinta minutos mais cedo. Inspiro e expiro, inspiro e expiro então toco a campainha.
Gary abre a porta para mim e me olha sem emoção. Definitivamente essa não era a reação que eu estava procurando.
- Posso entrar? - Pergunto. Ele não responde apenas me deixa entrar. - Sua mãe está em casa?
- Não! Ela saiu mais cedo. Porquê você está aqui?
- Eu não sei como dizer isso, Gary. - Sento no sofá. Ele continua em pé com os braços cruzados.
- Apenas diga!
- Eu quero que... a gente volte a namorar. - Digo sem rodeios.
- Isso é sério?
- Muito sério. Eu me apercebi do meu erro e que voltar Gary.
Ele se aproxima. - Eu estive também pensando nisso White, mas não. Eu não quero voltar com você. Pensei mesmo muito bem. A partir de agora eu não quero mais namorar com meninas. Entende? - Seu tom é arrogante. Uau até essa doeu!
- O quê?
- Isso mesmo que ouviu. Agora pode ir embora? Eu preciso me arrumar para trabalhar. - Ele vai até a porta e abre.
Humilhada primeiro por Ronald, agora por Gary. O que foi que eu fiz para merecer uma coisa dessas?
Eu levanto e saio. Caminho até o meu carro e volto para casa.
A campainha toca e eu vou abrir a porta com cara de poucos amigos. Carly olha para mim de cima a baixo. Para o meu pijama e depois entra. Ela está usando calças jeans e uma blusa vermelha, e seu cabelo está num coque.
- Você está h******l amiga. Vai me dizer o que aconteceu? - Ela senta no sofá. Estamos sozinhas. Meu pai foi para o trabalho e minha irmã foi para o colégio.
Sento ao seu lado. - Você já deve saber o que é.
- Ele não gostou?
- Ele não quer uma mulher demasiado nova para ele. Nem ele, nem Gary.
- Ele disse isso?
- Com todas as letras. E muito mais. Eu não acredito que estava tão enganada. Tudo o que eu quero é esquecer ele e seguir com a minha vida.
- Você tem certeza?
- Eu tenho. - Limpo minhas lágrimas. - Eu vou conseguir. Eu sempre consigo.
- Sabe o que você precisa? - Fiz que não. - De ir às compras. Vamos comprar coisas para você descarregar a raiva que sente dos Johnson.
- Não! Eu não quero comprar nada. - Olho para ela e algo me passa pela cabeça. - Lembra quando você disse sobre aquela festa que o Bradley vai dar?
- E aí? Troy vai, mas eu não estou a fim.
- Por favor Carly. Ia me animar muito. Eu não quero ficar lá sozinha. - Faço beicinho.
- Porquê eu sou tão boazinha?
- Obrigada amiga. Por isso eu te amo muito. - Eu lhe dou um abraço muito apertado.
- Me solta sua louca. Está me asfixiando. - Ela disse rindo.
Estou usando um vestido preto curto com mangas até aos pulsos e que mostra 90% das minhas costas, saltos altos de por aí doze centímetros e com um penteado que deixa uma parte do meu cabelo para cima e outra para baixo. Carly está com um vestido branco com brilhantes prateados, e saltos altos mais altos que os meus, e cabelos todo para cima.
Entramos na festa na casa de Bradley e está cheio de gente. Carly e eu trocámos olhares e depois Troy aparece com um sorriso e abraça depois beija Carly mostrando para todos que ela é namorada dele e que não têm chance nenhuma.
- Você está linda! Você sempre me surpreende, linda.
- Você também. - Ela beija ele novamente.
Eu me afasto deles e vou pegar uma bebida. Pego uma cerveja. Olho para Carly e Troy de longe e eles parecem muito entusiasmados. Porquê eu vim para uma festa? Agora lembranças daquela festa com Ronald estão vindo para a minha cabeça.
- Nunca pensei que fosse encontrar você numa das minhas festas. - Oiço Bradley e olho para ele. Está sorrindo segurando um copo de Whisky.
- Nem eu. - Digo.
- Mas que bom que veio. Você está linda!
- Obrigada. Você também não está m*l. - Sorrio. Nem mesmo com saltos bem altos, ele continua gigante para mim. Aposto que seria a mesma coisa ainda que usasse os de Carly.
- Você deve estar mesmo entediada para estar aqui.
- Eu só quero me divertir. Entende?
- Claro! Eu apoio isso. Você devia fazer mais vezes. - Ele bebe o whisky, depois coloca por cima da mesa. - Você conseguiu fazer o que que queria fazer ontem a noite?
- Foi bem chato. Acho que devia ter saído com você. Que pena que não sabia que ia ser tão h******l.
- Eu também sabia que você tinha que sair comigo. Mas não se preocupe, eu estarei sempre disponível. Apenas para você. - Ele pisca um olho para mim.
- Sério? Tenho a certeza que você tem outras para te ocuparem.
- Eu não saio com outras há duas semanas e três dias. Só para te impressionar.
- Não me diga!
- Digo. - Ele sorri.
Um homem loiro da mesma altura que Bradley aparece e fica entre nós, olha para mim, estudando exageradamente depois olha para Bradley.
- Eu preciso falar com você Brad. - Ele diz.
- Você não vê que eu estou ocupado? - Bradley o tira do nosso meio.
- Tudo bem. - O loiro se afasta e vai atrás de uma ruiva.
- Onde estávamos? - Ele pergunta se aproximando mais um pouco.
- Me diz você! Onde estávamos? - Ele segura na minha mão e me leva para cima. Entramos num quarto bem grande e ele fecha a porta.
- O que você acha?
Eu rio. - Se você pensa que eu vou t*****r com você está muito enganado.
- Claro que não! Eu jamais faria isso. Você é virgem por isso precisa de tempo, e tem de ser especial. Não é mesmo? - Olho para ele estupefacta. Como ele sabe que eu sou virgem?
- Como você sabe?
- É fácil distinguir uma virgem de uma não virgem. E eu ouvi uma vez uma conversa sua com Carly. - Ele sorri e eu sento na sua cama King Size.
- Então porquê me trouxe aqui?
- Porque eu gosto de você há algum tempo. Você precisava saber disso, Jones!
- Você? Bradley West? Fala sério!
Ele senta ao meu lado. - Eu sabia que você não ia acreditar.
- Você gosta mesmo? Tipo, você gosta gosta?
- Sim! Muito. - Ele desvia o olhar.
- Porquê nunca disse nada?
- Foi de uma forma indireta.
- Ok.
- Você quer ser minha namorada?
- O quê? Você está falando sério? Sua namorada?
- Pensa pelo menos antes de me dizer que não. - Ele levanta.
- Claro. Eu vou pensar.
Saímos do quarto e vamos para a festa novamente. Bradley me leva para dançar, e ele não é tão h******l quanto eu pensei. Ao menos pude parar de pensar em Ronald por muito tempo.
Meu primeiro dia de trabalho, na King enterprises Manhattan. Eu agradeço por finalmente começar a trabalhar. Assim me mantenho distraída a maior parte do dia.
Estou num escritório onde trabalham eu e mais um homem de mais ou menos trinta anos, uma mulher que deve ter a idade de Felicity, e um homem mais novo com óculos.
- Como estão indo as coisas? - William pergunta sério. Na nossa pausa para o almoço.
- Muito bem. Vou me adaptar em menos de uma semana. Só uma pergunta. Eu tenho que chamar você de senhor King ou chefe?
- Você decide.
- Que bom. Como estão Felicity e as crianças?
- Muito bem. Mas acho que Felicity está um pouco entusiasmada para o primeiro aniversário dos gémeos que será apenas daqui há três meses.
Rio. - É normal.
- E você? Eu notei que você não está muito feliz. O que houve?
- Homens!
- Não precisa dizer mais nada.
- Acho que preciso me preocupar mais com o trabalho, com minha família e comigo. Daqui há algumas semanas é o meu aniversário e eu não sei o que fazer.
- Porquê não faz uma festa?
- Não é má ideia, mas assim eu teria que convidar as pessoas que eu não quero ver, e se eu não convidar elas vão ficar zangadas comigo. É muito complicado.
- Acho que você precisa de relaxar sua cabeça.
- Preciso mesmo.
Saio do trabalho às quatro, despeço William, meus colegas de trabalho e vou para fora do edifício. Não trouxe o meu carro e preciso pegar um táxi. Mas paro quando vejo Bradley no seu Kia Sportage prateado sorrindo. Ele está com uma camisa branca e calças prestas.
Me aproximo dele e sorrio também. - O que você faz aqui?
- Vim te buscar para a gente comemorar o seu primeiro dia de trabalho numa empresa de renome. Você trabalha na K.E.M!
- E onde você pensa em me levar?
- Você vai gostar. - Ele abre a porta do carro. - Vamos.
- Tudo bem. Eu vou. - Entro no carro e ele fecha a porta.
- Já pensou na minha resposta? - Ele diz quando entra também e começa a dirigir.
Na verdade, pensei bastante. - Você quer falar sobre isso agora, Brad?
- Sim.
Fecho os olhos. Claro que eu ainda estou apaixonada por Ronald, mas Bradley gosta de mim e talvez ele me faça esquecer Ronald. Eu só quero seguir em frente da melhor maneira que poder.
- Eu aceito. - Olho para ele.
- Sério? Você quer ser minha namorada?
- Sim.
Ele coloca a mão no meu joelho enquanto a outra segura o volante.
- Você não sabe como isso me faz feliz. Você não vai se arrepender. Prometo. - Assim espero.
Bradley pára na hamburgaria que Carly eu e Troy costumamos ir e me leva para dentro. Eu vejo os idiotas dos meus amigos sentados numa mesa sorrindo para mim e chegamos até eles.
- Olha quem é que trabalha na King Enterprises Manhattan! A senhorita White Jones. - Troy grita.
Reviro os olhos. - Seus idiotas.
- Sua i****a. - Carly diz. Bradley e eu sentamos.
- Bradley teve a ideia de comemorar o seu primeiro dia de trabalho. - Troy diz. - É verdade que vocês estão namorando?
Olho para Bradley. - Você disse para todo mundo antes de eu dar uma resposta?
Ele dá de ombros. - Eu sabia que você ia dizer sim.
- Então estão namorando mesmo? - Carly pergunta.
- Sim. - Falamos em uníssono.
- Então estamos comemorando duas coisas. O novo trabalho, e o novo relacionamento de White. - Troy sorri e come uma batata.
- Aqui os vossos pedidos. - A garçonete trouxe dois hambúrgueres. Um para mim e outro para Bradley.
- Vocês são impossíveis. - Digo para meus amigos idiotas.
- Agradeçam apenas.
- Como foi o seu primeiro dia de trabalho minha querida? - Bradley pergunta. Eu quase engasgo.
- Foi bom. Incrível. Vocês não imaginam.
- Podemos imaginar. Você está feliz. - Carly diz. Não tão feliz assim.
- Porque agora é minha namorada! - Bradley responde sorrindo depois dá uma mordida no hambúrguer.
- Por muitos motivos. - Também como o hambúrguer.
- Já pensou sobre o seu aniversário? - Troy pergunta.
- Sei lá. Não sei.
- Depois ela pensa nisso. - Bradley responde. - Vamos fazer as coisas com calma.
- Eu concordo. Preciso de fazer as coisas por etapa. - Todos concordam.
Festejamos o meu primeiro dia de trabalho e Bradley o nosso namoro também. Mas não consigo parar de pensar que estou fazendo algo errado. Que estou errando com Ronald. Não sei porquê.