5h30, tocou o despertador do meu pai.
Ele me acordou com um susto, eu achei até que fosse o fim do mundo, rsrs.
_ Desculpa, filha. Ele te assustou, né?
_ Sim, papai.
Falei enquanto bocejava, sem querer abrir os olhos.
Meu pai, veio até mim e me deu um beijo na testa, um em cada uma das bochechas, outro no queixo, depois no nariz e por fim um selinho.
Não era aquele selinho dos casais, e sim de carinho.
Em seguida, ele me levantou da cama, dizendo:
_ Vamos para o banho, minha princesa fedorenta.
Sorrimos juntos e eu disse que não era fedorenta, rsrs.
O meu pai cuidava de mim como se eu fosse feita de ovo de diamantes, frágil e muito valiosa.
Antes de sairmos de casa, papai me lembrou da coisa mais importante "agradecer e pedir a Deus que cuide de mim".
Disse para fechar os olhos e fazer a oração...
Eu fechei os olhos e comecei então a falar com o papai do Céu.
_ Pai do Céu, obrigada por mais um dia de vida, cuida do meu pai, da minha mãe, dos meus irmãos, do mundozinho e de mim também, amém.
Quando abri os olhos, vi o meu pai chorando, não sabia o que havia acontecido, então perguntei.
_ Eu disse algo f**o? papai.
_ Não, meu amor.
_ Então porquê que o senhor está chorando?
Meu pai disse que o meu coração era lindo e os meus olhos brilhantes e eu o dei um abraço e agradeci, chamando-o de "Pai rei", porque era assim que eu me sentia! A filha de um rei.
Passaram - se três meses e era a altura da realização da reunião de encarregados e professores.
A reunião aconteceria às 10h, eu não tinha com quem ficar naquele dia de sábado, então o meu pai fez a questão de levar-me com ele.
Quando a reunião começou, eu tive de ficar na sala de espera, porque crianças não podiam participar da reunião.
_ Fica aqui, meu amor.
Não vá a lado algum, está bem? Eu não vou demorar.
Não vá com ninguém, sim? qualquer coisa, o papai está na sala de frente, minha pequena.
_ Não vou sair daqui, papai.
Prometo.
Recebi um beijo da testa do meu pai, que em seguida se dirigiu para a sala de reunião.
A sala era maioritariamente feita de vidro, então os encarregados podiam controlar as crianças de lá de dentro.
Quando dei conta, na sala de espera, estava eu e uma outra criança, a mãe dele também era ocupada e não tinha com quem deixá-lo tal como eu.
Ele tinha os olhos azuis, lábios de boneco rosas, eu ri dele por causa dos lábios, eram tão pequenos que só apareciam os traços.
Eu tinha 5 anos, mas naquele momento só pensei em um nome para ele " Príncipe dos olhos azuis".
E hoje eu digo que ele caiu dos Céus só para mim.
Ele era tímido, mas olhava para mim fixamente, como se já me conhecesse...
Meu pai entrou na sala de espera, junto com uma senhora, ela era alta, não mais que o meu pai, tinha aproximadamente 1.75 de altura, loira, de olhos castanhos, estava vestida com um fato social branco e saltos na cor preta, ela era muito linda.
Os dois sorriam enquanto conversavam.
O menino foi até ela e pegou o papel na sua mão, a senhora sorriu para ele e deu um abraço, dizendo:
_ Parabéns, meu filho.
Eu olhava para o meu pai, que vinha até mim e me mostrou uma espécie de papel com o meu nome, o nome das disciplinas e por frente de cada disciplina tinham números.
Era um boletim de notas.
Meu pai olhou para mim e disse:
_ Parabéns, filha.
Você foi a segunda melhor aluno em termos de notas e a primeira em termos de comportamento.
Fiquei muito feliz, ao ver o meu pai feliz.
_ Quem foi o primeiro? papai.
Meu pai disse apontando para o menino que estava comigo na sala de espera.
_ Foi ele, o nome dele é Derick e aquela senhora é mãe dele e ele é seu colega.
Até hoje, me pergunto como é possível ter estudado três meses com ele na mesma turma e nunca tê-lo notado.
Os anos se passaram, e Derick e eu nos tornamos grandes amigos, praticamente irmãos. Antes de contar o que aconteceu aos meus 15 anos, vou te contar o que aconteceu em novembro de 2008.
Nunca esqueci dessa data, porque foi a primeira vez que o meu pai ficou chateado comigo.
Eu queria conhecer a família dele e nunca fui permitida. Naquele dia, enquanto papai estava na cozinha, e eu no quarto, ganhei coragem e sai de fininho, parecia uma mini ninja, rsrs.
Abri o portão e um brilho forte magoou os meus olhos, era o brilho do sol.
Para chegar em casa dos meus avós paternos, precisava andar alguns metros.
Quando cheguei, alguém abriu a porta para mim, como se já soubesse que eu iria para lá.
Era a minha avó, parecia estar feliz com a minha presença.
Pegou na minha mão e me levou até onde estavam os outros e me apresentou a família.
Dentre eles, tinha o meu tio Edgar, nem sabia que tinha tio. Ele me deu dois beijinhos nas bochechas, a barba dele picava, o que fez com que minutos depois o meu organismo desencadeia -se uma reação alérgica.
Pareciam ser todos boas pessoas, não percebia como e porquê o papai não permitia que se juntassem a nós de vez em quando.
Eles falavam e conversavam em inglês, o que não era surpresa para mim, pois sabia falar inglês, espanhol e português, devido a minha etnia.
E sim, com menos de 10 anos, já era poliglota, sempre tive um QI muito avançado e aprender não era uma dificuldade.
Dizem que puxei os genes dos meus pais, que também são muito inteligentes.
Comi bolo de laranja que a avó havia feito e tomei leite fresquinho, brinquei com cavalos e bodes, morávamos em uma cidade, na vila, então era normal que se encontrassem animais em casas.
Perdi a noção do tempo e quando dei por conta que devia voltar para casa, já estava escurecendo...
Só pensei assustada: papai...