Capítulo 28

1096 Palavras
Após Alice sumir pelos corredores, Lorenzo decidiu retornar para casa, pois no dia seguinte também teria que trabalhar. Ao chegar em seu apartamento, o silêncio da casa nunca pareceu tão pesado. Lorenzo jogou as chaves sobre a mesa e afundou no sofá, a mente ainda presa na mensagem ameaçadora que recebeu no piquenique. Decidiu se levantar e lavar a louça que usaram durante o jantar. Mas sua mente não se inquietava por nenhum segundo, então pegou o celular e começou a pesquisar o número, tentando encontrar qualquer pista sobre quem poderia estar por trás daquilo. Mas nada. Nenhuma informação relevante. Ele soltou um suspiro frustrado, passando as mãos pelo rosto, se fosse Maurício anunciando seu retorno, certamente ele e Alice estavam perdidos. Deitou no sofá e acabou adormecendo em meio àqueles pensamentos. O avião de Alice pousou suavemente na pista, mas sua mente ainda estava longe dali, em Londres. Assim que desembarcou e pegou sua mala, desbloqueou o celular e digitou rapidamente para Lorenzo. Mensagem para Lorenzo: Cheguei bem. Como você está? Ela mordeu o lábio, hesitante. Queria dizer mais, queria falar sobre o incômodo que sentia desde aquela ameaça misteriosa. Mas em vez disso, decidiu focar no seu descanso para o dia seguinte, quando voltaria ao trabalho. Talvez, se mantivesse sua mente ocupada, a preocupação desaparecesse. Pediu um carro por aplicativo, e foi para casa. Ao chegar, a casa estava um silêncio completo, mas logo viu uma luz vindo da cozinha e foi caminhando a passos lentos até lá. — Oi. — disse assim que viu Lavínia. Havia um bolo cheio de estrelinhas coloridas em cima da mesa. — Oi. Eu queria ter tido tempo de escrever: “Bem-vinda de volta”, mas deu tudo errado com o ponto do glacê. — ela apontou para o pote em cima da pia. — Não tem problema. Obrigada pela recepção. — Alice falou sincera, indo até o pote e pegando uma colher de glacê. — O bom que eu posso por em cima do bolo quando eu for comer ou tomar com café amanhã de manhã. — ela disse ficando encostada na pia. — Sim. — Lavínia respondeu com um sorriso. — Eu vi vocês em um site. Alice gelou com aquela revelação, mas logo se deu conta da informação que ela tinha visto. — Então menina, nos pegaram de surpresa. — Imagino. Mas tirando isso, como foi tudo? — Ah, foi tudo maravilhoso. — Alice falou relembrando. — Que bom, fico feliz por vocês estarem juntos. Você está radiante de felicidade. — Sim, estou mesmo. Mas agora preciso tomar um banho. — Alice falou se afastando da pia, indo em direção ao quarto. Alice tomou seu banho bem rápido e voltou para a cozinha para comer um pedaço de bolo, enquanto conversava com Lavínia. O ambiente entre as duas permaneceu descontraído e só depois de comer o segundo pedaço de bolo, que Alice foi se deitar. No dia seguinte, assim que Lorenzo entrou na empresa, sua secretária anunciou que seu pai precisava dele na sala de reuniões. Ao chegar lá, encontrou o pai sentado à cabeceira da longa mesa, cercado por outros membros influentes da família. O clima era tenso, e ele sabia exatamente o motivo. Assim que se sentou, o pai bateu os dedos na mesa e foi direto ao ponto. — Os rumores sobre você e aquela garota já estão em toda parte. — disse ele. Lorenzo se manteve calado, esperando pelo sermão que sabia que viria a seguir. — Você por aqui? — Lorenzo comentou, cruzando os braços. — Não disse que ia viajar? — debochou. Enrico deu de ombros. — Negócios. — A resposta vaga só aumentou a desconfiança de Lorenzo. — É por pouco tempo. — Alguém ainda está tentando nos assustar. Sabe de alguma coisa? — Lorenzo soltou, analisando a reação do irmão. Enrico arqueou uma sobrancelha e cruzou os braços. — E por que acha que eu teria algo a ver com isso dessa vez? Já pensou se for culpa dela? O tom era casual, mas Lorenzo conhecia bem demais o irmão para não notar o pequeno brilho de curiosidade em seu olhar. — Como? Você sempre sabe das coisas antes de todo mundo — Lorenzo retrucou. Mas, dessa vez, Enrico apenas riu e deu um gole na bebida. — Dessa vez, não sei de nada, maninho. E acho que é pessoa, então é melhor ficar esperto. — Acha que imagens como essa refletem positivamente na nossa imagem? — Seu pai disse, indignado. — Nós não estávamos fazendo nada demais, só fomos pegos numa hora r**m, totalmente desprevenidos. — Lorenzo se explica para o pai. — Não quero saber de desculpas, Lorenzo. Se isso acontecer novamente, terei que tomar medidas mais duras e tirar você do cargo. — disse ele. — Tá bom, pai. Isso não vai se repetir. — Lorenzo falou antes de sair da sala. Lorenzo saiu da sala indignado, porém bastante curioso com as reações de Enrico, mas sabia que teria que tomar mais cuidado ao sair com Alice para não perder sua posição na empresa. Entrou no seu escritório e de lá não saiu até a hora do almoço. Voltou para a empresa na parte da tarde. Na parte da tarde a empresa sempre estava mais tranquila, mas a conversa entre os irmãos estava longe de ser leve. Assim que entrou em sua sala, Lorenzo tomou um susto ao ver Enrico ali. — O que você tá fazendo aqui na minha sala? — perguntou Lorenzo assustado. — Sabe, maninho. Essas horas a gente sempre costumava sair. — Enrico falou, brincando com a caneta em cima da mesa de Lorenzo. — Do que você está falando? — perguntou arqueando as sobrancelhas. — Você nunca sente falta da adrenalina? — Olhou nos olhos de seu irmão. — Que adrenalina, Enrico? Eu não estou te entendendo. — disse com as mãos paradas na cintura. — De quando éramos temidos? — Enrico perguntou, apoiando-se na grade da varanda. Lorenzo soltou um suspiro e balançou a cabeça, sabendo que ele estava se referindo às “missões” que faziam quando participavam do mundo do crime. — Nunca me senti tão em paz quanto agora — respondeu, com convicção. Enrico soltou uma risada curta, sem humor. — Paz é entediante — murmurou. Apesar de não concordar com aquilo, Lorenzo sabia que, no fundo, o irmão estava apenas tentando encontrar seu lugar em um mundo que já não era o mesmo. Só temia que eles fossem separados pelo mundo do crime, que tanto tiveram que lutar e ser firmes para sair.
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