Alice ainda estava em casa, terminado de se arrumar para trabalhar quando seu celular vibrou sobre a comoda, ela logo foi até lá. De início pensou ser uma mensagem de Lorenzo já que ele ainda não tinha retornado para ela na noite passada, mas ao ver pela notificação, era um novo número desconhecido, e lá estava mais uma vez, uma ameaça.
“Abandone o caso enquanto ainda dá tempo, você vai acabar com a sua carreira. Já lhe avisei, você irá queimar junto.
Alice leu umas três vezes a mensagem, se dando conta de que aquelas ameaças não podiam ser da parte de Lorenzo, não fazia sentido nenhum pensar que era ele, porque ela tinha dado uma satisfação sobre o andamento de suas pesquisas. Mas será mesmo que alguém ameaçaria sua carreira toda por causa de um caso? Alice pensava que seria apenas um blefe, mas vendo a insistência dessa pessoa, ela não podia mais encarar daquela forma, era uma ameça muito séria. Mas Alice decidiu ignorar e seguiu de volta para o banheiro, pois tinha que terminar de se arrumar para trabalhar, e ao tomar café com Lavínia, decidiu não falar nada pra amiga para não alarmá-la. Chegando na cozinha, encontrou a amiga já sentada à mesa, mexendo no celular com uma xícara de café ao lado.
— Tá com uma cara estranha — Lavínia comentou, arqueando uma sobrancelha, reparando em Alice assim que ela entrou na cozinha.
— Nada, só não dormi direito. — mentiu.
Alice sabia que, se contasse, Lavínia ficaria alarmada. E ela não queria preocupá-la sem necessidade, pelo menos não por enquanto.
Enquanto tomava um gole de café, seu celular vibrou novamente. Seu coração disparou, mas, ao olhar a tela, viu que era apenas um lembrete do trabalho.
— Preciso resolver isso hoje mesmo. — comentou mais consigo mesma.
— Se for problema de trabalho, espero que consiga resolver logo, para voltar a ficar tranquila, não gosto de te ver assim. — disse Lavínia.
— Sim, logo, logo tudo volta ao normal, pelo menos é o que eu espero também. — Alice disse e um silêncio se instalou entre as duas.
Depois do café Alice saiu de casa e pegou um carro por aplicativo, mas estava mais atenta a sua rotina do que nunca para ver se em algum momento alguém estava a seguindo também, de certa forma, ela sabia que voltar a se envolver com aquela família a deixaria muito falada também e isso porque Lorenzo nem tinha comunicado Enrico ainda.
Do outro lado, em Londres, Lorenzo estava deitado em sua cama e aos poucos a claridade entrava por ser quarto, logo pôde observar a silhueta feminina deitada ao seu lado, uma jovem loira, chamada Cloe, que tinha conhecido na noite passada em um bar próximo a sua casa, Lorenzo mantinha uma postura séria apenas no trabalho, fora dele, seu passatempo preferido era dormir com as mais variadas mulheres da cidade. Mas por trás de tudo aquilo, ele tentava na verdade ocultar e ignorar o sofrimento que sentia, depois de ser abandonado por sua noiva, já fazia tantos anos e mesmo que não se lembrasse o nome dela, ela tinha uma mania de quando estava nervosa, de dar um leve aperto no pulso e Lorenzo ainda tinha esperanças de encontrá-la e finalmente poder perguntar o motivo dela ter o deixado, já que saiu sem lhe dar nenhum tipo de explicação. Lorenzo tratou de afastar esses pensamentos assim que os raios do sol bateram contra seu rosto, o forçando a se levantar e começar mais um dia de trabalho.
[...]
O dia passou arrastado. Alice tentava se concentrar no trabalho, mas sua mente sempre voltava para a mensagem recebida naquela manhã. O telefone continuava quieto, como se o remetente soubesse exatamente o momento certo de perturbá-la.
No fim do expediente, decidiu que não podia mais adiar. Pegou o celular e digitou rapidamente para Lorenzo:
Mensagem para Lorenzo:
Preciso falar com você. Sabe de onde podem estar vindo certas mensagens que ando recebendo?
A resposta veio minutos depois.
Que tipo de mensagens? Eu não sei de nada.
Eu devia ter te dito que ao escolher trabalhar com a gente, você iria receber certas mensagens mesmo, mas é só ignorar.
O alívio de saber que Lorenzo não estava envolvido durou pouco. Se não era ele, então quem mais poderia querer afastá-la desse caso? Logo ouviu outra mensagem chegar no telefone.
Posso te ligar?
Pode sim.
Alice aguardou e logo apareceu a ligação de Lorenzo na tela, que ela atendeu apressadamente.
— O que está acontecendo? — perguntou sem rodeios.
— Eu tenho recebido ameaças, para abandonar o caso. — diz ela, sendo direta.
Do outro lado da linha, Lorenzo contraiu o maxilar, se lembrando de como o outro advogado foi fraco ao também ser ameaçado.
— Isso não veio de mim — ele afirmou.
— Eu sei — ela respondeu, cruzando os braços. — Mas alguém quer que eu me afaste, tem alguma ideia de quem?
— Alguém que quer culpar meu irmão, obviamente. Mas como eu disse na mensagem, se quer continuar com isso, precisa entender o que está enfrentando. Trabalhar conosco significa estar no radar de pessoas que não gostam de intrometidos, e principalmente que não simpatizam conosco.
Alice ficou em silêncio por um momento pensando e decidindo confiar nas palavras de Lorenzo.
— Eu não vou desistir. — disse ela.
Ele sorriu quase, como se esperasse aquela resposta. Agora ele pôde ter certeza que ela estava determinada a ajudá-los de verdade, por isso, ele disse:
— Vou marcar uma reunião com você e meu irmão, aqui na nossa empresa.
Alice respirou fundo, se lembrando exatamente de frequentar a empresa por muito tempo. Sentia-se como se estivesse pisando em um campo minado, mas não podia voltar atrás agora.
— Tudo bem. Posso viajar no final dessa semana. — Alice disse.
— Tudo bem, então está combinado.
Alice assentiu e a ligação foi finalizada, mas ela precisou de mais alguns minutos para assimilar tudo, e agora não tinha mais volta, ela iria até o final e faria justiça, mesmo que aquilo envolvesse mais do que seu simples trabalho de advogada, quem sabe aos poucos realmente Lorenzo se lembrasse dela. Desejava muito aquilo, porém sabia que precisaria ter uma longa conversa com ele após isso. O dia foi se passando e Alice ia checando o telefone preocupada, mas para seu alívio, nenhuma nova ameaça chegou.
Por enquanto.