Como se sente nas minhas mãos agora?

1024 Palavras
Isabela Alcanço a calçada, o sol castiga minha pele. No meio do caminho, um puxão firme me arranca do fluxo dos meus passos. Viro-me assustada, o grito de terror preso na garganta ao me deparar com os olhos verdes de Dante. Meu coração dispara, o ar se torna escasso. Pela maneira como ele me encara e pelo aperto de ferro em meu braço, sei que ele já descobriu tudo. — Dante! — Tento esconder meu pânico, me agarrar à esperança de que ele ainda tenha dúvidas. — Solta meu braço, você está me machucando! Ele abre a jaqueta de couro, revelando o brilho metálico de uma semiautomática prateada na cintura. — Fique quieta e não resista. — Sua voz vem afiada como uma lâmina. — Agora, anda! Seus olhos faiscam, sua decisão já foi tomada. Ele me empurra sem cerimônia. Apavorada, tento puxar meu braço, mas antes que consiga, sinto o frio do cano da pistola pressionar minha cintura. — Você acha que eu hesitaria em usá-la? — Ele murmura, a ameaça gotejando veneno. — A resposta é não. Então seja boazinha e obedeça. Meus passos são hesitantes, mas sigo. Atravessamos a rua e ele me conduz até dois carros estacionados. Seus capangas já estão à espera. Sem me dar escolha, me faz sentar ao lado dele no banco de trás. A arma continua apontada para mim. Um dos comparsas assume a direção, enquanto o outro segue no segundo carro. — Coloca isso e abaixa a cabeça. — Ele rosna, jogando um capuz preto no meu colo. — Dante, por favor... — Tento argumentar, minha voz trêmula. — Por favor? — Ele solta uma risada seca, carregada de desprezo. — Você mentiu pra mim, me entregou, e agora pede "por favor"? — Ele cospe as palavras com um ódio frio. — Dante... — Meus olhos se enchem de lágrimas. A resposta dele vem como um trovão. O tapa estala no meu rosto, jogando minha cabeça para o lado. A dor explode, me deixando atordoada. Meu coração se encolhe. O Dante carinhoso que um dia conheci não existe mais. O que você esperava, afinal? Levo a mão ao rosto, incrédula, mas ele a afasta bruscamente. Sem qualquer traço de remorso, ele me empurra o capuz na cabeça. Baixo a cabeça, subjugada, os ombros tremendo, o medo corroendo minhas entranhas. As lágrimas escorrem em silêncio, queimando minha pele. Os minutos arrastam-se como horas. O carro para. Ouço a porta se abrir. — Sai. — A voz dele vem dura, intransigente. As mãos dele me agarram como garras, puxando-me para fora do carro. O ar fresco me atinge, mas o capuz ainda me cega. — O que você vai fazer? — Minha voz m*l passa de um sussurro aterrorizado. Ouço o porta-malas se abrir. O pânico se espalha como fogo em meu peito. — Não... — Tento recuar. Ele me levanta como se eu não pesasse nada e me joga lá dentro. Entro em desespero, me debato. — Abaixa a cabeça! — Ele ordena. — Dante, por favor... — Tento resistir, minha voz embargada. Ele empurra minha cabeça com força, forçando-me contra o fundo do porta-malas. O baque do fechamento ecoa em minha mente como uma sentença. Encolho-me, abraçando meus joelhos, chorando baixinho. Leandro me avisou. Disse para eu me afastar do caso. Mas eu não escutei. Achei que poderia controlar tudo. Minha arrogância me trouxe até aqui. O carro arranca, os pneus cantando no asfalto. Sei que estamos em alta velocidade, sinto os solavancos. O calor dentro do porta-malas torna-se sufocante, meu estômago se revira, meu corpo ameaça desfalecer. Talvez seja melhor assim. Talvez apagar seja a única forma de fugir do terror que me engole. Quando estou prestes a perder a consciência, o carro para. O porta-malas se abre e o ar fresco invade meus pulmões. A claridade me cega por alguns instantes. Montanhas. Mata fechada ao redor. Dante me estende uma garrafa d'água. Meus dedos trêmulos a agarram. Bebo desesperada, minha garganta seca implorando por alívio. Ele arranca a garrafa das minhas mãos. — Vou colocar o capuz de novo. — Ele avisa, a crueldade em sua voz inabalável. Antes que ele cubra meus olhos novamente, tento memorizar o ambiente. Mas não há muito o que ver além da natureza selvagem ao redor. — Eu saio sozinha! — Protesto ao ver que ele se prepara para me carregar novamente. — Faça qualquer besteira e eu te amarro. — Ele avisa, impassível. Engulo seco. Com movimentos lentos, deslizo para fora do porta-malas. Minhas pernas estão bambas, mas me forço a ficar de pé. Ele me puxa pelo braço e me empurra para dentro do carro novamente. Meu corpo dói, mas não tanto quanto a sensação de tê-lo ao meu lado. Um arrepio gelado percorre minha espinha. — Posso deixar só o nariz e a boca para fora? Estou ficando enjoada. — Sussurro, tentando controlar a ânsia. Sinto seus dedos no capuz, puxando-o para cima apenas o suficiente para libertar meu nariz e boca. O toque dele é impessoal, mas carregado de raiva contida. Ele quer me punir. E eu sei que ele ainda nem começou. A estrada se torna irregular, o carro sacoleja. Meu coração martela contra o peito. Depois de quinze minutos, ele finalmente para. E agora? Ouço a porta se abrir. Dante me puxa para fora do carro. Minhas pernas vacilam, minha alma grita. E eu sei, com uma certeza cortante, que meu pesadelo está apenas começando. Cambaleando enquanto sou puxada, caminho por um terreno de mato alto por um breve tempo, até Dante me pegar no colo. Ele sobe alguns degraus — conto quatro — e me coloca no chão. Ouço uma porta se abrindo e sou arrastada para dentro. O cheiro de mofo e poeira me atinge de imediato. O ambiente está escuro, abafado, como uma casa fechada há tempos. Ele me empurra para outro cômodo e, sem aviso, arranca o capuz da minha cabeça com violência. Os olhos verdes de Dante não têm mais calor. São gélidos como um iceberg. Ele segura meu rosto entre os dedos, aplicando pressão na minha mandíbula. — Como se sente nas minhas mãos agora?
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