Capítulo 012

1134 Palavras
Tâmara Souza 💫 - Coque | Recife 🌙 Sento no sofá olhando pela milésima vez ao redor dessa casa, sete dias se passou, uma semana pra ser mais exata, e eu já sei de cor e salteado tudo que tem nessa casa, minha vida é resumida a sexo e viver trancada aqui dentro, o que eu mais desacreditei, achava boatos e mentiras, aconteceu comigo, na verdade está acontecendo, todos os dias galego vem pra cá, transa comigo e depois vai embora, como se eu fosse um brinquedo s****l. Se eu falar que não gosto, vou estar mentindo, eu odeio o fato de estar presa aqui dentro, de viver a mercê dele, é como eu falei a ele no primeiro dia que ele me trancou aqui, eu juro, que se ele me liberasse, eu não faria questão alguma em voltar, eu amo minha vida de libertinagem, vivia horrores antes de conhecer ele, porque eu iria me privar de viver algo com ele? O sexo com ele é bom, bruto e gostosinho ao mesmo tempo, mas é só isso, ele é literalmente um doido, maluco, psicopata, e eu jurei que era tudo caô, mentira do desse Zé povinho e agora estou aqui pagando com a língua, uma semana sem ver a luz do sol, sem ir a escola, sem ver meus pais e a chatinha da Thalita, até das chatices e cafonices dela eu tô com saudades, saudades do meu pai me obrigando a ir a igreja, poxa, até da igreja eu estou com saudades. É, o ditado tava certo mesmo, só começamos a dar valor, quando perdemos, vi o dia chegar, ir embora e dar lugar a noite, o som de movimento na favela tava forte, não é pra menos, em pleno sextou e eu aqui, presa dentro dessa casa, olhando para as paredes, que ódio. Tudo que eu queria era tá em algum rolê por aí com os meus de fé, que inclusive, estou morrendo de saudades, que ódio do galego por tá me fazendo passar por isso, sei que a mami é gostosa e faz gostosinho, mas precisava desse caô todo? Suspiro frustrada ouvindo um pagodinho tocando pertinho e o cheiro de churrasco no ar, a boca chega salivou querendo uma coca e um espetinho de coração. E no mesmo segundo eu escuto o portão no quintal abrir, reviro os olhos sabendo muito bem quem é, só vem aqui nesse horário, em busca de sexo e depois me deixa sozinha de novo, me prendeu aqui pra nada, nem atenção me dar, mas o que esperar de um bandido psicopata como ele né? Do jeito que eu tava, eu fiquei, olhando minhas unhas em gel que já estava na hora da manutenção, quem paga é o meu irmão, aliás, ele paga tudo pra mim e Thalita, contra gosto do meu pai claro, se dependesse do meu pai viveríamos na miséria, Deus que me perdoe, mas é a verdade! Ele trabalha, minha mãe também, mas vivemos como se nenhum tivesse trabalho e talvez por isso, meu irmão escolheu a vida que segue hoje em dia. Não é ingratidão, é senso.. Escuto os passos do galego entrar dentro de casa e ainda sim fico olhando para as unhas, vendo quão grandes já estavam, preciso urgentemente fazer a manutenção. __ boa noite cachinhos. - ouço a voz grossa dele e meu corpo arrepia por si só, nem olho pra esse ordinário, pilantra. - tá de bico porquê? - perguntou se aproximando e eu sinto o cheiro de espetinho, fazendo eu levantar a cabeça e ver ele segurando uma sacola. Não respondo ele, sinto sua mão gelada segurar forte meu rosto levantando na direção do seu. __ quando eu falo, tu responde pô. - falou todo bravo e eu engoli em seco, nessa semana ele não foi grosso, nem me machucou como as pessoas falam por aí, mas eu não queria pagar pra ver. __ eu só estou entediada, em plena sexta feira e eu aqui presa dentro dessa casa. - murmurei sentindo a mão dele no meu rosto ainda e ele respirou fundo jogando a cabeça pra trás, soltou meu rosto e caminhou até o outro lado do sofá L, onde sentou deixando a sacola ali no meio de nós dois. __ pensei que você tava gostando do nosso bagulho. - falou todo esquisito, homem maluco, que bagulho pô? Tô vivendo em cárcere de privado, agora vai eu falar, viro estatística. - o que você quer Tâmara, viver por aí solta, ficando com um monte de macho? Tu sabe que eu sou capaz de te matar, não sabe? - falou com os olhos vidrados em mim, meu corpo inteiro arrepiou de forma r**m. Engoli em seco desviando o olhar. __ eu não sei por que do teu estresse pô, te trato tão bem, faço de tudo pra te ver feliz, tu sabe quantas queriam estar no teu lugar? p***a, tô sempre aqui tentando te dar atenção, por mais que eu tenha que rodar por aí ajeitando meus esquemas e mesmo assim tu me tacha como r**m. - falou e eu franzi a testa, eu não quis deixar ele m*l, é como eu falei, até gosto do sexo com ele, da companhia, mas o jeito que tudo tá rolando, não tá me agradando, eu não queria estar aqui presa. - vim aqui na maior boa vontade, depois de um dia de estresse, trouxe um bagulho legal pra tu comer, coca, queria só curtir tua presença, mas já que tu não tá afim, eu vou vazar. - fala já levantando e eu me sinto m*l, por ter deixado ele m*l, talvez eu não consiga entender qual real sentido faz pra ele me deixar aqui presa, talvez nem seja uma coisa r**m, talvez ele não saiba agir e demonstrar quando gosta de alguém, ou não, eu não sei, estou bastante confusa, única coisa que eu sei é que hoje, eu não quero ficar sozinha. __ não vai, desculpa! - falei olhando pra ele que me olha de braços cruzados, levanto do sofá indo até ele que já estava em pé. - eu não quis ser chata, não precisa ir embora, podemos curtir o restinho da noite juntos. - falei me sentindo realmente m*l por não ter enxergado que talvez ele esteja se esforçando pra ser uma pessoa melhor. Ele respira fundo descruzando os braços e segura em meu rosto fraquinho dessa vez, juntando nossas bocas em um beijo lentinho, me deixando ainda mais confusa, eu quero ir embora, com toda a certeza! Mas eu não sei o que sinto quando ele chega perto, parece que ele tem poder demais sobre mim, talvez seja aquele papo de virgindade, ele quem tirou, e pode ser que eu sempre veja ele como ninguém ver, ou também não, é como falei, tudo muito confuso.
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