Capítulo 13

1369 Palavras
POV Madson - Estava pensando em fazer um sanduíche. Você quer um também? Não me importo em fazer dois. Karlyson arquea a sobrancelha, surpreso com o gesto. - Tem certeza? Não quero te dar mais trabalho. - Tenho certeza - Respondo sorrindo enquanto começo a preparar. - Não é problema. Além disso, você parece precisar de uma pausa tanto quanto eu. Enquanto monto os sanduíches, Karlyson se recosta no balcão, me observando com atenção. - Você sempre é tão generosa assim? Não vejo isso acontecer no escritório. - Ah, no escritório sou apenas eficiente... - Brinco passando a faca na maionese. - Mas aqui, na copa, sou quase uma chef. Karlyson ri. A conversa flui de forma leve enquanto finalizo o lanche. Ao entregar um dos sanduíches a ele, aproveito o bom humor do meu querido chefe. - Já que você está de bom humor, Karlyson, será que poderia me liberar um pouco mais cedo hoje? - Pergunto casualmente. Ele olha pra mim, intrigado. - Um pouco mais cedo? Qual o motivo? Sorrio, meio sem jeito. - É que estou organizando uma festa de aniversário surpresa para o meu namorado, e preciso de um tempinho para arrumar as coisas antes que ele chegue. Karlyson segura o sanduíche, mas por um segundo sua expressão muda. Foi rápido, quase imperceptível, mas percebo uma leve sombra de desconforto passando por seus olhos antes de ele retomar o sorriso. - Bom, como você fez um sanduíche para mim e parece estar planejando algo especial... Acho que posso abrir uma exceção hoje - Ele diz, tentando manter o tom casual. Sorrio aliviada. - Obrigada, chefe. Você realmente salvou meu dia. Enquanto comemos, Karlyson parece menos falante do que antes, como se algo estivesse em sua mente. Mas ele não diz nada. Talvez seja apenas cansaço, ou talvez... Algo que ele prefira guardar para si mesmo. ... Depois que preparo os sanduíches, Karlyson me libera para sair mais cedo. Estou aliviada, afinal, preciso do tempo extra para organizar a festa surpresa do meu namorado. No entanto, as coisas não saem como planejado. Quando volto para minha mesa, dou de cara com uma pilha de relatórios que n******e ser ignorado. O relógio parece correr contra mim enquanto trabalho, tentando adiantar tudo antes de ir embora. Horas depois, o escritório já esta quase vazio, e a luz dourada do fim de tarde entra pelas janelas. Karlyson, que havia saído para uma reunião externa, retorna ao prédio para buscar alguns documentos que havia esquecido. Ao passar pelo corredor, fica surpreso ao ver a luz acesa na minha mesa. Ele franze a testa e se aproxima, me observando concentrada, digitando rapidamente no computador. - Madson? - Ele chama, me fazendo levantar os olhos, um pouco assustada. - O que você ainda está fazendo aqui? Achei que já estivesse a caminho da festa. Suspiro, frustrada, e me encosto na cadeira. - Tentei sair cedo, mas a quantidade de trabalho me prendeu aqui. Não consegui adiantar tudo a tempo. Karlyson se aproxima, cruzando os braços enquanto me observa. - Você deveria ter deixado isso para amanhã. Eu te liberei justamente para que pudesse cuidar do seu compromisso. - Eu sei, Karlyson, mas não consegui ignorar. Se deixasse para amanhã, ficaria ainda mais acumulado. - Dou um sorriso sem graça, tentando esconder o cansaço. Ele suspira, balançando a cabeça. - Você é incrivelmente dedicada, Madson. Mas às vezes precisa aprender a priorizar. Rio suavemente, mas sinto um toque de frustração em sua voz. - Parece mais fácil dizer do que fazer. Karlyson olha pra mim por um momento, como se estivesse ponderando algo. Então, tira o paletó e coloca sobre o encosto de uma cadeira próxima. - Sabe o que? Me diga o que falta, e eu te ajudo a terminar. Assim você consegue sair daqui antes que seja tarde demais. Madson arregala os olhos, surpresa. -Você? Me ajudar? Karlyson, você tem certeza? - Tenho. Afinal, eu te liberei, não é? Então é minha responsabilidade garantir que você consiga sair. - Ele sorri e há algo genuinamente caloroso naquele gesto. Hesito por um instante, mas acabo concordando. - Ok, se você insiste... Obrigada. Ambos trabalhamos juntos, e a conversa acaba ficando mais leve à medida que as tarefas são concluídas. Em pouco tempo, o clima formal entre chefe e funcionária da lugar a uma troca descontraída, quase amigável. - Pronto. - Ele diz, fechando o último relatório e olhando pra mim com um sorriso satisfeito. - Agora você está oficialmente liberada. Sorrio aliviada. - Obrigada, Karlyson. Você realmente salvou meu dia. Não sei o que faria se não tivesse ajudado. Ele me encara por um instante, como se quisesse dizer algo mais, mas apenas balança a cabeça e pega seu paletó. - Vai logo, antes que mude de ideia e te coloque para trabalhar de novo. Rio, pegando minhas coisas rapidamente. - Estou indo! Boa noite, chefe. Enquanto saio, Karlyson fica parado, me observando desaparecer no corredor. Ao sair pela porta, algo passa pela minha mente. Meu celular! Esqueci na mesa. Suspirando, viro nos corredores e volto para minha sala. Quando abro a porta, esperando encontrar o ambiente vazio, vejo Karlyson, parado ao lado de minha mesa. Ele esta com as mãos nos bolsos, olhando distraidamente para a janela, como se estivesse perdido em pensamentos. - Você ainda está aqui? - Pergunto surpresa. Karlyson se vira, parecendo igualmente surpreso. - Eu ia sair, mas... fiquei pensando em algumas coisas. - Ele da um meio sorriso. - O que você esqueceu? - Meu celular. Sem ele, acho que minha vida desmorona - Respondo, tentando soar casual enquanto me aproximo da mesa. Pego o aparelho e o coloco na bolsa, mas noto que Karlyson ainda me observa. Ten algo diferente no jeito como ele me olha, algo que não consigo decifrar completamente. O silêncio na sala parece denso, e o clima antes descontraído agora tem uma tensão difícil de ignorar. - Obrigada mais uma vez por me ajudar hoje - Digo, tentando quebrar o silêncio. - Sério, você não precisava... - Madson - Karlyson me interrompe. Sua voz baixa, mas carregada de algo mais profundo. - Você sabe que... Você é especial, não sabe? O encaro confusa, mas sinto meu coração acelerar. - Especial? Karlyson, eu... Não sei se entendi. Ele da alguns passos em minha direção, parando a poucos centímetros de mim. Seus olhos me encaram com uma intensidade que faz minhas pernas tremerem. - Eu tento manter a distância, tento não ultrapassar limites. Mas, às vezes, é difícil... muito difícil. Sinto o ar na sala pesar. Sei que algo esta prestes a acontecer, mas não sei como reagir. - Karlyson, você é meu chefe... E você é comprometido - Digo, quase num sussurro, tentando colocar uma barreira entre o que esta acontecendo. - Eu sei... - Ele responde. A voz rouca, como se estivesse lutando contra si mesmo. - Mas, por mais que eu tente, não consigo ignorar o que sinto quando estou perto de você. Antes que eu possa responder, Karlyson se inclina ligeiramente, e nossos rostos estão agora perigosamente próximos. Sinto meu coração bater forte enquanto o silêncio toma conta. - Isso é errado - Murmuro, mas não recuo. - Eu sei - Ele responde, antes de finalmente inclinar-se e pressionar seus lábios contra os meus. O beijo começa hesitante, como se ambos estivéssemos conscientes do que estamos fazendo, mas logo a hesitação da lugar a uma explosão de emoções reprimidas. Sinto minha mente se embaralhar, esquecendo por um momento de tudo ao redor — o escritório, o trabalho, até mesmo a festa que me aguarda. Nos afastamos, ambos sem fôlego. Os olhos fixos um no outro. Karlyson passa a mão pelos cabelos, visivelmente arrependido, mas incapaz de esconder o d****o em seu olhar. - Desculpa, Madson - Ele diz, a voz baixa. - Eu... Isso nunca deveria ter acontecido. Dou um passo para trás, tentando recuperar a clareza. - Você está certo. Não deveria. Eu... preciso ir. Sem esperar uma resposta, pego minha bolsa e saio apressada, com o coração acelerado e a mente cheia de dúvidas. Enquanto caminho para fora do prédio, só consigo pensar no que havia acabado de acontecer. O beijo, a intensidade, a confusão...
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