Dormi como os mortos por exatos cinco dias. Na metade do quinto, Darabela invadiu meu quarto, ligou a luz e escancarou as janelas.
- Pequena Geles. - cantarolou dando piruetas pelo quarto.
- Porque não vai se f***r, Darabela? - disparei, minha melhor amiga riu.
- Se sair comigo hoje, prometo que acho alguém para fazer exatamente isso. - me levantei ajeitando os cabelos rebeldes e a encarei.
- Devia t*****r com um anjo. - resmunguei. - Ou com um guerreiro, eles são... p***a, eles são incríveis. - Darabela riu jogando um travesseiro em mim.
- Se arrume e vamos. - disse.
Darabela abriu meu guarda roupa sem qualquer sutileza, pegou uma lingerie na primeira gaveta, a jogou na cama e avançou para os cabides.
Fiquei observando enquanto aquela demônia pegava um vestido que valorizava cada uma de minhas curvas: a da b***a, a da cintura e a dos p****s.
- Você é uma demônia. - disparei.
- Na verdade, você que é. - e jogou o vestido em mim.
⭐️
Chegamos ao Cedro's uma hora mais tarde.
Cedro's era nossa balada preferida, onde todos iam quando queriam dançar até que os pés estivessem cheios de bolhas ou encher a cara. Darabela e eu amávamos as duas opções.
Kelwa Door, dona do Cedro's e uma de minhas amigas mais antigas nos dava passagem livre, ou seja, sem filas.
- Tem um guerreiro aqui hoje. - Kelwa disse como cumprimento. - Parece que ele fez parte da segurança particular do príncipe.
- Ah, coitado. - resmunguei.
- Oito doses! - Darabela pediu para o barman e Kelwa deu um sorriso.
- São minhas melhores clientes. - disse dando tapinhas em meu ombro e foi saindo.
- Já sou dona desse maldito lugar. - gritei e ela riu, concordando.
Um macho estava me olhando do outro lado do bar, peguei uma das doses que Darabela pediu e fiz brinde com ele. Era metamorfo, com certeza. Seu olhar de tigre já me dizia muita coisa.
- Quero saber onde está o guerreiro. - Darabela disse me entregando outra dose. Virei uma, então outra e mais outra.
- m*l posso esperar para as drogas que deu pro garçom colocar nessas doses começarem a fazer efeito. - cantarolei.
- Vai ser uma onda rápida. - gargalhei.
- Vamos dançar. - gritei em seu ouvido.
A solução de todos os meus problemas era sempre isso. Dançar. Pedimos outra dose antes de ir, e viramos. Arrastei Darabela até o meio da pista.
Senti álcool e drogas me invadirem juntos, e em tamanha quantidade que, até meu sangue feérico tinha dificuldade para tentar processar tudo.
Música me invadiu, as luzes da boate brilhavam e piscavam, Darabela e eu dançávamos juntas, sentia mãos passando por meus braços, então sumindo.
Em algum momento o macho com olhar de tigre passou a dançar comigo, os olhos nos meus, as duas mãos em minha cintura, dei uma risada rouca.
Peguei sua mão e o arrastei para um dos banheiros, lhe dando um beijo selvagem, enquanto minhas mãos passeavam por seus cabelos e costas.
- Qual seu nome? - perguntou ofegante.
- Não importa. - respondi, ele se separou me olhando.
- Acho que pode ser minha futura esposa. - franzi as sobrancelhas.
- Cara, só fique calado. - retruquei.